António Palolo

António Palolo Évora ¶ 1946-2000 Lisboa

 

  António Palolo
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DR/ Cortesia Galeria III

Apesar de autodidacta, revelou desde cedo um profundo desejo de abordar com intuito experimental o campo das artes plásticas, aliando-se a outros jovens artistas, como Álvaro Lapa, Joaquim Bravo ou António Charrua. Durante os anos 60 o seu trabalho resulta essencialmente de um cruzamento e interrogação constantes acerca das estéticas dominantes na cena artística internacional, vagueando entre o informalismo, a abstracção formal e a pop art, num exercício pictórico em que a cor pura acaba por fazer valer uma extrema sedução, organizando uma opticalidade muito particular e original no contexto da pintura portuguesa. Aliás, a definição de campos de cor contrastantes será responsável, na segunda metade de 60, por um progressivo abandono da figuração inspirada numa certa situação pop. Na década de 70 a explosão cromática cruza-se com uma vontade formal que exige uma planificação rigorosa da composição, conciliando figuras geométricas e cores planas, donde desaparecem quaisquer vestígios da passagem do pincel sobre a superfície do quadro. Uma experiência que parece misturar duas tendências aparentemente antagónicas, a pop e a minimal art. Com a participação na exposição Depois do Modernismo (1983), Palolo apresenta já uma preocupação com os valores expressivos da disciplina pictórica, seguindo de algum modo o contexto de uma "Transvanguarda" onde volta a fazer sentido a presença de uma figuração que mantém um diálogo pertinente com um novo jogo de cores e uma técnica pictórica mais expressionista, quase gestual. Nos anos 90, Palolo irá conciliar dois momentos da sua carreira, criando condições para que a composição se harmonize na consideração tanto das bandas de cores puras como do exercício gestual e expressivo dos últimos trabalhos. Entre as décadas de 70 e 80, e enquadrado pela transdisciplinaridade da época, António Palolo apresentou algumas instalações e realizou filmes experimentais, desenvolvendo um jogo formal onde o cinetismo da imagem será determinante, com repercussão na obra pictórica.

 

 

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