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Os Opúsculos de Leite de Vasconcelos
Nos sete volumes dos Opúsculos está reunida uma pequena parte, muito seleccionada, da monumental produção linguística de José Leite de Vasconcelos. Quando se aproximava dos 70 anos de idade, em resposta a um convite de Joaquim de Carvalho, director da Imprensa da Universidade de Coimbra, o Doutor Leite empreendeu uma escolha dos estudos que escrevera numa vasta série de domínios relacionados com a linguagem e, depois de revistos e actualizados, e acrescentados de alguns inéditos, organizou-os com o seguinte plano:
Filologia volumes I (1928) e IV (1929)
Dialectologia volumes II (1928) e VI (1985, póstumo)
Onomatologia volume III (1931)
Etnologia volumes V e VII (ambos em 1938)
Os quatro primeiros volumes foram publicados, como previsto, pela Imprensa da Universidade de Coimbra. Após o seu encerramento por ordens do governo da época, o Doutor Leite transferiu a publicação dos volumes restantes para a Imprensa Nacional, em Lisboa, onde publicou os dois de Etnologia e deixou aprontado um segundo volume de Dialectologia. Este foi ultimado e parcialmente redigido por Maria Adelaide Valle Cintra, que deixou materiais com que a Imprensa Nacional-Casa da Moeda projecta publicar um terceiro volume de Dialectologia.
Salvo estas excepções, os volumes foram formados e revistos pelo autor. Raro deve ser o texto que escapou a intervenções de reescrita, as quais, mesmo quando miúdas e superficiais, ou especialmente nesses casos, têm o valor de comprovar que a decisão de republicar estes textos não foi tomada sem um atento escrutínio à sua perdurável utilidade e aos avanços do conhecimento. Faltará esse toque final às publicações póstumas da obra de Leite de Vasconcelos (além dos Opúsculos mais recentes, destacam-se as colectâneas de Romanceiro e Cancioneiro e sobretudo a monumental Etnografia Portuguesa); mas, como foram redigidas a partir de detalhados planos autógrafos e de inéditos fragmentários, sob a direcção de dois dos discípulos que melhor conheciam a sua obra e as suas intenções, Orlando Ribeiro e Manuel Viegas Guerreiro, podemos considerar que, tal como a nós plenamente satisfazem, não desdenharia tê-las subscrito o maior filólogo português.
(Dezembro de 2005)
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