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Boletim de Filologia Nota prévia
Em 1932, o governo criou em Lisboa o Centro de Estudos Filológicos (CEF) e dotou-o de um ambicioso leque de projectos, de que faziam parte a criação de um laboratório de fonética experimental, a elaboração de um atlas linguístico, de um dicionário da língua arcaica, de um corpus de latinistas portugueses, vários catálogos e ainda a edição de textos. De todos esses projectos iniciais, que pareciam estar ao alcance do CEF, pois a sua direcção era constituída pelos mais importantes filólogos e linguistas da época (Leite de Vasconcelos, David Lopes, João da Silva Correia, Agostinho de Campos, José Maria Rodrigues, Hernâni Cidade, Rodrigues Lapa, entre outros), vieram a materializar-se afinal apenas dois: um volume contendo os índices da Revista Lusitana, de Leite de Vasconcelos, e uma revista científica própria, que foi nomeada Boletim de Filologia.
Ficou assim indiciada, logo à partida, uma relação de certo modo filial entre a venerável revista de Leite, que ainda seria publicada por mais dez anos, e a nova revista do CEF, cujo primeiro volume saíu logo em 1932. No seu novo formato a presente edição em linha da Biblioteca Digital Camões , torna-se possível proceder a uma confrontação global das duas revistas e apreciar em que medida o Boletim de Filologia terá constituído um passo em frente na abordagem da língua e da literatura portuguesas, e por extensão românicas.
O CEF nunca se viu atribuir meios para empreender as suas tarefas e passou por períodos de grande estagnação. Apesar disso, conseguiu fazer sair o Boletim de Filologia com apreciável regularidade (um volume cada ano ou cada dois anos, salvo durante e logo após a guerra). Nos anos 60, porém, este ritmo perde-se e nunca mais é recuperado totalmente: o tomo XXII sai em 1973 com nove anos de atraso, o XXV com três anos e o XXXII com quatro anos.
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I
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1932
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XVII
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1958
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II
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1933-34
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XVIII
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1959
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III
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1934-35
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XIX
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1960
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IV
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1936-37
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XX
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1961-62
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V
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1937-38
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XXI
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1962-63
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VI
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1939-40
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XXII
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1964-73
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VII
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1940-44
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XXIII
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1974
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VIII
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1945-47
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XXIV
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1975
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IX
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1948
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XXV
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1976-79
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X
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1949
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XXVI
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1980-81
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XI
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1950
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XXVII
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1982
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XII
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1951
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XXVIII
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1983
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XIII
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1952
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XXIX
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1984
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XIV
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1953
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XXX
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1985
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XV
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1954-55
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XXXI
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1986-87
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XVI
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1956
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XXXII
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1988-92
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Curiosamente, a arritmia do Boletim de Filologia coincide com a fase de maior desenvolvimento do CEF como unidade de investigação científica. Por impulsão de Luís Filipe Lindley Cintra, nos anos 70, o centro encetou finalmente alguns projectos de longa duração, de que são de destacar os inquéritos para o atlas linguístico e a constituição do corpus do Português Fundamental, depois evoluído para Corpus de Referência do Português Contemporâneo. O Centro de Estudos Filológicos mudou a sua designação para Centro de Linguística das Universidades de Lisboa e depois para Centro de Linguística da Universidade de Lisboa (CLUL); efectivamente, hoje é uma unidade integrada na Faculdade de Letras da UL. O desdobramento da sua actividade em numerosos projectos e a multiplicação dos espaços de publicação disponíveis para os seus investigadores contribuiram para a redução do papel central que o Boletim de Filologia desempenhara na vida do centro. A permanência de Filologia no seu nome, mas não no do centro, aponta na mesma direcção.
Os volumes publicados nos últimos vinte anos foram dirigidos por Lindley Cintra. Está a ser preparado um volume isolado, o XXXIII, em homenagem à sua memória.
Outras homenagens estão contidas nas páginas da revista. Os volumes X e XI são uma miscelânea dedicada a Adolfo Coelho, assim como os volumes XXVIII e XXIX o são de Manuel Rodrigues Lapa. Por outro lado, os três volumes XVIII a XX constituem as actas do IX Congresso Internacional de Linguística Românica, que se realizou em 1959 em Lisboa, organizado por Lindley Cintra.
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