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A filosofia brasileira pode ser definida como uma das virtualidades da filosofia portuguesa que encontrou uma situação propícia, desabrochou seguiu seu curso. Acontece que o universo de ambas é a língua portuguesa, nossa pátria comum, como diria Fernando Pessoa. De modo que essa tentativa de desligamento não eliminou nem poderia eliminar as linhas de confluência. Ora recusadas e ora reconhecidas, hoje buscamos assumí-las para evitar a crença ingénua de que se pode renegar as origens, notadamente quando se perdem no tempo e foram longamente sedimentadas.
Até a divergência séria surgida nas Cortes de 1821 e que acabaria levando à Independência, a temática filosófica com que nos defrontámos era a mesma. Provinha das teses postas em circulação por Luís António Verney (1713-1792), encampadas pela Reforma Pombalina da Universidade, formuladas deste modo: «Eu suponho que a Filosofia é conhecer as coisas pelas suas causas; ou conhecer a verdadeira causa das coisas. Esta definição recebe os mesmos Peripatéticos, ainda que eles a explicam com palavras mais obscuras. [...]»
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