{\pwi, TahomaCourier New/=  =@BB### ##4#######"############*###'#"##(#+#%#'##)#%#)#+##+#(#(#'##(#,#'#&####'#/#"##(# #+#$##%#&###$##.#!#)#&##%# #*####&#*#'#'############################# #"###!#####################,#-# #(#0#0#.#######(#&##-#(###'#%##&#'###-#"##)#'###"###'#!###'#&##(#&###,#"##.#)########## ####"########!################# ##### ################!#######!############ #####"###########$####"#$############(#+#&#&#&# #"#)#*##"#(#%#)#%#$#%#)##&#%#'#"#,#%#'#(## ##A##*" O Navio Negreiro (Tragdia no Mar)B"  A# " B" A# " Castro AlvesB"  A# " B" A#4;" O Navio Negreiro foi extrado do livro Os Escravos.B"  A# " B" A#$" 1997, Parque EXPO 98. S.A.B" A# " B" A# " ISBN 972-8127-83-9B" A#" Lisboa, Abril de 1997B" A# " B" A#")" Verso para dispositivos mveis: B"`   A#$" 2009, Instituto Cames, I.P.B" A# " B" A#  " ***B"l A# " B" A# " O NAVIO NEGREIROB"@ A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A#  " IB"$ A# " B" A#*1" 'Stamos em pleno mar ... Doudo no espao B"` @ A##*" Brinca o luar -dourada borboleta; B"   A#'." E as vagas aps ele correm ... cansam B"   A#")" Como turba de infantes inquieta. B"  h A# " B" A#(/" 'Stamos em pleno mar ... Do firmamento B"   A#+2" Os astros saltam como espumas de ouro ... B"   A#%," O mar em troca acende as ardentias, B"`   A#'." -Constelaes do lquido tesouro .. . B"`  A# " B" A#)0" 'Stamos em pleno mar ... Dois infinitos B"  h A#%," Ali se estreitam num abrao insano, B"   A#)0" Azuis, dourados, plcidos, sublimes ... B"  A#+2" Qual dos dous o cu? qual o oceano? ... B"   A# " B" A#+2" 'Stamos em pleno mar ... Abrindo as velas B"` d A#(/" Ao quente arfar das viraes marinhas, B"  h A#(/" Veleiro brigue corre flor dos mares, B"   A#'." Como roam na vaga as andorinhas .. . B" @ A# " B" A#(/" Donde vem? onde vai? Das naus errantes B"  D A#,3" Quem sabe o rumo se to grande o espao? B" d A#'." Neste saara os corcis o p levantam, B"  h A#&-" Galopam, voam, mas no deixam trao. B"  A# " B" A##*" Bem feliz quem ali pode nest'hora B"<  h A#'." Sentir deste painel a majestade! .. . B" @ A#/6" Embaixo -o mar ... em cima -o firmamento .. . B" @ A#")" E no mar e no cu -a imensidade! B"   A#  " B"$ A#(/" Oh! que doce harmonia traz-me a brisa! B"  D A# '" Que msica suave ao longe soa! B"  A#+2" Meu Deus! como sublime um canto ardente B"  A#$+" Pelas vagas sem fim boiando toa! B"  A# " B" A#%," Homens do mar! rudes marinheiros, B"  A#&-" Tostados pelo sol dos quatro mundos! B"   A##*" Crianas que a procela acalentara B"   A#$+" No bero destes plagos profundos! B"<   A# " B" A#.5" Esperai! ... esperai! ... deixai que eu beba B"  A#!(" Esta selvagem, livre poesia ... B"  A#)0" Orquestra - o mar, que ruge pela proa, B"   A#&-" E o vento, que nas cordas assobia... B"   A# " B" A#%," Por que foges assim, barco ligeiro? B"  D A# '" Por que foges do pvido poeta? B"<  A#*1" Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira B"@ ` A##*" Que semelha no mar -doudo cometa! B"   A#  " B"$ A#&-" Albatroz! Albatroz! guia do oceano, B"   A#*1" Tu que dormes das nuvens entre as gazas, B"` @ A#'." Sacode as penas, Leviathan do espao, B"   A#'." Albatroz! Albatroz! d-me estas asas. B"   A#  " B"$ A# " B" A#  " IIB"H A# " B" A# " B" A#&" Que importa do nauta o bero, B" A#%" Donde filho, qual seu lar? B" A# " Ama a cadncia do verso B"` A#$" Que lhe ensina o velho mar! B" A#&" Cantai! que a morte divina! B" A#"" Resvala o brigue bolina B" A#" Como golfinho veloz. B" A#"" Presa ao mastro da mezena B" A#" Saudosa bandeira acena B"< A#!" s vagas que deixa aps. B" A# " B" A#"" Do Espanhol as cantilenas B" A#" Requebradas de langor, B"< A#"" Lembram as moas morenas, B" A#" As andaluzas em flor! B" A#$" Da Itlia o filho indolente B" A#" Canta Veneza dormente, B"< A#"" -Terra de amor e traio, B" A#" Ou do golfo no regao B" A#%" Relembra os versos de Tasso, B" A#"" Junto s lavas do vulco! B" A# " B" A##" O Ingls -marinheiro frio, B" A# '" Que ao nascer no mar se achou, B"<  A#")" (Porque a Inglaterra um navio, B"  A#%" Que Deus na Mancha ancorou), B" A#$" Rijo entoa ptrias glrias, B" A#!(" Lembrando, orgulhoso, histrias B"  h A##" De Nelson e de Aboukir ... B" A# " O Francs -predestinado B"` A##" Canta os louros do passado B" A#"" E os loureiros do porvir! B" A# " B" A# " Os marinheiros Helenos, B"` A# " Que a vaga inia criou. B"` A#" Belos piratas morenos B" A##" Do mar que Ulisses cortou. B" A##" Homens que Fdias talhara. B" A#$" Vo cantando em noite clara B" A#$" Versos que Homero gemeu ... B" A##" Nautas de todas as plagas. B" A##" Vs sabeis achar nas vagas B" A# " As melodias do cu! ... B"` A# " B" A# " B" A#  " IIIB"l A# " B" A# " B" A#,3" Desce do espao imenso, guia do oceano! B" d A#-4" Desce mais ... inda mais ... no pode olhar B"  A# " [humano B"  A#(/" Como o teu mergulhar no brigue voador! B"<  A#07" Mas que vejo eu a. .. Que quadro d'amarguras! B"  A#07" canto funeral!. .. Que ttricas figuras!. .. B"`  A#.5" Que cena infame e vil .. Meu Deus! meu Deus! B" @ A# " [Que horror! B" A# " B" A# " B" A#  " IVB"H A# " B" A# " B" A#(/" Era um sonho dantesco ... o tombadilho B"   A#&-" Que das luzernas avermelha o brilho, B"   A#" Em sangue a se banhar. B"< A#-4" Tinir de ferros .. . estalar de aoite .. . B"  A#(/" Legies de homens negros como a noite, B"  D A#" Horrendos a danar ... B"< A# " B" A#'." Negras mulheres, suspendendo s tetas B"  D A#%," Magras crianas, cujas bocas pretas B"  A# " Rega o sangue das mes: B"` A#&-" Outras moas, mas nuas e espantadas, B"`   A#'." No turbilho de espectros arrastadas, B"   A#" Em nsia e mgoa vs! B" A# " B" A#-4" E ri-se a orquestra irnica, estridente ... B"  A#")" E da ronda fantstica a serpente B"<  D A# " Faz doudas espirais ... B"` A#)0" Se o velho arqueja, se no cho resvala, B"  A#'." Ouvem-se gritos ... o chicote estala. B"   A#" E voam mais e mais ... B"< A# " B" A#")" Presa nos elos de uma s cadeia, B"`   A#&" A multido faminta cambaleia, B" A#" E chora e dana ali! B" A#'." Um de raiva delira, outro enlouquece, B"   A#!(" Outro, que martrios embrutece, B"   A#" Cantando, geme e ri! B" A# " B" A#'." No entanto o capito manda a manobra, B"  D A#&-" E aps fitando o cu que se desdobra,B"  D A#" To puro sobre o mar, B" A#(/" Diz do fumo entre os densos nevoeiros: B"   A#&-" Vibrai rijo o chicote, marinheiros! B"<  A#$" Fazei-os mais danar!. .. B" A#  " B"$ A#,3" E ri-se a orquestra irnica, estridente... B"  A#")" E da ronda fantstica a serpente B"<  D A# " Faz doudas espirais ... B"` A#.5" Qual um sonho dantesco as sombras voam! . .. B"  A#)0" Gritos, ais, maldies, preces ressoam! B"< @ A#" E ri-se Satans!. .. B" A# " B" A# " B" A#  " VB"$ A# " B" A# " B" A#%" Senhor Deus dos desgraados! B" A##" Dizei-me vs, Senhor Deus! B" A#&" Se loucura ... se verdade B" A# '" Tanto horror perante os cus?! B"<  A#"" mar, por que no apagas B" A##" Co'a esponja de tuas vagas B" A#"" De teu manto este borro? B" A#")" .. Astros! noites! tempestades! B"  A#" Rolai das imensidades! B"< A# " Varrei os mares, tufo! B"` A# " B" A##" Quem so estes desgraados B" A#!" Que no encontram em vs B" A#&" Mais que o rir calmo da turba B" A#%" Que excita a fria do algoz? B" A#!(" Quem so? Se a estrela se cala, B"  A##" Se a vaga pressa resvala B" A# " Como um cmplice fugaz, B"` A#%" Perante a noite confusa .. . B" A# " Dize-o tu, severa Musa, B"` A#$" Musa librrima, audaz! .. . B" A# " B" A#"" So os filhos do deserto, B" A##" Onde a terra esposa a luz. B" A#"" Onde vive em campo aberto B" A##" A tribo dos homens nus ... B" A#"" So os guerreiros ousados B" A#%" Que com os tigres mosqueados B" A#" Combatem na solido. B" A##*" Ontem simples, fortes, bravos ... B"  A#" Hoje mseros escravos, B"< A# '" Sem luz, sem ar, sem razo ... B"  A# " B" A#"" So mulheres desgraadas, B" A# " Como Agar o foi tambm. B"` A##" Que sedentas, alquebradas, B" A# '" De longe ... bem longe vm ... B"  A#$" Trazendo com tbios passos, B" A#%" Filhos e algemas nos braos, B" A#"" N'alma -lgrimas e fel... B" A#"" Como Agar sofrendo tanto, B" A#"" Que nem o leite de pranto B" A#"" Tm que dar para Ismael . B" A# " B" A# " L nas areias infindas, B"` A#" Das palmeiras no pas, B"< A##" Nasceram -crianas lindas, B" A#!" Viveram -moas gentis ...B" A#"" Passa um dia a caravana, B" A#"" Quando a virgem na cabana B" A#$" Cisma da noite nos vus ... B" A#"" Adeus, choa do monte, B" A#!(" Adeus, palmeiras da fonte! ... B"  A#&" Adeus, amores ... adeus!. .. B" A# " B" A#$" Depois, o areal extenso ... B" A# " Depois, o oceano de p. B"` A##" Depois no horizonte imenso B" A#%" Desertos ... desertos s ... B" A#!(" E a fome, o cansao, a sede ... B"  A#%" Ai! quanto infeliz que cede, B" A##*" E cai p'ra no mais s'erguer!. .. B"  A#!" Vaga um lugar na cadeia, B" A##" Mas o chacal sobre a areia B" A# " Acha um corpo que roer. B"` A# " B" A#" Ontem a Serra Leoa, B" A#"" A guerra, a caa ao leo, B" A#" O sono dormido toa B" A#"" Sob as tendas d'amplido! B" A# '" Hoje ... o poro negro, fundo, B"<  A#"" Infecto, apertado, imundo,B" A#%" Tendo a peste por jaguar ... B" A# " E o sono sempre cortado B"` A##" Pelo arranco de um finado, B" A#")" E o baque de um corpo ao mar ... B"  A# " B" A#" Ontem plena liberdade, B"< A# " A vontade por poder ... B"` A#$" Hoje ... cm'lo de maldade, B" A#&" Nem so livres p'ra morrer ...B" l A#$" Prende-os a mesma corrente B" A##" -Frrea, lgubre serpente B" A#"" Nas roscas da escravido. B" A##" E assim zombando da morte, B" A#" Dana a lgubre coorte B"< A#$+" Ao som do aoute ... Irriso! . .. B"  A# " B" A#%" Senhor Deus dos desgraados! B" A##" Dizei-me vs, Senhor Deus, B" A#")" Se eu deliro ... ou se verdade B"`   A#$+" Tanto horror perante os cus?!.. . B"<   A#"" mar, por que no apagas B" A##" Co'a esponja de tuas vagas B" A#"" Do teu manto este borro? B" A#%" Astros! noites! tempestades! B" A#" Rolai das imensidades! B"< A#$" Varrei os mares, tufo! ... B" A# " B" A# " B" A#  " VIB"H A# " B" A# " B" A#(/" Existe um povo que a bandeira empresta B"  D A#+2" P'ra cobrir tanta infmia e cobardia!. .. B"  A#&-" E deixa-a transformar-se nessa festa B"`   A#&-" Em manto impuro de bacante fria! ... B"  h A#&-" Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira B"  D A# " [ esta, B" D A#")" Que impudente na gvea tripudia? B"  h A#)0" Silncio. Musa ... chora, e chora tanto B"   A#*1" Que o pavilho se lave no teu pranto! ...B"   A# " B" A#")" Auriverde pendo de minha terra, B"  A#(/" Que a brisa do Brasil beija e balana, B"  D A#%," Estandarte que a luz do sol encerra B"   A#)0" E as promessas divinas da esperana ... B"  A#%," Tu que, da liberdade aps a guerra, B"   A#$+" Foste hasteado dos heris na lana B"  A#%," Antes te houvessem roto na batalha, B"  D A#)0" Que servires a um povo de mortalha!. .. B"  A# " B" A#&-" Fatalidade atroz que a mente esmaga! B"   A#%," Extingue nesta hora o brigue imundo B"  A#'." O trilho que Colombo abriu nas vagas, B"   A#")" Como um ris no plago profundo! B"  h A#,3" Mas infmia de mais! ... Da etrea plaga B"  A#%," Levantai-vos, heris do Novo Mundo! B"  A#'." Andrada! arranca esse pendo dos ares!B"  D A#(/" Colombo! fecha a porta dos teus mares! B"   A# " B" A# '" S. Paulo, 18 de abril de 1868. B"`  A# " B"