{\pwi, TahomaCourier New/=  =@(2####c#######"######## # ##### ##########D###"u#### #P# ##.#r###'#J####c####c### ##########G#>x#####?g# .### #v# ####K#(##b###,##o#P###r################### ,# 9##?#### 1#@#####j#####'#Y#Q#C##(1#'#/###A# " O Pescador UrashimaB" A# " B" A# " Venceslau de MoraesB" A# " B" A#!cj" A Alforreca, Ninguyo e O Pescador Urashima foram extrados do livro Paisagens da China e do Japo.B" ` <   A# " B" A#$" 1997, Parque EXPO 98. S.A.B" A# " B" A# " ISBN 972-8396-28-7B" A# " Lisboa, Dezembro de 1997B"` A# " B" A#")" Verso para dispositivos mveis: B"`   A#$" 2009, Instituto Cames, I.P.B" A# " B" A#  " ***B"l A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A# " O PESCADORB" h A# " URASHIMAB"  A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A# " A ALFORRECAB"  A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A#" A Henrique Carvalhosa B" A# " B" A# " B" A#" Fala a lenda japonesa. B"< A#~" Antigamente e quem sabe se ainda hoje! - no seio do oceano era o reino faustuoso dos drages. Por longos anos, o senhor deste reino, o drago real, viveu celibatrio, numa existncia descuidos a; e sabem s os deuses, e no ns, quantas noites de dissipao, em companhia de tartarugas e lagostas ligeiras de costumes, que lhe cantavam trovas ao som do shamicen e lhe iam servindo saqu em ricas taas, quantas noites ele passou em travessas intimidades amorosas!...B"- `   <     `       < ` A#DK" Verdores, que passam breve. Um belo dia, resolveu casar-se, o bom soberano. A noiva escolhida foi uma jovem dragoazita, dezasseis anos apenas, adorvel, digna pelos seus mil encantos de ser a consorte feliz de tal senhor. Explndidas foram as bodas por essa ocasio, segundo consta: sem j falar na corte ntima, toda a bicharia aqutica, peixes, mariscos, moluscos, todos vieram processionalmente, em cardumes, em belos quimonos de sedas encarnadas, oferecer seus respeitos e presentes; e foram, durante longos dias, estupendos regabofes, em danas, em msicas, em banquetes... B"7           <        `   A# " B" A# " B" A#u|"" Mas nem os drages escapam s duras provaes da existncia! Ainda bem um ms se no passara, quando a augusta soberana caiu doente; e tais cuidados inspirou desde logo o seu estado, que era uma lstima observar as trombas compungidas dos fidalgos, comentando baixinho, em lamentaes do seu ofcio, o triste caso. Reuniram-se os doutores em conferncia; falaram muito, discutiram muito, sem chegarem a acordo, como sempre sucede; consultaram-se abalizados alfarrbios de teraputica; as barbatanas incansveis rabiscaram um milho de receitas milagrosas e todas as tisanas se serviram. Baldado intento; a soberana extinguia-se; e afinal os focinhos dos sbios, num trejeito de piedade e desengano, tiveram de ser francos, de declarar que a cincia -j naquela poca se enchia a boca com a cincia -que a cincia nada mais podia fazer, e que um angustioso desfecho era de esperar-se. B"U   `  `   <       <        `  <          A# " B" A# " B" A#4" Do seu leito de enferma, de entre os futon, as fofas colchas de cetim, agita as trmulas patinhas a rainha; chama junto de si o esposo, e diz-lhe estas palavras ao ouvido: B" `       A#? " -Uma s coisa me salvar: arranquem o fgado a um macaco vivo, e consintam que o devore; recuperarei a sade... -O rei no pde reprimir um gesto de surpresa, quase de enfado, e todo se lhe eriou o bigode faanhudo: B" <  < `      A#PW" -Um fgado de macaco! ests louca, minha querida!...-Ela prontamente retrucou: B"   A# " -Louca, porqu? Vossa majestade esquece porventura, que ns, o grande povo dos drages, no mar vivemos sempre, enquanto que os macacos, muito longe daqui, vivem na terra, nos bosques, entre as rvores, nutrindo-se de frutos... No fgado do mono alguma coisa vir que participe desse mundo, to diverso, to outro; e essa partcula estranha, senhor, me salvaria!...-E a rainha, a quem as lgrimas acodem, prossegue num tom repreensivo e lastimoso: -Uma insignificncia, um nada, pedi, e esse nada vossa majestade me recusa. Julgava merecer-lhe mais afectos. Dispa-me destas pompas de soberana, no as quero; d a coroa a outra esposa, mais digna, mais formosa; consinta que volva ao ninho carinhoso de meus pais-A voz sufoca-se em soluos, no pode mais proferir uma s queixaB"I   < <          `  d  <          < A#i" O rei dos drages no queria passar, entre damas, por um drago cruel; por demais conhecia ele os caprichos pueris do sexo frgil, mas perdoava-os complacentemente, por sistema; e sobretudo adorava a esposa, cujas lgrimas desejaria poupar a todo o transe. Satisfaa-se pois o capricho da rainha. Mandou chamar a sua escrava mais fiel e dedicada, a alforreca, e disse-lhe o seguinte: B"&  `    ` <     < `  h A#.5" -Vou dar-te uma espinhosa tarefa, minha velha, mas confio na tua dedicao nunca mentida; preciso que empreendas uma longa viagem, que nades at junto da terra, e ali covenas um macaco a vir contigo a estes meus reinos; fala-lhe, para o resolveres, da mgica beleza destes stios, to diferentes dos seus, e da gentileza destes meus sbditos felizes; mas o que eu realmente quero neste caso, que se arranque o fgado das entranhas de tal mono, e se sirva como medicamento tua jovem ama, que, como decerto sabes, se acha em perigo de vida, a desditosa. B"5 `      ` `   `           A#ry" L vai, oceano fora, vento em popa, a alforreca, emissria obediente e ufanosa do encargo. Por aqueles tempos, a alforreca, como qualquer bicho das guas, era um animal gracioso, de contornos esbeltos, com cabecinha, com olhinhos, com mozinhas, e com a competente cauda titilante; e ficava-lhe to bem o fato de marujo!... L vai, oceano fora, olhar sereno e cogitador, rompendo a vigorosas braadas a onda fria. No tarda muito a abeirar-se do pas onde vivem os macacos; por felicidade, um alm est, um lindo mono, saltando de ramo em ramo, dependurando-se das rvores que enraizam nos penedos e se debruam sobre o mar. B":     <       <   <        A#" -Bons-dias, senhor macaco. Eu venho aqui expressamente para falar-lhe de um pas longnquo, muito mais belo do que o seu; ele situado alm das ondas e conhecido pelo reino dos drages; ali, no h estaes, eterna a amenidade do clima; ali, nas copas das rvores repolhudas, constantemente amanhecem aveludados frutos saborosos, colh-los, no h outra tarefa; para cmulo do conforto, essas criaturas malfazejas, homens chamados, no pisam tais paragens. Se lhe agrada vir comigo, eu serei o seu guia; no tem mais que fazer do que saltar desse tronco para cima do meu lombo... -O macaco achou gracioso isso de ir ver novos pases. V l mais esta extravagncia conta da bomia simiesca. B"A       <   `           `  < ` d A#j" -Ao largo, amiga! -E l foram os dois; porm, a meia travessia, pensou tardiamente o mono na temeridade do seu feito, expondo-se assim ao arbtrio de um estrangeiro, e abandonando a sua ptria. Decidiu-se enfim a perguntar: -Que pensa voc que vo fazer de mim na sua terra? -A alforreca deveria agora ser discreta, encapotar as respostas em evasivas; mas oiam l o que ela deu em troco: B"&         <      A#'" -Eu lhe digo: meu amo, rei dos drages, ordena ao senhor macaco que arranque o prprio fgado, o qual vai ser servido nossa soberana, hoje enferma, e salv-la da morte. -Ento o mono, guardando para si os comentrios que o caso sugeria, disse cortesmente, que era para ele uma alta honra e um inesperado prazer, o assim tornar-se til a sua majestade; acrescentou, porm, que agora se lembrava de ter deixado o fgado dependurado num tronco de rvore, aquele mesmo castanheiro donde saltara para as costas da alforreca. Continuou discursando em linguagem fluente, de orador emrito, descendo a explanaes minuciosas; e explicou como o fgado era uma coisa bastante pesada, embaraosa, um quase alforje de peregrino, um empecilho que ele costumava pr de parte, durante o dia, para se entregar mais vontade aos seus exerccios de acrobata; hbitos de famlia, j seu av fazia o mesmo; e concluiu, que o melhor que tinham a fazer neste momento, era voltarem para trs, e na rvore encontrariam o fgado em questo. B"b             <  <     `        `            A#JQ" No ps objeces a nadadora. Voltando terra, o macaco saltou ao castanheiro com uma ligeireza nunca vista, nem mesmo entre macacos, acompanhando o pulo de uma alegre careta e de um gesto que traduzia o jbilo do bestunto, coisa que passou estranha alforreca. Procurou entre as folhas o seu fgado. No o encontrou. Explicou ento do alto, alforreca, que provavelmente algum companheiro o levara para longe, o que o obrigava a mais demoradas pesquisas pelo bosque; no entretanto que fosse ela contar o caso ao seu senhor, que devia estar ansioso por v-la chegar antes da noite. B"7       `            ` < < A# " B" A# " B" A# " Assim procedeu o bicho. B"` A#cj" El-rei, que a esperava, e que a escutou, enraivecido por tamanha ingenuidade -para no lhe chamar coisa mais feia , mandou logo vir da maladia um bando dos seus mais soberbos samurais, e ordenou-lhes que malhassem no bicho pancada, at cansarem. O castigo foi cumprido, e com esse vigor de braos de viles, que miram aos aplausos do monarca. esta a razo porque a alforreca, hoje em dia, no tem pernas, nem cabea, nem cauda nem barbatanas; tanta pancada levou, que ficou reduzida a esta misria, massa informe, um farrapo, um pedao de gelatina, boiando despresivelmente merc do turbilho das vagas.B"7                ` `     A#8" Com respeito soberana, reconsiderando no disparate do seu capricho, concluiu que o melhor que tinha a fazer era erguer-se da cama e pr-se boa; e assim fez, com grande pasmo dos doutores. B"`    <   A# " B" A# " B" A#acj" A histria da alforreca est contada, na sua simplicidade comovente. verdica esta histria, como tudo que o povo relata de memria; creia nela quem cr. Fica-se j sabendo no entretanto , e isto de um proveitoso ensinamento , que os Japoneses to prodigamente propensos ao perdo para tantos pecadilhos de alma e de costumes, castigam os patetas. B"#          `  `  D A##" Diga-se francamente: esta desgraa da alforreca, no pas do Sol nascente, era inevitvel; e o caso presta-se a interessantes comentrios, que eu vou resumir em poucas linhas. Os Japoneses -povo de artistas so os grandes amorosos da criao, da forma, da vida; ningum como eles conhece os segredos da ave, do insecto, do rptil, do peixe, dos moluscos, do verme, de todos os seres da terra; a animalidade graciosa desses seres, estudada com percepes especiais, que nos escapam, constitui o tema mil e mil vezes variado, dos seus primores de arte. Mas esse monstro, essa disformidade, essa alforreca que se apresenta como nica excepo da lei geral da gentileza da vida, e parece resumir em si o enfado inteiro de um dia de mau humor do Omnipotente, devia ter deixado impresses tristes nos primeiros japoneses que a avistaram; e foi preciso arranjar logo uma explicao condigna do fenmeno, e a que ficou descrita nestas linhas. B"X     <       `                      ` A#= " ainda interessante recordar de passagem a aproximao, pela desdita, da alforreca japonesa com a medusa mitolgica da Grcia, no merecendo esta melhor tratamento dos deuses olmpicos. Curiosa coincidncia! B"         A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A# " NINGUYOB" A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A#GN" Mukashi, mukashi (nos velhos tempos, nos velhos tempos, como diriam estes bons japoneses, e conforme reza a lenda, interpretada pelo Nihon no Mukashibanashi (Antigas Legendas do Japo), viveu um homem, um simples, de ndole bondosa, de quem se poderia dizer que passara a mocidade em desejos de matrimnio; mas como desejos e realizao deles so duas coisas mui diferentes, atingiu o pobre a meia idade sem ter levado a efeito essa firma... -comercial no talvez o termo prprio -em todo o caso essa firma a dois parceiros, que partilham entre si, da vida, alegrias e tristezas. B"7    ` <              `    A#x>" As alegrias dele consistiam principalmente em entregar-se pesca, pesca linha durante os longos cios; tristezas, sentia-as sobretudo, mais mordentes, ao recolher noite a casa, derreado, cambaleando de sono e de fadiga, sem encontrar uma alma companheira que lhe sorrisse porta, e em saudaes o convidasse a entrar; nem mos prestimosas que lhe tomassem o peixe e o amanhassem, e fossem depois lev-lo ao fogo do braseiro. Em toda a parte, e especialmente no Japo, estes sentimentos ntimos da alma -jbilos de pescador linha e desalentos de solteiro -so bem justificveis. Com efeito, para um temperamento vagabundo e impressionvel aos enlevos da paisagem, como se d com todo o Japons, quantos encantos no vo proporcionando a linha e o anzol, induzindo-nos sem esforo a longos passeios de bomio, penedos e praias fora, contornando margens ziguezagueantes de ribeiras e enseadas, em face dos cenrios serenos, todos verde, frescuras, espelhos de guas e murmrios... e como as horas voam, acocorado o corpo sobre a rocha, a mo ora afeita, ora prendendo o isco, ora demorando-se em comovente espectativa, ora colhendo o peixe a estrebuchar; e o esprito voando, como as horas, alheio ao ofcio, deliciando-se em sonhos, viajando no reino das quimeras... Mas noite, aps um dia inteiro de labuta, que o corpo se di e falham os joelhos; e deve ento saber to bem chegar a gente ao lar de esteiras e papel, e vir entrada ajoelhar-se em cortesias a figura gentil de uma esposinha fresca, envolvida em sedas e perfumes, com as mozitas rosadas em posio submissa, as mozitas to hbeis em corarem nas brasas as trutas saborosas... B"   `   `     `               `  `  `    <                `            A#" Ora, um belo dia, o nosso homem, de quem a tradio no tomou conta do nome, achava-se pescando segundo o seu costume, bambu em punho, e meditando ao mesmo tempo sobre o seu desconsolo e desolada sorte, quando... zs! um grande safano na linha lhe fez logo imaginar que alguma coisa fora do comum haveria de colher. Por pouco se lhe no vo, linha e anzol, e peixe ao mesmo tempo; ento com muitas manhas que so prprias da arte, ps-se a cansar a presa, j alongando o brao e deixando-a debater-se a seu capricho, j aproveitando o repouso para traz-la praia; at que enfim, azado o instante, puxou com fora, e veio cair-lhe o peixe aos ps.B"?      `    `   < <  <    <     A#%" O peixe? o peixo!...Era uma Ninguyo, uma sereia; nem mais nem menos; face de mulher, de uma rara formosura, e um enorme corpo ventrudo, alongado, escamoso, agitando barbatanas e terminando em amplo rabo, que ento desesperadamente estremecia. Face de mulher de uma rara formosura, disse-o eu, e no me engano: esse contorno doce de oval, de urizanegao, de pevide de melo, to querido em esttica japonesa; os bastos cabelos negros flutuando em coma; a tez de jaspe; os olhinhos de veludo; a boquinha escarlate. Mas chorava, a sereia, em contraces de angstia; chorava certamente pela dor, pois lhe rasgava a carne o traioeiro anzol; e ainda mais talvez pela vergonha de ver-se assim arrebatada do seu meio habitual, expiando um pecado de lambarice, indefesa, nua diante de um estrangeiro!... B"K   `           `      `       <  @ A# " B" A# " B" A#gn?" O pescador porm era de uma ndole bondosa, como ficou notado um pouco atrs; e vai-se agora ver como o provou. Compreende-se, claro, o seu primeiro espanto: o homem punha as mos sobre a cabea, a esbugalhar os olhos, e gaguejava no sei que exclamaes... Pudera no! Acalmado, sacou cautelosamente o anzol da bela face em sangue; e tomando nas mos o estranho ser, ps-se a cismar maduramente sobre o caso. Ora, ia pensando, se ele fosse correr as feiras todas, as festas dos mil e mil templos do pas; e alinhando a sua barraca com as outras, onde se exibem salamandras, crocodilos, crianas sem ps e sem mos, ces sbios e muitas outras coisas, que abundantssima chuva de sapecas lhe no cairia em cima, quer dizer, dentro das mangas do quimono!... Meus senhores, entrem todos! Quem no tem cabea, no paga nada! Ora aqui est uma sereia autntica..., e j ia estudando o discurso que faria, soberbo, dominador, impondo-se plebe embasbacada. Ou ento, outra ideia: se ele comesse a carne da sereia, cozinhadinha, feita em postas...e sabem todos que a carne da sereia tem a virtude de conservar perptuas a vida e a juventude a quem dela provou... Mas a sua ndole bondosa revoltou-se afinal contra a lembrana de reter numa tina, em exposio, ou pior ainda, de levar degola aquele pobre bicho, que sobre a suas mos se lamentava e desfazia em prantos, como se fora uma pessoa; contemplou-o ainda, longamente; e com um nobre gesto e decidido esforo, atirou a sereia s vagas, donde viera, e onde mergulhou e desapareceu sem mais cerimnias, aps um acenar de rabo, que poderia ser um adeus, um adeus e um agradecimento. B"  ` < `             `  <       <     ` <  `     `                    `    A#T.5 " O nosso pescador voltou sua faina. Consta que, naquele dia memorvel, o cabaz se lhe encheu de uma espantosa quantidade de tudo que o mar d. tarde, tornando a casa ajoujado com a carga, bailava-lhe nos lbios um sorriso, que provinha da boa pesca que fizera, e tambm da boa aco que praticara. B"   <        A# " B" A# " B" A#B " Quando pela noite, na cozinha, mangas do quimono arregaadas at acima dos sovacos, avental sobre as pernas, selha ao lado, se dispunha a preparar a sua ceia, ouviu que de fora, e junto porta, uma falinha mansa lhe ia dizendo: B"         A#fv}" -D licena! d licena?...-Corre o homem a abrir a corredia, ainda com a faca da cozinha, e um carapau na dextra adunca; e luz frouxa de um luar de quarto minguante, pde distinguir um vulto de mulher em nada extraordinrio, porm doce e corts, que lhe confessou ser uma viajante extraviada no caminho, sem casa e sem abrigo, e lhe pedia poisada s para aquela noite. B"&   <  `       `   A#F " -Entre depressa, menina , acode-lhe o sujeito , e venha partilhar do pouco que aqui tenho. -Ento, dando-lhe entrada, conduzindo-a ao aposento das visitas, f-la descansar sobre a esteira, e junto do braseiro, foi-lhe servido o ch tradicional. B" `   `     A# " -Muito obrigada. B"d A#)" O homem rogou-lhe seguidamente que esperasse pela ceia, uma ceia de peixe por sinal, que ele ia amanhar sem perda de um minuto. B" d    ` A#" -Permite-me que eu ganhe o direito ao meu quinho, ajudando-o nessa lida? -Disse que no redondamente, que nunca consentiria que os seus hspedes trabalhassem na cozinha. Em rplicas e trplicas, a rapariga assegurou-lhe que passara a vida toda, alm, da banda do oceano (talvez filha de gente embarcadia? pescadora?) e que ela conhecia as melhores receitas de cozinhar o peixe, no que at muitas vezes, por passatempo, se ocupava; e tanto ela teimou, sabem todos o que so teimas de mulheres, que sempre foi levando a sua avante. B"2 <    `                A#KR" O que certo, que nunca o pobre solteiro se lambera com to deliciosas petisqueiras. Comeu a sua dose, repetiu, pediu terceira vez; e dizia, a chuchar ainda as cabeas dos ruivos, que a pena que lhe ficava, era de no lhe ser servida uma ceia igual, todas as noites. A companheira observou ento modestamente, a meias falas, que lhe parecia no ir alm dos seus poderes, um tal desejo; e instada a explicar melhor a sua frase, acrescentou que era solteira, sem parentes, sem lar... Compreendida finalmente, o remate de to feliz encontro foi ela consentir em ser esposa do sujeito. B"7             `    `   `  A#(/" Antes, porm, imps as suas condies. B"   A#z" -Danna, meu dono, eu tenho, como disse, passado a vida pelo mar, e no posso prescindir do meu banho de gua salgada ao menos uma vez cada semana; consente-me isto? Ele acenou que sim. -E jura-me -agora vo ouvir os pudores da pequerrucha... -que me deixar banhar em paz, sem seguir-me, e sem sequer espreitar-me? -Ele jurou que sim; e deu-se por feliz (j se ia babando pela moa, o magano!) de, por to pouco preo, ver-se possuidor de tal tesoiro. B"+     `           @ A#bi" Casaram. Bodas de estrondo; e viveram ditosos durante longos meses. O peixe, o prato querido dos Nipnicos, foi sempre excelentemente preparado pela esposa, activa, inteligente, a rir-se sempre. O pargo, em fatias cruas regadas com molhos excitantes, era divino! As enguias com arroz, uma delcia! O caldinho de amijoas, superfino! As trutas assadas sobre o lume, sem igual! E at uma certa caldeirada, assim como quem diz moda do Algarve, era de estalo, sem favor! E o marido tornava-se anafado e luzidio, a testemunhar a toda a gente, pelo volume e pelas banhas, que algum olhava por ele com desvelo... B": < `      `    <            A# " B" A# " B" A#,3" Mas o banho? Melhor fora no falarmos neleB"  A#" Ai que pndega que era esse tal banho!...Ela passava a manh inteira preparando-o, afinando o apetite, podia-se dizer; e no banho se quedava horas esquecidas, pela tarde. Depois, ajoelhada sobre a esteira, espelhinho em frente, e em torno os cofrezinhos misteriosos, era a interminvel tarefa de fazer-se bela, ora branqueando as faces, ora avermelhando os lbios, ora compondo o penteado. O esposo chegara mesmo a esta concluso no muito lisonjeira: que a companheira mais queria gua salgada do que a ele; mas perdoava-lhe, outros h que bem menos inocentes caprichos vo perdoando... e nunca a sombra sequer de um arrependimento viera turvar a paz do seu viver. B"A          `          < <     A#$ov" Uma bela tarde -tarde de banho por sinal chegou o homem a casa, e, como se diz em portugus... cheio de fome. B" ` `  `  A#PW" -Tardar muito para a ceia? -resmungava. -Ir o banho em meio ou em princpio? B"   A#" A esposa, claro, achava-se invisvel, e com a portinha fechada a sete chaves; mas casas japonesas so casas de papel, e uma fenda, um rasgo, convida-nos a enfiar os olhos para dentro. O caso que ele espreitou. Surpresa! Horror!... No uma mulher, mas uma sereia, que se banhava, melhor dizendo, que nadava, em demoradas circunvolues de regalo ao longo da tina, agitando mansamente o rabo e as barbatanas, e cantarolando baixinho canes do mar, canes das praias...B"-           <  `   `  A# " Pobre marido! B" A#ery" -Ah! canta-me assim -exclamou ele , canta-me assim, grande mostrengo!... Agora percebo eu as tuas habilidades em lidar com peixes, lidas com os teus parentes, grande mostrengo!... Melhor fora, sem dvida, que eu nunca te conhecesse em tal estado, em tal nudez; mas, feito o mal, quer-me parecer que nunca mais poderei tragar com apetite os teus guisados, intrujona... B"#     `      <   A#6" A porta, abriu-se ento e apareceu a esposa. Chorava, caam-lhe as lgrimas a punhos; chorava, mas digna, resignada, lia-se-lhe no olhar uma resoluo fatal. Falou assim, ajoelhando: B"  <  `   A#" -Danna, meu dono, foi a sua benevolncia para mim, um dia, extrema, tirando-me das guas, podendo fazer da minha vida o que quisesse, e salvando-me. Trouxe-me aqui um dever de gratido: julguei com a minha presena poder amenizar a sua soledade, servindo-o como escrava. Deu-me o nome de esposa. A minha gratido ser eterna. No entretanto, acabando de ver-me assim na minha forma verdadeira, um bicho, um monstro que mete medo a toda a gente, compreendo que a misso que tomei chegou ao termo. Estala-me o corao, mas pouco importa!...Danna, meu dono, adeus. Do cu lhe chovam benos... E correu para a praia e desapareceu nas ondas.B"<        ` `     `          h A#<" Pobre marido!... Por um acto impensado, perdeu para sempre uma companheira carinhosa; e, como das npcias com a sereia lhe resultava o dom de longa vida, foi longa a sua viuvez, e longo o seu martrio... B"       A#" A fbula, segundo observa, e com critrio, o autor japons que consultei a tal respeito, oferece duas lies de alta moral. Uma esta: a mulher que pretenda conservar um bom marido, deve cativ-lo pela barriga, isto , pelo esmero do seu repasto; parecendo averiguado que o estmago o rgo mais sensvel, e porventura o mais grato, do homem, o rei da criao. A outra lio a seguinte: o marido que deseje manter a harmonia do seu lar, nunca interfira na toilette ntima da consorte; porque, isto de damas -com sua licena -todas l tm o seu rabo, ou escama, ou barbatana, coisa enfim que melhor no seja conhecida, em proveito dos dois, e em conformidade com o cdigo indito do amor, captulo Iluses, artigoesqueceu-me agora o artigo, meus senhores.B"F                            D A#  " 1899.B" A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A# " O PESCADOR URASHIMAB" A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A# " B" A# " A Joaquim CostaB" A# " B" A# " B" A#S,3 " Viveu em remotos tempos, num lugarejo da costa do Japo, Urashima, um moo pescador. Deste simples, pouco ia tagarelando a vizinhana: que tinha um corao propenso ao bem, e que em destreza ningum o igualava, tratando-se de artes de linhas e de anzis; nada mais, mas j no era pequeno o elogio. B"   <     < `   h A#W9@ " Ora, um belo dia, saiu ele a pescar, sozinho no seu barco. E que pescou Urashima dessa feita? Oh! a sorte sorria-lhe em tal hora ...pescou uma enorme tartaruga, com a casca espessa e dura, a cabecita rugosa, denunciando assim a grande vetustez; notrio que as tartarugas vivem muito; vivem mil anos, no Japo. B"         <   A#" Era um opparo jantar que o acaso oferecia ao pobre pescador, pouco mimoso de acepipes; jantar, ceia e almoo, e mais ainda, fora os lucros que a casca lhe trouxesse, mas o moo ps-se a cismar na crueldade que ia cometer, roubando assim talvez longos sculos de vida quele bruto, fadado pela sorte ao gozo da existncia, durante geraes e geraes da tribo humana; e lembrou-se da me, da santa velha que tantas vezes lhe ensinava a ser caritativo com os brutos indefesos... certo que as mos abandonaram a presa, num largo gesto de bondade; e a tartaruga, volvendo gua sem se fazer rogada, lpida mergulhou no azul e se safou das vistas.B"< <  `     <                 A#?F" Fazia ento tanto calor!... Era um desses dias abrasadores de Agosto, embebidos de paz, de luz, de trpidos aflvios. Alm, a aldeia quedava-se na sesta, amodorrava, jazia em aniquilamento absoluto; apenas, sobre as rvores, cantavam as cigarras, doidas de cio, estonteadas... Interrompera-se nos campos a faina da lavoira; nas choas escancaradas, patenteavam-se os corpos nus, estendidos em repoiso, adormecidos, banhados em suor. E Urashima, no seu barco, vencido tambm pelos ardores daquela hora, largou das mos os remos e as linhas, encostou-se bancada e adormeceu.B"7       <                A#" Entretanto, eis que surge das guas um vulto feminino, encantador. O episdio, que a tradio do povo foi retendo at aos nossos dias, pode agora reconstituir-se em pensamento. Sobre o convs do esquife, poisa esse vulto, essa fada adorvel de feitios, envolta em roupas carmesins, solto o cabelo s brisas e coroada a fronte com o diadema de oiro, que apangio das princesas; estende o brao de neve para o adormecido, toca-lhe na fronte com as pontas dos dedos delicados, e diz-lhe de manso estas palavras: B"0 `    `       ` <   `   A# " -Acorda, Urashima, escuta-me; eu vou contar-te quem eu sou; sou a filha do deus do oceano imenso, habito com meu pai o palcio do drago, no seio das ondas; a tartaruga, que ainda h pouco colheste e restituste liberdade, era eu prpria; meu pai imps-me um tal disfarce, para que assim pudesse estudar-te bem os sentimentos; por sua ordem e meu aprazimento pessoal, serei a tua esposa, se me quiseres; mil anos viveremos sempre juntos, sempre jovens, sempre felizes, no palcio do drago, sob o azul das guasB"-                  A#t" L seguem os dois pelo mar fora. Urashima empunha a esparrela da popa, maneja-a com denodo, d-lhe -pudera no! -foras hercleas a nsia de chegar; a princesa poisa no outro remo as mos franzinas, e vai sorrindo ao companheiro. E vo remando, e vo remando, sem que a fadiga os aquebrante, at que finalmente o barco alcana o porto desejado, e j de longe o palcio se desenha, em arcarias, em grimpas, em mirantes recortados. B"( `   `         ` `  A#U18 " Que encanto! que prodgio! nem mesmo a fantasia ousara imaginar tantos primores!...As paredes do palcio so de renda de coral; as rvores do jardim tm folhas, esmeraldas, e frutificam em prolas e rubis; as escamas dos peixes so de prata, os olhos de diamantes, as caudas dos drages, de oiro lavradoB"    <   <   `  A#@G" Ento, toda a bicharia do oceano acode praia, vestindo quimonos de cerimnia, e vm saudar os noivos viajantes. Aps os cumprimentos e os discursos laudatrios que prescreve a etiqueta em casos tais, a princesa, seguida do cortejo, entra no palcio; gorazes e toninhas seguram-lhe a cauda do vestido; poisa nas fofas esteiras, de uma meticulosa limpeza indescritvel, as plantas alvas dos seus pezinhos deliciosos; descansa num salo que mais lhe apraz, pela delcia dos adornos e pela paisagem que se avista, e a seu lado oferece um lugar ao companheiro. As tartarugas, os peixes, as lagostas, os drages, a turba enfim dos escravos jubilosos corre a prostrar-se em frente da princesa; e de joelhos, barbatanas erguidas em ofertrio, comea servindo em taas preciosas o branco arroz cozido, os licores, os frutos, os manjares. B"N                            `   A#" Urashima extasia-se diante do que seu, bem seu, pois que de sua esposa. Durante trs anos assim vivem, sempre juntos, sempre felizes, sem enfados, sem nuvens de tristeza no cu dos seus amores; ora na paz da esteira, no enlevo das mos que se entrelaam, dos olhos hmidos que se fitam, das palavras em segredo que se trocam, das almas enamoradas que se do; ora perscrutando os mistrios do oceano, em excurses pachorrentas pelas florestas das algas viajantes, por onde a vida aqutica, de plantas, de animais, se multiplica em maravilhas que a ningum dado conhecer; ora em longos passeios pelos jardins, onde as rvores no cessam de vestir-se de ramos de esmeraldas, vergando ao pendor das prolas e rubis. B"D   `   `            `     `  <  A# " B" A# " B" A#u" Trs anos decorridos. Um dia porm Urashima acerca-se da esposa e diz-lhe pouco mais ou menos o seguinte: que a adora e se sente ditoso, mas cresce-lhe o desejo de ir ver a sua aldeia, o velho pai, a doce me, os irmos, os antigos companheiros de trabalho; e promete voltar aps curta visita. Ento, pela primeira vez sem dvida, uma ligeira nuvem de tristeza, um vago pressentimento angustioso turvaram o olhar sereno da princesa. B"+       < <     d    h A#cjq" -Vai -diz-lhe , vai, Urashima, porque assim o desejas, embora bem me pese, pois imagino que vais expor-te a grandes riscos; leva contigo este pequeno cofre, que alguma coisa contm, que te pertence; sirva-te ele de lembrana de quem muito te quer; mas nunca o abrirs, pois se o fizesses, estarias perdido, e nunca mais voltarias a esta manso do nosso amor...B"# `     < `      < A##*" E partiu, e abordou o solo ptrioB"  A# " B" A# " B" A#$'" O que quer que era de bem estranho se passara durante a ausncia de Urashima. Aonde estava a sua aldeia? Aonde se erguia a cabana de seus pais? A mesma praia loira, os mesmos penedos carcomidos, os mesmos cerros sobrepondo-se, ali lhe apareciam, bem tais como os deixara, na fria impassibilidade das coisas imutveis; mas os povoados ofereciam outro aspecto, os campos outro amanho; mas as rvores, que lhe haviam dado abrigo e sombra, e de que to bem se recordava, erguiam apenas troncos secos, algumas, porque outras j nem mesmo existiam, e outras rvores medravam noutros stios, projectando outras sombras, frutificando em outros frutos. Aonde fora a sua aldeia, surgia agora um pinheiral. Reconheceu o mesmo arroio, que serpeava junto ao lar; e ainda agora a gua cristalina ia correndo, e sussurante, como dantes; mas agora deserto, faltando o grupo galhofeiro das musums que tinham por costume ir ali lavar a roupa, entre elas as suas trs irms, quimonos arregaados, pernas nuas, braos nus, lidando, palestrando e rindo umas com as outras.B"b     <    `          ` `  `                 h A#Y`" Ao longo do areal iam ento seguindo dois sujeitos. Urashima alcana-os e interpela-os: B"  <   A#QX" -Bons-dias; fazem favor de me dizer onde agora a casa da famlia de Urashima? B"   A#CJ" Pensaram, consultaram-se, coaram a cabea, buscando recordar-se. B"   A#o" -Urashima, Urashima... Urashima, o pescador? Tem graa tal pergunta: h j quatrocentos anos pelo menos, como contam, se afogou ele quando pescava no seu barco, pois nunca mais apareceu; o seu pai, a sua me, os seus irmos, os filhos dos seus irmos dormem todos alm no cemitrio, h muito tempo; a cabana que procura, apodreceu antes de nossos avs serem nascidos, nem o p dela sequer existe por aqui... B"&             <  A#18(" Ento, como um relmpago que acode subitamente pela noite, a iluminar a estrada, uma ideia acudiu de sbito ao pensamento de Urashima, a alumiar-lhe o esprito. Ele ali estava, volvido ptria, poisando os ps descalos no areal da sua querida aldeia, relanceando as curvas da paisagem em que por tantos anos a vista se poisara, e a recordao lhe gravara para sempre na memria. O palcio do deus do Mar, no abismo das ondas, com as suas paredes de renda de coral, com os seus pomares de folhas de esmeraldas e frutos de prolas e rubis, e os seus peixes de escamas prateadas e olhos de brilhantes, e os seus drages de caudas de oiro fino, no pertencia terra, era do mundo dos prodgios, regia-se pelas leis do encantamento; um dia, dos seus dias, valia por muitos anos, dos nossos anos; e assim, sem que Urashima o supusesse, sculos sobre sculos haviam passado sobre a terra, matando, destruindo, transformando, arrastando as coisas e os indivduos fatalidade dos destinos, ao aniquilamento, ao p, ao nada, surgindo das runas outros aspectos e outros seres...B"d         `               <   `   `    `  `  `   A#'." O antigo pescador sentiu o calafrio da sua soledade; e o disparate anacrnico da situao em que se via, incutiu-lhe no nimo no sei que horrvel opresso de angstia e de pavor. Ptria? Sim, a mesma areia inerte e os mesmos monstros de granito; mais nada. Aldeia, amigos, aspectos familiares da sua mocidade, nada havia; outras aldeias, outros aspectos, outra gente, e para esta o nome de Urashima entrava j na lenda. Em nada o cativava aquela terra. O anseio de fugir, de volver ao esplendor do seu palcio, acudiu-lhe ento, dominador; e a imagem das mil graas da princesa multiplicava-lhe o desejo de abandonar para sempre o solo onde nascera. Lanou um olhar de adeus ao cemitrio, esse no mesmo poiso ainda, mas mais vasto e mais povoado de fregueses; e ia partir, deixar em paz a aldeia morta... B"K  < <  `         <        `   `    @ A#:/" Antes porm lembrou-se de abrir o cofre que recebera da princesa. Porqu? Talvez leviandade, talvez mofino sestro, que tantas vezes guia o homem a seguir pelo caminho proibido... Do cofre aberto, que continha nada menos do que a essncia dos longos anos corridos, e ao mesmo tempo descontados na existncia de Urashima, escapou-se e pairou no espao uma ligeira nuvem esbranquiada. Chamado razo, ao sentimento da desobedincia em que incorrera, e ao medo de um desastre, Urashima correu sobre essa nuvem, desvairado, e bradou-lhe que parasse. Era tarde. De pronto, as prprias foras lhe faltaram, e a voz se lhe extinguiu; a nuvem envolvia-o; a nuvem transportava-o ao seu justo lugar nas pginas do tempo, fazia-o galgar de um pulo a grande barreira que o afastava dos seus contemporneos; as leis da terra tinham pressa em corrigir erro tamanho... Repentinamente, os cabelos, a barba, branquearam como linho, sulcou-se o rosto em rugas, estalou a pele do corpo, os ossos romperam para fora, as costas dobraram-se num arco, viu-se como um micrbio no sei quantas vezes secular, como um esqueleto em frias, fugido do sepulcro, faltou-lhe o ar, faltou-lhe a luz, morreu, caiu, desfez-se em p, desfez-se em nada... B"v  `         <  d ` <              d   `  <  `   ` `       A# " 1900. B" A# " B"