Title: A Chegada de Ulisses ao País dos Feaces
Author: Homero
CreationDate: Wed Jul 15 15:56:00 BST 2009
ModificationDate: Wed Mar 25 09:00:00 GMT 1970
Genre: 
Description: 
  A Chega­da de Uliss­es ao País dos Feaces, Can­to VI - Odis­seia

  Home­ro

  O Can­to VI da Odis­seia, aqui pub­li­ca­do, foi ex­traí­do do livro Hélade, An­tolo­gia da Cul­tura Gre­ga – or­ga­ni­za­da e traduzi­da do orig­inal pela Prof. Dr.ª Maria He­le­na da Rocha Pereira e ed­ita­da pe­lo In­sti­tu­to de Es­tu­dos Clás­si­cos da Fac­ul­dade de Le­tras da Uni­ver­si­dade de Coim­bra (6.ª edição, 1995), que gen­til­mente au­tor­izaram a sua pub­li­cação.

  © 1996, Par­que EX­PO 98. S.A.

  IS­BN 972-8127-34-0

  Lis­boa, Jul­ho de 1996

  Ver­são para dis­pos­itivos móveis: 

  2009, In­sti­tu­to Camões, I.P.

  ***

  A CHEGA­DA DE ULISS­ES

  AO PAÍS DOS FEACES

  O son­ho de Nausí­caa 

  As­sim adorme­ceu nesse lu­gar o di­vi­no Uliss­es, 

  que muito sofreu, ven­ci­do pe­lo sono e pela fadi­ga. 

  En­tre­tan­to Ate­na di­rigiu-​se ao po­vo e cidade dos Feaces, 

  que moraram out­ro­ra na vastidão da Hipéria, 

  per­to dos Ci­clopes, home­ns in­so­lentes, 

  que os saque­avam, e os su­per­avam em força. 

  Sain­do de lá, Nausí­too, semel­hante aos deuses, os lev­ou 

  [para Es­quéria, 

  onde se es­ta­bele­ce­ram, longe dos home­ns que bus­cam seu 

  [sus­ten­to. 

  Em vol­ta da cidade lançou uma mu­ral­ha, con­stru­iu casas, 

  erigiu tem­plos aos deuses, e repar­tiu as ter­ras. 

  Mas eis que ele, ven­ci­do pe­lo des­ti­no, cam­in­ha para o 

  [Hades. 

  Gov­er­na­va en­tão Al­cínoo, homem de pen­sa­men­tos 

  [di­vi­nos. 

  A casa dele se di­rigiu Ate­na, a deusa de ol­hos garços, 

  pre­ocu­pa­da com o re­gres­so do mag­nân­imo Uliss­es. 

  Dirige-​se para o tálamo fi­na­mente lavra­do, no qual 

  [re­pousa­va 

  a donzela de es­tatu­ra e beleza semel­hante à das deusas 

  [imor­tais, 

  Nausí­caa, a fil­ha do mag­nân­imo Al­cínoo. 

  Per­to dela, duas aias, pos­suido­ras da beleza das Graças, 

  guar­davam dos dois la­dos o lim­iar; fechadas es­tavam as 

  [por­tas pol­idas. 

  Tal uma brisa, ac­er­cou-​se do leito,

  colo­cou-​se so­bre a cabeça e di­rigiu-​lhe a palavra,

  toman­do a aparên­cia da jovem fil­ha de Di­mas, nave­gante 

  [ilus­tre. 

  a qual era da mes­ma idade, e por quem Nausí­caa tin­ha 

  [grande es­ti­ma. 

  Toman­do o seu as­pec­to, disse-​lhe Ate­na de ol­hos garços: 

  «Nausí­caa, co­mo pôde a tua mãe cri­ar-​te tão desleix­ada? 

  Tens para aí sem cuida­dos a tua roupa lus­trosa. 

  Es­tá próx­imo o teu casa­men­to. Deves en­tão ve­stir 

  be­los tra­jes e pro­por­cioná-​los àque­les que forem no teu 

  [corte­jo. 

  A boa fama de tu­do is­to corre já en­tre os home­ns,

  e re­goz­ijam-​se o pai e a mãe ven­eráv­el. 

  Va­mos lá en­tão lavar ao de­spon­tar da au­ro­ra! 

  Serei tua com­pan­heira, para an­dares mais de­pres­sa,

  pois pouco é já o tem­po que te res­ta para seres virgem. 

  So­lici­tam-​te já os mel­hores en­tre to­dos os Feaces. 

  E dess­es é tam­bém tua lin­hagem. 

  Va­mos, antes do romper de al­va, in­ci­ta o teu pai ilus­tre

  a man­dar-​te apar­el­har o car­ro e as mu­las, 

  para te levarem cin­tos, pe­plos e vestes bril­hantes. 

  E mes­mo para ti, será muito mais boni­to 

  ir as­sim do que a pé: os tan­ques fi­cam longe da cidade!» 

  (VI, 1-40) 

  O Olimpo 

  De­pois que as­sim falou, par­tiu Ate­na de ol­hos garços 

  para o Olimpo, onde se diz que fi­ca dos deuses a eter­na e 

  [se­gu­ra 

  man­são: não a abal­am os ven­tos, nem a humedece a 

  [