chu­va; 

  não se ac­er­ca dela a neve, mas um céu bril­hante 

  se abre sem nu­vens. Uma luz alvini­tente se der­ra­ma por 

  [cima. 

  Aí se deleitam to­do o tem­po os deuses bem-​aven­tu­ra­dos. 

  Para lá se re­tirou Ate­na, de­pois de falar à donzela. 

  (VI, 41-47) 

  Ocu­pações dos reis dos Feaces 

  Lo­go surgiu a Au­ro­ra do trono mag­ní­fi­co, que veio 

  [acor­dar 

  Nausí­caa, a dos pe­plos for­mosos. Ad­mi­ra­da com o son­ho 

  [que tivera, 

  atrav­es­sa o palá­cio, para ir con­tá-​lo aos seus 

  [pro­gen­itores, 

  ao pai queri­do e à mãe. En­con­trou-​os a am­bos den­tro de 

  [casa 

  -a mãe sen­ta­da jun­to ao lar, com suas aias, 

  a fi­ar a lã cor da púr­pu­ra mar­in­ha; ao pai, en­con­trou-​o 

  quan­do ia a sair a por­ta, jun­ta­mente com os ín­cli­tos reis, 

  a cam­in­ho do con­sel­ho, ao qual o con­vo­cavam os ilus­tres 

  [Feaces. 

  (VI, 48-55) 

  Nausí­caa pede um car­ro a seu pai 

  Paran­do jun­to dele, di­rigiu-​se ao pai ama­do: 

  «Pa­pá queri­do, e se tu me man­dass­es apar­el­har um car­ro, 

  al­to e de be­las ro­das, para eu levar a roupa 

  ao rio, para lavar? Es­tá para aí tu­do su­jo. 

  E a ti tam­bém não te agra­da, quan­do vais para o 

  [con­sel­ho, 

  com os primeiros do reino, senão roupa imac­ula­da. 

  Cin­co fil­hos te nasce­ram no palá­cio, 

  dois já casa­dos, e três jovens flo­res­centes. 

  Ess­es querem sem­pre ter roupa lava­da, 

  para levarem para a dança. Tu­do is­so es­tá a meu car­go.» 

  As­sim falou. Pe­ja­va-​se de aludir às núp­cias ju­ve­nis, 

  di­ante do pai queri­do. Este perce­beu tu­do e re­spon­deu: 

  «Não te re­cu­so as mu­las, fil­ha, nem nen­hu­ma out­ra coisa. 

  Vai. Os ser­vos vão já apar­el­har-​te um car­ro 

  al­to e de be­las ro­das, bem equipa­do por cima.» 

  (VI, 56-70)

  Prepar­ativos para a par­ti­da 

  De­pois de as­sim falar, chamou os es­cravos, que lo­go 

  [obe­de­ce­ram.

  Prepararam cá fo­ra um car­ro de mu­las, com be­las ro­das, 

  troux­er­am os an­imais e atre­laram-​nos ao veícu­lo. 

  A donzela trouxe dos seus aposen­tos as vestes bril­hantes 

  e colo­cou-​as em cima do car­ro lavra­do. 

  A mãe pôs-​lhe nu­ma ces­ta a co­mi­da aprazív­el 

  e vari­ada, man­jares e vin­ho deita­do num odre 

  de pele de cabra. Já a donzela subi­ra para o car­ro, 

  e ela ain­da lhe en­tre­gou num léc­ito de ouro o húmi­do 

  [azeite,

  para com ele se un­gir, bem co­mo as mul­heres, suas aias. 

  Nausí­caa pe­gou no chicote e nas rédeas bril­hantes, 

  e deu uma chico­ta­da, para faz­er an­dar as mu­las. Ou­viu-​se 

  [um tro­pel 

  e lá seguiram sem de­tença, levan­do-​a, à roupa e a ela 

  -mas não só, que a acom­pan­havam tam­bém suas aias. 

  (VI, 71-84)

  À beira-​rio 

  Quan­do chegaram à cor­rente límp­ida do rio, 

  lá es­tavam os tan­ques cheios, com a bela água a jor­ros, 

  para lavar a roupa, por mais su­ja que ela fos­se. 

  De­satre­laram en­tão as mu­las do seu car­ro 

  e levaram-​nas ao lon­go do torvelin­ho do rio, 

  para pastarem a gra­ma doce co­mo mel. As mul­heres, por 

  [suas mãos, 

  tiraram as vestes do car­ro, ati­ram-​nas à água som­bria, 

  batem-​nas so­bre os bu­ra­cos com presteza e à com­pi­ta. 

  As­sim que elas lavaram e limparam to­do o su­jo, 

  es­ten­der­am a roupa ao lon­go da pra­ia, onde o mar 

  vin­ha a miúde à ter­ra firme mol­har os seix­in­hos. 

  Ban­haram-​se e com óleo se un­gi­ram. De­pois, 

  com­er­am a meren­da jun­to das mar­gens do rio, 

  deixan­do a roupa a se­car ao sol que bril­ha­va. 

  As­sim que a donzela e as aias f