iqueza de seus dons, e te levar para sua casa! 

  Ja­mais pus os ol­hos num mor­tal co­mo tu, 

  fos­se ele homem ou mul­her! A tua vista in­funde-​me 

  [ven­er­ação. 

  Con­heci out­ro­ra em De­los, jun­to do al­tar de Apo­lo, uma 

  [beleza as­sim: 

  um reben­to de palmeira que se er­guia nos ares. 

  Pois tam­bém já lá es­tive. Seguiam-​me muitos home­ns 

  pe­lo cam­in­ho, que havia de ser a min­ha perdição. 

  As­sim co­mo ale­grei o meu coração ao con­tem­plá-​lo 

  por lon­go tem­po, pois nun­ca lenho tão for­moso saíra do 

  [so­lo, 

  as­sim eu te ad­miro, mul­her, e me deslum­bro; mas forte é 

  [o meu temor 

  de to­car nos teus joel­hos. Grande é a aflição que me 

  [in­vade! 

  Só on­tem es­capei do mar cor de vin­ho, pas­sa­dos vinte 

  [dias.

  Tal foi o tem­po que as on­das e pro­ce­las vi­olen­tas me 

  [ar­ras­taram 

  para longe da il­ha de Ogí­gia. E ago­ra uma di­vin­dade me 

  [atirou para aqui 

  para eu sofr­er mais al­gu­ma des­graça. Pois não creio 

  que ela cesse. E quan­tas ain­da me des­ti­nam os deuses! 

  Amer­ceia-​te de mim, prince­sa! De­pois de muito sofr­er, 

  a ti vim primeiro! Não con­heço nen­hum dos out­ros 

  [home­ns, 

  que habitam este país e es­ta ter­ra. 

  En­si­na-​me onde é a cidade, dá-​me uns far­ra­pos para eu 

  [ve­stir, 

  se tens por aí o pano com que se fez a trouxa, ao vir para 

  [aqui. 

  Que os deuses te con­cedam quan­to o teu coração de­se­ja, 

  um mari­do e um lar, e uma bela con­cór­dia! 

  Não há na­da mel­hor nem mais ex­ce­lente 

  do que haver um lar onde mari­do e mul­her

  têm os mes­mos pen­sa­men­tos! É o des­gos­to dos in­imi­gos, 

  a fe­li­ci­dade dos ami­gos, e de­les mais que ninguém.» 

  Por sua vez, repli­cou-​lhe Nausí­caa de alvos braços: 

  «Es­trangeiro, tu que não pare­ces mau nem in­sen­sato, 

  bem sabes que Zeus Olímpi­co reparte a fe­li­ci­dade en­tre os 

  [home­ns 

  bons e maus, dan­do a ca­da um o que lhe apraz. 

  A ti deu-​te es­sa des­graça: força é que a su­portes. 

  E ago­ra que chegaste à nos­sa cidade e à nos­sa ter­ra, 

  não care­cerás de roupa nem de mais coisa nen­hu­ma, 

  que deve dar-​se ao po­bre su­pli­cante que nos en­con­tra. 

  Eu te in­di­carei a cidade, e te di­rei o nome do po­vo; 

  São os Feaces que pos­suem es­ta cidade e es­ta ter­ra. 

  Eu sou a fil­ha do mag­nân­imo A1cínoo, 

  que de­tém o poder e a força en­tre os Feaces.» 

  Di­to is­to, deu or­dens às aias de be­las tranças: 

  «Parem, ra­pari­gas! Para onde ides, só porque vistes um 

  [homem?

  Supon­des que será um dos nos­sos in­imi­gos? 

  Não há, nem haverá mor­tal tão temeroso 

  que con­si­ga apor­tar à ter­ra dos Feaces, 

  para lh­es traz­er a ruí­na! Prezam-​nos os imor­tais! 

  Vive­mos muito longe, no mar var­ri­do pelas on­das, 

  a tal dis­tân­cia que nen­hum dos mor­tais con­vive 

  [connosco. 

  O homem que aqui es­tá é um in­fe­liz que an­dou er­rante, 

  [no mar, 

  de que ago­ra de­ve­mos cuidar, pois são to­dos man­da­dos 

  [por Zeus, 

  hós­pedes ou mendi­gos. A dá­di­va é pe­que­na, mas 

  [es­ti­ma­da. 

  Va­mos, ra­pari­gas! Dai de com­er e de be­ber a este 

  [es­trangeiro, 

  e ban­hai-​o no rio, onde é mais abri­ga­do do ven­to.» 

  As­sim falou. As aias de­tiver­am-​se. Umas às out­ras 

  se ex­or­taram e in­sta­laram Uliss­es ao abri­go do ven­to,

  con­forme man­dara Nausí­caa, fil­ha do mag­nân­imo 

  [Al­cínoo. 

  Per­to dele pousaram um man­to e uma túni­ca, para se 

  [ve­stir, 

  e de­ram-​lhe o líqui­do óleo num léc­ito de ouro. 

  Levaram-​