r, e as tru­tas a gostarem de car­ra­pat­in­hos e de bal­bore­tas e de to­da a bicharia as­sim. 

  Toman­do to­do o oure­lo, pois com tru­tas to­do o oure­lo é pouco, a ar­mar a mosca num an­zol maior e re­força­do, um an­zol de bar­bo, e no­vo, de farpa bem re­vi­ra­da. E a ar­rochar antes a sediela com um nó que apren­dera do pai e que mais ninguém sabia dar. Lo­go, à vista do Poço Mau.

  Aque­le grande ma­lan­dro do moleiro que des­fiz­era dele, que se com­pro­me­tera a com­er crua a tru­ta grande, com tri­pas e tu­do! Pois ain­da se ia ver! 

  A ol­har o Poço Mau, a es­tudá-​lo, a es­tu­dar ár­vores e som­bras... A es­tu­dar tu­do, a car­val­heira rente à bor­da e que bo­ta­va uma grossura de­scon­forme: nem meia dúzia de home­ns a abraçari­am…

  Sim…Pois...Chegar-​se ao Poço Mau a cober­to dela... Seguin­do pela som­bra co­mo por uma pas­sadeira... 

  Já cal­cu­la­da a lin­ha necessária para al­cançar a out­ra beira, e lançar de es­guel­ha, de viés, tin­ha de ser... Ruim de lançar, mas que remé­dio! A pluma a cair seren­in­ha, co­mo as bal­bore­tas ator­doadas... 

  Lançou, de coração a ga­lope. A pluma a cair bem seren­in­ha, a dar duas voltas num rodopio que mal se perce­bia, e, nis­to, uma bo­car­ra a abrir a água, ele a dar a pan­ca­da bem a tem­po e na de­vi­da con­ta, muito doce, e na água um re­boliço, uma rev­olução! A tru­ta, a tru­ta grande, a dar umas pou­cas de ra­banadas e uns poucos de saltos, a sair a pino da água mais al­to que aí dois cô­va­dos, pouco menos, por fim a afun­dar, ca­da guina­da, ca­da fi­ada! E out­ra vez à tona, um sabre de cav­alar­ia a romper da água, a re­luzir co­mo um sabre! 

  Sua­va. Ele a suar e a tremerem-​lhe os joel­hos. Mas de mão firme, sem­pre a sen­tir a tru­ta, a não deixar que se metesse nal­gu­ma lo­ca, nal­gu­ma touça ou na fis­ga dal­gum fragão, porque, de­pois, boa noite! A tê-​la o mais que po­dia à mão tente e a deixá-​la ar­ran­car à von­tade, sem faz­er força, ou ela ar­reben­ta­va a lin­ha que, em­bo­ra de meia dúzia de c1inas de rabo de cav­alo en­trançadas, e er­am da égua do sen­hor cu­ra, não era para uma bicha daque­le feitio.

  Al­mas san­tas do Pur­gatório! A ape­gar-​se com as al­mas san­tas do Pur­gatório com a al­ma do pai, que, mes­mo no Pur­gatório, ou que nem já no Céu, não se de­via ter es­que­ci­do qual! -do que fos­se uma tru­ta grande en­gan­cha­da e aos sacões, a faz­er força que nem uma bur­ra. 

  Por que tem­pos as­sim a lu­tar com a bicha, sem se dar con­ta, mas nun­ca por menos de meia ho­ra, e para ri­ba: ui, para ri­ba. Até que sem a sen­tir... Ai, a grande fil­ha da pu­ta, que se lhe soltara do an­zol! Ai, a grande fil­ha da pu­ta! 

  E não. Cansa­da. Cansara-​a. Um pe­so na lin­ha, a recol­her a lin­ha com to­do o jeito, não fos­se ela ain­da ar­mar forças para um ar­ran­co mais, e lá se lhe ia em­bo­ra a grande fil­ha da pu­ta. 

  A bicha, ao fim, a apare­cer, a re­vi­rar a bar­ri­ga: uma bar­ri­ga mais bran­ca, ain­da mais que o lu­ar.

  De­via es­tar bem fer­ra­da, fer­ra­da no céu da bo­ca, não na bar­bela, por sorte, porque en­tão se teria ar­reben­ta­do a bar­bela, mas ele a cal­cu­lar para onde a ar­ras­taria, para uma en­tra­da de areia, mes­mo ao rés do Poço Mau, sem pre­cisão de a sus­pender. 

  Quan­do a viu bem no seco e lhe botou as mãos, a cal­cá-​la con­tra a areia, a em­brul­há-​la em areia, para não lhe es­cor­re­gar! E quan­do a viu nu­ma es­cocha de amieiro, en­fi­ada pela guel­ra, porque não cabia no cacifro, qual caber, que nem metade! 

  A sua hon­ra de truteiro, ofen­di­da... Pois, ago­ra, a ver se o out­ro co­mia crua e com tri­pas e tu­do a tru­ta grande! Havia de comê-​la! 

  Cam­in­ho fo­ra, tu­pa-​que-​tu­pa, só qu