ou a avis­tar aqui e além mais caras solitárias e afli­tas. Er­am quasi to­das gente po­bre ou mod­es­ta com ar cansa­do e tres­mal­ha­do de quem teme tu­do e não re­con­hece na­da à sua vol­ta. Mas não era só gente po­bre ou mod­es­ta. En­costadas a uma das col­unas do pá­tio es­tavam duas mul­heres, uma de cer­ta idade, out­ra muito no­va. Ana viu co­mo am­bas er­am el­egantes e bem vesti­das. Não ri­am, não choravam nem falavam. Mas a cara de­las pare­cia de pe­dra e mostra­va a mes­ma angús­tia, a mes­ma aflição. Pouco de­pois Ana avis­tou en­costa­do a out­ra col­una um ra­paz al­to, ma­gro, boni­to, tam­bém ele bem-​vesti­do mas a sua cara es­ta­va ten­sa de tor­men­to e ele pare­cia só co­mo no fim do mun­do. 

  De súbito Ana sen­tiu-​se to­dos aque­les afli­tos, os po­bres, os re­me­di­ados e os ri­cos, sen­tiu-​se ela própria não só co­mo eles mas eles, sen­tiu-​se na pele de­les e na con­fusão e na solidão da sua mente. E com­preen­deu que não os po­dia aju­dar co­mo tam­bém não se po­dia aju­dar a si própria. En­tão pux­ou do bol­so da larga sa­ia pre­ta o seu terço. 

  -Tia, não es­te­ja nes­sa aflição -disse Cecília sentin­do co­mo Ana es­ta­va ag­ita­da. 

  -Há aqui muitos afli­tos -re­spon­deu Ana vou rezar por eles. Vai dar uma vol­ta. 

  -Vou ver se ve­jo as nos­sas teste­munhas. Ain­da não as avistá­mos -nem avistá­mos as nos­sas ami­gas, a De­olin­da, a In­ês do Bazar, a Joaquina que prom­eter­am vir as­si­stir para nos acom­pan­har. 

  -Vai mas não de­mor­es. Só o tem­po de eu rezar um terço. Vai ligeira. 

  Mal acabou de rezar Ana vi­rou-​se para o pá­tio a ver se Cecília já vin­ha vin­do. Mas de no­vo tu­do quan­to vi­ra lhe da­va uma sen­sação de mal-​es­tar e de es­tran­heza. 

  -Deus do Céu, por que vim eu me­ter-​me nis­to -pen­sou ela. 

  Mas lo­go Cecília surgiu com a In­ês do Bazar, a De­olin­da e a Joaquina. 

  -Ó sen­ho­ra Ana, a sua so­brin­ha diz que vo­ce­mecê es­tá de­san­ima­da. Ani­me-​se -ol­he que vai gan­har -disse De­olin­da abraçan­do-​a. 

  -Sei lá se vou -re­spon­deu. -Sin­to-​me aqui tão mal dis­pos­ta. Tu­do is­to me põe ton­ta. 

  Joaquina e Maria do Céu ten­taram an­imá-​la. Mas Ana era im­pa­ciente e vol­un­tar­iosa e es­tar naque­le lu­gar pare­cia-​lhe in­su­portáv­el. 

  Levan­tou-​se e pôs ter­mo às con­so­lações das ami­gas. 

  -Sin­to-​me aqui mal. Se me ve­jo daqui para fo­ra nem acred­ito. Por is­so vou-​me em­bo­ra. Fiquem vocês aqui com a Cecília para verem co­mo tu­do corre. Vocês são mais no­vas, têm mais ân­imo para es­tas coisas. 

  -Ó min­ha tia, sem­pre era mel­hor a sen­ho­ra es­tar pre­sente.

  -O ad­vo­ga­do disse que nem era pre­ciso eu vir. Por is­so vou-​me em­bo­ra. 

  -Mas co­mo é que há-​de ir as­sim soz­in­ha. A min­ha tia não con­hece estes sí­tios, não vai dar com a es­tação. 

  -Deixa es­tar que vou eu com ela. Eu con­heço estes sí­tios pal­mo a pal­mo. Ven­ho aqui to­dos os meses aviar-​me para a min­ha lo­ja atal­hou a Joaquina que tin­ha uma lo­ja de panos e fi­tas, botões, nas­tros, colchetes, ag­ul­has, lin­has e dedais. 

  -En­tão va­mos já -disse Ana. 

  Mas antes de ter da­do três pas­sos, parou, vi­rou-​se para trás e per­gun­tou: 

  -Vocês vi­ram o Tomé e o João? Eles são as min­has teste­munhas, já de­vi­am aqui es­tar. 

  -Quan­do chegá­mos já eles cá es­tavam. Tin­ham vin­do duas ho­ras adi­antadas com me­do de qual­quer atra­so, mas de­pois sumi­ram. 

  -Bem, de­vem es­tar a apare­cer. Mas eu quero é ir-​me em­bo­ra de­pres­sa. Digam-​lh­es que tive pe­na de não os ver, mas que aman­hã os irei procu­rar. 

  -Nós dize­mos -re­spon­der­am Cecília e as duas ami­g