 de ce­dros, car­val­hos e pin­heiros man­sos e bravos, de que muitos navios se provêem de ver­gas, mas­tros, tabua­do e out­ras madeiras, sem lh­es custarem na­da. Surgin­do An­tónio de Faria nes­tas il­has uma quar­ta-​feira pela man­hã, Mem Tabor­da e An­tónio An­riquez lhe pedi­ram li­cença para irem adi­ante dar reca­do à povoação de co­mo ele era chega­do, e saber as no­vas que havia na ter­ra, e se se dizia ou soa­va por lá al­gu­ma coisa do que ele fiz­era em Nou­day, porque se a sua ida lá prej­udi­cas­se em al­gu­ma coisa a se­gu­rança e qui­etação dos por­tugue­ses, se iria in­vernar à il­ha de Pu­lo Hin­hor, co­mo lev­ava de­ter­mi­na­do; e que de tu­do o man­dari­am avis­ar com mui­ta bre­vi­dade, ao que ele re­spon­deu que lhe pare­cia muito bem e lh­es deu a li­cença que pe­di­am, e es­creveu tam­bém por eles al­gu­mas car­tas aos mais hon­ra­dos que en­tão gov­er­navam a ter­ra, em que lh­es da­va re­lação de to­do o suces­so da vi­agem, e lh­es pe­dia por mer­cê que o quisessem acon­sel­har, e lhe man­dassem o que que­ri­am que fizesse, porque ele es­ta­va muito prestes para lh­es obe­de­cer em tu­do, e out­ras palavras a este mo­do, que sem nen­hum cus­to re­sul­tam às vezes em muito proveito. An­tónio An­riquez e Mem Tabor­da se par­ti­ram aque­le mes­mo dia à tarde, e An­tónio de Faria se deixou ali ficar sur­to até ver que reca­do lhe man­davam. Chega­dos os dois à povoação, já com duas ho­ras de noite, lo­go que a gente dela os viu e soube de­les as no­vas que trazi­am e to­do o suces­so da sua vi­agem, ficaram tão es­pan­ta­dos quan­to a novi­dade do ca­so o re­que­ria, e jun­tan­do-​se a som de sino tangi­do na igre­ja de Nos­sa Sen­ho­ra da Con­ceição, que era a ma­triz de seis ou sete que havia mais na ter­ra, trataram en­tre si so­bre o que aque­les dois home­ns tin­ham di­to; e ven­do a lib­er­al­idade que An­tónio de Faria us­ara com eles e com to­dos os mais que tin­ham sua parte no jun­co, as­sen­taram em lhe sat­is­faz­er em parte com mostras de amor e agradec­imen­to, o que por sua pou­ca pos­si­bil­idade em to­do não po­di­am; e re­spon­den­do-​lhe às suas car­tas com uma ger­al, em que to­dos assi­naram co­mo con­sul­ta de câ­mara, lha man­daram com duas lanteas de muito re­fres­co, por um tal Jerón­imo do Rego, homem fi­dal­go e com cãs, e de muito saber e au­tori­dade, na qual lhe re­lataram com palavras de grande agradec­imen­to, a mui­ta obri­gação em que to­dos lhe es­tavam, tan­to pela mer­cê que lh­es fiz­era em lh­es livrar suas fazen­das das mãos dos in­imi­gos, co­mo pe­lo muito amor que lh­es mostrara na lib­er­al­idade que us­ara com eles, a qual es­per­avam que Deus Nos­so Sen­hor lhe pa­garia com abun­dan­tís­si­mos bens na sua glória. E que quan­to a se temer de in­vernar ali pe­lo que fiz­era em Nou­day, es­tivesse nis­so muito des­cansa­do, porque não an­da­va a ter­ra ao pre­sente tão qui­eta que is­so se pudesse lem­brar, tan­to pela morte do rei da Chi­na co­mo pelas dis­sensões que havia em to­do o reino em treze opos­itores que pre­tendi­am o cep­tro dele, os quais to­dos es­tavam já pos­tos em ar­mas com seus exérci­tos em cam­po, para pela força averiguarem o que se não po­dia de­ter­mi­nar por justiça; e que o tutão Nay, que era a supre­ma pes­soa de­pois do rei em to­do o gov­er­no com mero e mís­ti­co im­pério da ma­jes­tade re­al, es­ta­va cer­ca­do na cidade de Quoan­sy, pe­lo Prechá Muão, im­per­ador dos conchins, em cu­jo fa­vor se tin­ha por cer­to que vin­ha o rei da Tartária, com um exérci­to de 900 mil home­ns; as­sim, que a coisa an­da­va tão bar­al­ha­da e di­vi­di­da en­tre eles, que ain­da que sua mer­cê as­so­lasse a cidade de Can­tão, se não faria ca­so dis­so, quan­to mais a cidade 