 a sábios cav­aleiros, 

  Dão-​os lo­go a avar­en­tos lison­jeiros. 

  25

  «Mas tu, de quem fi­cou tão mal pa­ga­do 

  Um tal vas­sa­lo, Ó Rei, só nis­to in­ico, 

  Se não és pera dar-​lhe hon­roso es­ta­do, 

  É ele pera dar-​te um Reino ri­co. 

  En­quan­to for o mun­do rodea­do 

  Dos Apolí­neos raios, eu te fi­co 

  Que ele se­ja en­tre a gente ilus­tre e claro, 

  E tu nis­to cul­pa­do por avaro. 

  26

  «Mas eis out­ro (can­ta­va) in­ti­tu­la­do 

  Vem com nome re­al e traz con­si­go 

  O fil­ho, que no mar será ilustra­do, 

  Tan­to co­mo qual­quer Ro­mano anti­go. 

  Am­bos darão com braço forte, ar­ma­do, 

  A Quíloa fér­til, áspero cas­ti­go, 

  Fazen­do nela Rei leal e hu­mano, 

  Deita­do fo­ra o pér­fi­do tira­no. 

  27

  «Tam­bém farão Mom­baça, que se ar­reia 

  De casas sump­tu­osas e ed­ifí­cios, 

  Co fer­ro e fo­go seu queima­da e feia, 

  Em pa­go dos pas­sa­dos male­fí­cios. 

  De­spois, na cos­ta da Ín­dia, an­dan­do cheia 

  De lenhos in­imi­gos e ar­ti­fi­cios 

  Con­tra os Lu­sos, com ve­las e com re­mos 

  O mance­bo Lourenço fará ex­tremos.

  28 

  «Das grandes naus do Samor­im po­tente, 

  Que encherão to­do o mar, co a fér­rea pela, 

  Que sai com tro­vão do co­bre ar­dente, 

  Fará pedaços leme, mas­to, vela. 

  De­spois, lançan­do arpéus ou­sada­mente 

  Na cap­itaina imi­ga, den­tro nela 

  Saltan­do o fará só com lança e es­pa­da 

  De qua­tro­cen­tos Mouros de­spe­ja­da. 

  29

  «Mas de Deus a es­con­di­da providên­cia 

  (Que ela só sabe o bem de que se serve) 

  O porá onde es­forço nem prudên­cia 

  Poderá haver que a vi­da lhe re­serve. 

  Em Chaúl, onde em sangue e re­sistên­cia 

  O mar to­do com fo­go e fer­ro ferve, 

  Lhe farão que com vi­da se não sa­ia 

  As ar­madas de Egip­to e de Cam­ba­ia. 

  30 

  «Ali o poder de muitos in­imi­gos 

  (Que o grande es­forço só com força rende), 

  Os ven­tos que fal­taram, e os peri­gos 

  Do mar, que sobe­jaram, tu­do o ofende. 

  Aqui ressur­jam to­dos os Anti­gos, 

  A ver o no­bre ar­dor que aqui se aprende: 

  Out­ro Ce­va verão, que, es­pedaça­do, 

  Não sabe ser ren­di­do nem do­ma­do. 

  31 

  «Com to­da lia coxa fo­ra, que em pedaços 

  Lhe le­va um cego tiro que pas­sara, 

  Se serve in­da dos an­imosos braços 

  E do grão coração que lhe ficara. 

  Até que out­ro pelouro que­bra os laços 

  Com que co al­ma o cor­po se liara: 

  Ela, sol­ta, voou da prisão fo­ra 

  Onde súbito se acha vence­do­ra. 

  32 

  «Vai-​te, al­ma, em paz, da guer­ra tur­bu­len­ta, 

  Na qual tu mere­ces­te paz ser­ena! 

  Que o cor­po, que em pedaços se ap­re­sen­ta, 

  Quem o ger­ou, vin­gança já lhe or­de­na: 

  Que eu ouço re­tum­bar a grão tor­men­ta,

  Que vem já dar a du­ra e eter­na pe­na, 

  De es­peras, basilis­cos e tra­bu­cos, 

  A Cam­baicos cruéis e Mamelu­cos. 

  33 

  «Eis vem o pai, com ân­imo es­tu­pen­do, 

  Trazen­do fúria e má­goa por an­tol­hos, 

  Com que o pa­ter­no amor lhe es­tá moven­do 

  Fo­go no coração, água nos ol­hos. 

  A no­bre ira lhe vin­ha prom­etendo 

  Que o sangue fará dar pe­los gi­ol­hos 

  Nas in­imi­gas naus; sen­ti-​lo-​á o Ni­lo, 

  Podê-​lo-​á o In­do ver e o Gange ou­vi-​lo.

  34 

  «Qual o touro cioso, que se en­sa­ia 

  Pera a crua pele­ja, os cornos ten­ta 

  No tron­co dum car­val­ho ou al­ta fa­ia 

  E, o ar ferindo, as forças ex­per­imen­ta: 

  Tal, antes que no seio de Cam­ba­ia 

  En­tre Fran­cis­co ira­do, na op­ulen­ta 

  Cidade de Dab­ul a es­pa­da afia, 

  Abaxan­do-​lhe a túmi