 

  Mas com vir­tudes, cer­to, sin­gu­lares, 

  Vence os imi­gos d' al­ma to­dos sete; 

  De co­biça tri­un­fa e in­con­tinên­cia, 

  Que em tal idade é suma de ex­celên­cia. 

  56

  «Mas, de­spois que as Es­tre­las o chamarem, 

  Suced­erás, ó forte Mas­caren­has; 

  E, se in­jus­tos o man­do te tomarem, 

  Prome­to-​te que fama eter­na ten­has. 

  Pera teus in­imi­gos con­fes­sarem 

  Teu val­or al­to, o fa­do quer que ven­has 

  A man­dar, mais de pal­mas coroa­do, 

  Que de for­tu­na jus­ta acom­pan­hado. 

  57

  «No reino de Bin­tão, que tan­tos danos 

  Terá a Mala­ca muito tem­po feitos, 

  Num só dia as in­júrias de mil anos 

  Vin­garás, co val­or de ilus­tres peitos. 

  Tra­bal­hos e peri­gos inu­manos, 

  Abrol­hos férre­os mil, pas­sos es­tre­itos, 

  Tran­queiras, balu­artes, lanças, se­tas: 

  Tu­do fi­co que rompas e sometas. 

  58 

  «Mas na Ín­dia, co­biça e am­bição, 

  Que clara­mente põem aber­to o ros­to 

  Con­tra Deus e Justiça, te farão 

  Vi­tupério nen­hum, mas só des­gos­to. 

  Quem faz in­júria vil e sem razão, 

  Com forças e poder em que es­tá pos­to, 

  Não vence; que a vitória ver­dadeira 

  É saber ter justiça nua e in­teira. 

  59 

  «Mas, con­tu­do, não nego que Sam­paio 

  Será, no es­forço, ilus­tre e assi­nal­ado, 

  Mostran­do-​se no mar um fero raio, 

  Que de in­imi­gos mil verá coal­ha­do. 

  Em Ba­canor fará cru­el en­saio 

  No Mal­abar, pera que, ame­dronta­do 

  De­spois a ser ven­ci­do dele ven­ha 

  Cu­tiale, com quan­ta ar­ma­da ten­ha. 

  60 

  «E não menos de Dio a fera fro­ta, 

  Que Chaúl temerá, de grande e ou­sa­da, 

  Fará, co a vista só, per­di­da e ro­ta, 

  Por Heitor da Sil­veira e de­stroça­da; 

  Por Heitor Por­tuguês, de quem se no­ta 

  Que na cos­ta Cam­baica, sem­pre ar­ma­da, 

  Será aos Guzarates tan­to dano, 

  Quan­to já foi aos Gre­gos o Troiano. 

  61 

  «A Sam­paio fer­oz suced­erá 

  Cun­ha, que lon­go tem­po tem o leme: 

  De Chale as tor­res al­tas er­guerá, 

  En­quan­to Dio ilus­tre dele treme; 

  O forte Baçaim se lhe dará, 

  Não sem sangue, porém, que nele geme 

  Melique, porque à força só de es­pa­da 

  A tran­queira sober­ba vê toma­da. 

  62 

  «Trás este vem Noron­ha, cu­jo aus­pí­cio 

  De Dio os Rumes fer­os afu­gen­ta; 

  Dio, que o peito e béli­co ex­er­cí­cio 

  De An­tónio da Sil­veira bem sus­ten­ta. 

  Fará em Noron­ha a morte o us­ado ofí­cio, 

  Quan­do um teu ramo, ó Gama, se ex­pri­men­ta 

  No gov­er­no do Im­pério, cu­jo ze­lo 

  Com me­do o Roxo Mar fará amare­lo. 

  63 

  «Das mãos do teu Es­têvão vem tomar 

  As rédeas um, que já será ilustra­do 

  No Brasil, com vencer e cas­ti­gar 

  O pi­ra­ta Francês, ao mar us­ado. 

  De­spois, Capitão-​mor do Índi­co mar, 

  O muro de Damão, sober­bo e ar­ma­do, 

  Es­cala e primeiro en­tra a por­ta aber­ta, 

  Que fo­go e frechas mil terão cober­ta. 

  64 

  «A este o Rei Cam­baico sober­bís­si­mo 

  For­taleza dará na ri­ca Dio, 

  Por que con­tra o Mogor poderosís­si­mo 

  Lhe ajude a de­fend­er o sen­ho­rio. 

  De­spois irá com peito es­forçadís­si­mo 

  A tol­her que não passe o Rei gen­tio 

  De Cale­cu, que as­si com quan­tos veio 

  O fará re­ti­rar, de sangue cheio. 

  65 

  «De­stru­irá a cidade Re­pe­lim, 

  Pon­do o seu Rei, com muitos, em fugi­da; 

  E de­spois, jun­to ao Cabo Co­morim, 

  Ua façan­ha faz es­clare­ci­da: 

  A fro­ta prin­ci­pal do Samor­im, 

  Que de­stru­ir o mun­do não du­vi­da, 

  Vencerá co furor do fer­ro e fo­go; 

  Em si verá Beada