la o Már­cio jo­go. 

  66 

  «Ten­do as­si limpa a Ín­dia dos imi­gos, 

  Virá de­spois com cep­tro a gov­erná-​la 

  Sem que ache re­sistên­cia nem peri­gos, 

  Que to­dos tremem dele e nen­hum fala. 

  Só quis provar os ásper­os cas­ti­gos 

  Bat­icalá, que vi­ra já Beadala. 

  De sangue e cor­pos mor­tos fi­cou cheia 

  E de fo­go e tro­vões des­fei­ta e feia. 

  67 

  «Este será Mar­tin­ho, que de Marte 

  O nome tem co as obras deriva­do; 

  Tan­to em ar­mas ilus­tre em to­da parte, 

  Quan­to, em con­sel­ho, sábio e bem cuida­do. 

  Suced­er-​lhe-​á ali Cas­tro, que o es­tandarte 

  Por­tuguês terá sem­pre lev­an­ta­do, 

  Con­forme suces­sor ao suce­di­do, 

  Que um er­gue Dio, out­ro o de­fende er­gui­do. 

  68 

  «Per­sas fe­ro­ces, Abassis e Rumes, 

  Que trazi­do de Ro­ma o nome têm, 

  Vários de gestos, vários de cos­tumes 

  (Que mil nações ao cer­co feras vêm), 

  Farão dos Céus ao mun­do vãos queix­umes 

  Porque uns poucos a ter­ra lhe de­têm. 

  Em sangue Por­tuguês, ju­ram, de­scri­dos, 

  De ban­har os bigodes re­tor­ci­dos. 

  69 

  «Basilis­cos medonhos e liões, 

  Tra­bu­cos fer­os, mi­nas en­cober­tas, 

  Sus­ten­ta Mas­caren­has cos barões

   Que tão le­dos as mortes têm por cer­tas; 

  Até que, nas maiores opressões, 

  Cas­tro lib­er­ta­dor, fazen­do ofer­tas 

  Das vi­das de seus fil­hos, quer que fiquem 

  Com fama eter­na e a Deus se sac­ri­fiquem. 

  70 

  «Fer­nan­do, um de­les, ramo da al­ta pran­ta, 

  Onde o vi­olen­to fo­go, com ruí­do, 

  Em pedaços os muros no ar lev­an­ta, 

  Será ali ar­rebata­do e ao Céu subido. 

  Ál­varo, quan­do o In­ver­no o mun­do es­pan­ta 

  E tem o cam­in­ho húmi­do im­pe­di­do, 

  Abrindo-​o, vence as on­das e os peri­gos, 

  Os ven­tos e de­spois os in­imi­gos. 

  71 

  «Eis vem de­spois o pai, que as on­das cor­ta 

  Co restante da gente Lusi­tana, 

  E com força e saber, que mais im­por­ta, 

  Batal­ha dá fe­lice e sober­ana. 

  Uns, pare­des subindo, es­cusam por­ta; 

  Out­ros a abrem na fera es­quadra in­sana. 

  Feitos farão tão di­nos de memória 

  Que não caibam em ver­so ou larga história. 

  72 

  «Este, de­spois, em cam­po se ap­re­sen­ta, 

  Vence­dor forte e in­trépi­do, ao pos­sante 

  Rei de Cam­ba­ia e a vista lhe ame­drenta 

  Da fera mul­ti­dão quadrupedante. 

  Não menos suas ter­ras mal sus­ten­ta 

  O Hi­dal­cão, do braço tri­un­fante 

  Que cas­ti­gan­do vai Dab­ul na cos­ta; 

  Nem lhe es­capou Pondá, no sertão pos­ta. 

  73 

  «Estes e out­ros Barões, por várias partes, 

  Di­nos to­dos de fama e mar­avil­ha, 

  Fazen­do-​se na ter­ra bravos Martes, 

  Virão lo­grar os gos­tos des­ta Il­ha, 

  Var­ren­do tri­un­fantes es­tandartes 

  Pelas on­das que cor­ta a agu­da quil­ha; 

  E acharão es­tas Nin­fas e es­tas mesas, 

  Que glórias e hon­ras são de ár­duas em­pre­sas.»

  74 

  As­si can­ta­va a Nin­fa; e as out­ras to­das, 

  Com sonoroso aplau­so, vozes davam, 

  Com que fes­te­jam as ale­gres vo­das 

  Que com tan­to praz­er se cel­ebravam. 

  - «Por mais que da For­tu­na an­dem as ro­das 

  (Nua côn­sona voz to­das soavam), 

  Não vos hão-​de fal­tar, gente famosa, 

  Hon­ra, val­or e fama glo­riosa.»

  75 

  De­spois que a cor­po­ral ne­ces­si­dade 

  Se sat­is­fez do man­ti­men­to no­bre, 

  E na har­mo­nia e doce suavi­dade 

  Vi­ram os al­tos feitos que de­sco­bre, 

  Tétis, de graça or­na­da e gravi­dade, 

  Pera que com mais al­ta glória do­bre 

  As fes­tas deste ale­gre e claro dia, 

  Pera o fe­lice Gama as­si dizia: 
