o o nome seu; 

  Mas con­tra o fim fa­tal não há reparo. 

  Vê cá a cos­ta do mar, onde te deu 

  Melinde hos­pí­cio gasal­hoso e caro;

  Rap­to rio no­ta, que o ro­mance 

  Da ter­ra chama Obi; en­tre em Quil­mance.

  97 

  «O Cabo vê já Aró­ma­ta chama­do, 

  E ago­ra Guardafú, dos moradores, 

  Onde começa a bo­ca do afama­do 

  Mar Roxo, que do fun­do toma as cores; 

  Este co­mo lim­ite es­tá lança­do 

  Que di­vide Ásia de África; e as mil­hores 

  Povoações que a parte África tem 

  Maçuá são, Ar­quico e Suaquém. 

  98 

  «Vês o ex­tremo Suez, que antiga­mente 

  Dizem que foi dos Héroas a cidade 

  (Out­ros dizem que Ar­sí­noe), e ao pre­sente 

  Tem das fro­tas do Egip­to a potes­tade. 

  Ol­ha as águas nas quais abriu patente 

  Estra­da o grão Mousés na anti­ga idade. 

  Ásia começa aqui, que se ap­re­sen­ta 

  Em ter­ras grande, em reinos op­ulen­ta. 

  99 

  «Ol­ha o monte Sinai, que se en­no­brece 

  Co sepul­cro de San­ta Cate­ri­na; 

  Ol­ha Toro e Gidá, que lhe falece 

  Água das fontes, doce e cristali­na; 

  Ol­ha as por­tas do Es­tre­ito, que fenece 

  No reino da se­ca Ádem, que con­fi­na 

  Com a ser­ra d' Arzi­ra, pe­dra vi­va, 

  Onde chu­va dos céus se não deri­va.

  100 

  «Ol­ha as Arábias três, que tan­ta ter­ra 

  Tomam, to­das da gente va­ga e baça, 

  Donde vêm os cav­al­os pera a guer­ra, 

  Ligeiros e fe­ro­ces, de al­ta raça; 

  Ol­ha a cos­ta que corre, até que cer­ra 

  Out­ro Es­tre­ito de Pér­sia, e faz a traça

  O Cabo que co nome se apel­ida 

  Da cidade Far­taque, ali sabi­da. 

  101 

  «Ol­ha Dó­far, in­signe porque man­da 

  O mais cheiroso in­cen­so pera as aras; 

  Mas aten­ta: já cá destoutra ban­da 

  De Roçal­gate, e pra­ias sem­pre avaras, 

  Começa o reino Or­muz, que to­do se an­da 

  Pelas ribeiras que in­da serão claras 

  Quan­do as galés do Tur­co e fera ar­ma­da 

  Virem de Castel­bran­co nua a es­pa­da. 

  102 

  «Ol­ha o Cabo Asaboro, que chama­do 

  Ago­ra é Moçandão, dos nave­gantes; 

  Por aqui en­tra o la­go que é fecha­do 

  De Arábia e Pér­sias ter­ras abun­dantes. 

  Aten­ta a il­ha Barém, que o fun­do or­na­do 

  Tem das suas per­las ri­cas, e im­itantes 

  À cor da Au­ro­ra; e vê na água sal­ga­da 

  Ter o Tí­gris e Eu­frates ua en­tra­da. 

  103 

  «Ol­ha da grande Pér­sia o im­pério no­bre. 

  Sem­pre pos­to no cam­po e nos cav­al­os, 

  Que se in­juria de us­ar fun­di­do co­bre 

  E de não ter das ar­mas sem­pre os ca­los. 

  Mas vê a il­ha Gerum, co­mo de­sco­bre 

  O que fazem do tem­po os in­ter­va­los, 

  Que da cidade Ar­muza, que ali es­teve, 

  Ela o nome de­spois e a glória teve. 

  104 

  «Aqui de Dom Fil­ipe de Mene­ses 

  Se mostrará a vir­tude, em ar­mas clara, 

  Quan­do, com muito poucos Por­tugue­ses, 

  Os muitos Párseos vencerá de Lara. 

  Virão provar os golpes e reveses 

  De Dom Pe­dro de Sousa, que provara 

  Já seu braço em Am­paza, que deix­ada 

  Terá por ter­ra, à força só de es­pa­da. 

  105 

  «Mas deix­emos o Es­tre­ito e o con­heci­do 

  Cabo de Jasque, di­to já Carpela, 

  Com to­do o seu ter­reno mal queri­do 

  Da Natu­ra e dos dões us­ados dela; 

  Car­mâ­nia teve já por apeli­do. 

  Mas vês o fer­moso In­do, que daque­la 

  Al­tura nace, jun­to à qual, tam­bém 

  Doutra al­tura cor­ren­do o Gange vem? 

  106

   «Ol­ha a ter­ra de Ul­cinde, fer­tilís­si­ma. 

  E de Já­quete a ín­ti­ma en­sea­da; 

  Do mar a enchente súbi­ta, grandís­si­ma. 

  E a vazante, que foge apres­sur­ada. 

  A ter­ra de Cam­ba­ia vê, riquís­si­ma. 

  Onde do