o das águas se in­ter­pre­ta; 

  Tan­tas re­cebe d' out­ro só no Es­tio, 

  Que ala­ga os cam­pos lar­gos e in­qui­eta; 

  Tem as enchentes quais o Ni­lo frio; 

  A gente dele crê, co­mo in­disc­re­ta, 

  Que pe­na a glória têm, de­spois de morte, 

  Os bru­tos an­imais de to­da sorte. 

  128 

  «Este re­ce­berá, plá­ci­do e bran­do, 

  No seu re­gaço os Can­tos que mol­ha­dos 

  Vêm do naufrá­gio triste e miseran­do, 

  Dos pro­celosos bax­os es­capa­dos, 

  Das fomes, dos peri­gos grandes, quan­do 

  Será o in­jus­to man­do ex­ecu­ta­do 

  Naque­le cu­ja Li­ra sonorosa 

  Será mais afama­da que di­tosa. 

  129

  «Vês, corre a cos­ta que Cham­pá se chama, 

  Cu­ja ma­ta é do pau cheiroso or­na­da; 

  Vês Cauchichi­na es­tá, de es­cu­ra fama, 

  E de Ainão vê a in­cóg­ni­ta en­sea­da; 

  Aqui o sober­bo Im­pério, que se afama 

  Com ter­ras e riqueza não cuida­da, 

  Da Chi­na corre, e ocu­pa o sen­ho­rio 

  Des­de o Trópi­co ar­dente ao Cin­to frio. 

  130 

  «Ol­ha o muro e ed­ifí­cio nun­ca cri­do, 

  Que en­tre um im­pério e o out­ro se ed­ifi­ca, 

  Certís­si­mo sinal, e con­heci­do, 

  Da potên­cia re­al, sober­ba e ri­ca. 

  Estes, o Rei que têm, não foi naci­do 

  Príncipe, nem dos pais aos fil­hos fi­ca, 

  Mas elegem aque­le que é famoso 

  Por cav­aleiro, sábio e vir­tu­oso. 

  131

  «In­da out­ra mui­ta ter­ra se te es­conde 

  Até que ven­ha o tem­po de mostrar-​se; 

  Mas não deix­es no mar as Il­has onde 

  A Na­tureza quis mais afamar-​se: 

  Es­ta, meia es­con­di­da, que re­sponde 

  De longe à Chi­na, donde vem bus­car-​se, 

  É Japão, onde nace a pra­ta fi­na, 

  Que ilustra­da será co a lei div­ina. 

  132

  «Ol­ha cá pe­los mares do Ori­ente 

  As in­fini­tas Il­has es­pal­hadas: 

  Vê Tidore e rernate, co fer­vente 

  Cume, que lança as fla­mas on­deadas. 

  As ár­vores verás do cra­vo ar­dente, 

  Co sangue Por­tuguês in­da com­pradas. 

  Aqui há as áureas aves, que não de­cem 

  Nun­ca à ter­ra e só mor­tas apare­cem. 

  133 

  «Ol­ha de Ban­da as Il­has, que se es­mal­tam 

  Da vária cor que pin­ta o roxo fru­to; 

  As aves vari­adas, que ali saltam, 

  Da verde noz toman­do seu trib­uto. 

  Ol­ha tam­bém Bornéu, onde não fal­tam 

  Lá­gri­mas no licor coal­ha­do e enx­uto 

  Das ár­vores, que cân­fo­ra é chama­do, 

  Com que da Il­ha o nome é cel­ebra­do. 

  134 

  «Ali tam­bém Tim­or, que o lenho man­da 

  Sân­da­lo, salutífero e cheiroso; 

  Ol­ha a Sun­da, tão larga que ua ban­da

   Es­conde pera o Sul di­fi­cul­toso; 

  A gente do Sertão, que as ter­ras an­da, 

  Um rio diz que tem mirac­uloso, 

  Que, por onde ele só, sem out­ro, vai, 

  Con­verte em pe­dra o pau que nele cai. 

  135 

  «Vê naque­la que o tem­po tornou Il­ha, 

  Que tam­bém fla­mas tré­mu­las va­po­ra, 

  A fonte que óleo mana, e a mar­avil­ha 

  Do cheiroso licor que o tron­co cho­ra, 

  -Cheiroso, mais que quan­to es­ti­la a fil­ha 

  De Cini­ras na Arábia, onde ela mo­ra; 

  E vê que, ten­do quan­to as out­ras têm, 

  Bran­da se­da e fi­no ouro dá tam­bém. 

  136 

  «Ol­ha, em Ceilão, que o monte se al­evan­ta 

  Tan­to que as nu­vens pas­sa ou a vista en­gana; 

  Os nat­urais o têm por cousa san­ta, 

  Po­la pe­dra onde es­tá a pe­ga­da hu­mana. 

  Nas il­has de Mal­di­va nace a pran­ta 

  No pro­fun­do das águas, sober­ana, 

  Cu­jo po­mo con­tra o ve­neno ur­gente 

  É ti­do por an­tí­do­to ex­ce­lente. 

  137

  «Verás de­fronte es­tar do Roxo Es­tre­ito 

  So­co­torá, co amaro aloé famosa; 

  Out­ras il