has, no mar tam­bém su­jeito 

  A vós, na cos­ta de África arenosa, 

  Onde sai do cheiro mais per­feito 

  A mas­sa, ao mun­do ocul­ta e pre­ciosa. 

  De São Lourenço vê a Il­ha afama­da, 

  Que Madagás­car é dal­guns chama­da. 

  138 

  «Eis aqui as no­vas partes do Ori­ente 

  Que vós out­ros ago­ra ao mun­do dais, 

  Abrindo a por­ta ao vas­to mar patente, 

  Que com tão forte peito nave­gais.

  Mas é tam­bém razão que, no Po­nente, 

  Dum Lusi­tano um feito in­da ve­jais, 

  Que, de seu Rei mostran­do-​se agrava­do, 

  Cam­in­ho há-​de faz­er nun­ca cuida­do. 

  139 

  «Vedes a grande ter­ra que con­ti­na 

  Vai de Cal­is­to ao seu con­trário Pó­lo, 

  Que sober­ba a fará a luzente mi­na 

  Do met­al que a cor tem do louro Apo­lo. 

  Castela, vos­sa ami­ga, será di­na 

  De lançar-​lhe o co­lar ao rudo co­lo. 

  Várias provín­cias tem de várias gentes, 

  Em ri­tos e cos­tumes, difer­entes. 

  140 

  «Mas cá onde mais se alarga, ali tereis 

  Parte tam­bém, co pau ver­mel­ho no­ta; 

  De San­ta Cruz o nome lhe por­eis; 

  De­sco­bri-​la-​á a primeira vos­sa fro­ta. 

  Ao lon­go des­ta cos­ta, que tereis, 

  Irá bus­can­do a parte mais re­mo­ta 

  O Ma­ga­lhães, no feito, com ver­dade, 

  Por­tuguês, porém não na leal­dade. 

  141 

  «Dês que pas­sar a via mais que meia 

  Que ao An­tár­ti­co Pó­lo vai da Lin­ha, 

  Dua es­tatu­ra quási gi­gan­teia 

  Home­ns verá, da ter­ra ali viz­in­ha; 

  E mais avante o Es­tre­ito que se ar­reia 

  Co nome dele ago­ra, o qual cam­in­ha 

  Pera out­ro mar e ter­ra que fi­ca onde 

  Com suas frias asas o Aus­tro a es­conde.

  142 

  «Até 'qui Por­tugue­ses con­ce­di­do 

  Vos é sab­erdes os fu­tur­os feitos 

  Que, pe­lo mar que já deix­ais sabido, 

  Virão faz­er barões de fortes peitos. 

  Ago­ra, pois que ten­des apren­di­do 

  Tra­bal­hos que vos façam ser aceitos 

  Às eter­nas es­posas e fer­mosas, 

  Que coroas vos tecem glo­riosas. 

  143 

  «Podeis-​vos em­bar­car, que ten­des ven­to 

  E mar tran­qui­lo, pera a pá­tria ama­da.» 

  As­si lhe disse; e lo­go movi­men­to 

  Fazem da Il­ha ale­gre e namora­da. 

  Lev­am re­fres­co e no­bre man­ti­men­to; 

  Lev­am a com­pan­hia de­se­ja­da 

  Das Nin­fas, que hão-​de ter eter­na­mente, 

  Por mais tem­po que o Sol o mun­do aque­nte. 

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