s fazem giros; 

  Caem as Nin­fas, lançam das sec­re­tas 

  En­tran­has ar­den­tís­si­mos sus­piros; 

  Cai qual­quer, sem ver o vul­to que ama, 

  Que tan­to co­mo a vista pode a fama. 

  48

  Os cornos ajun­tou da ebúrnea Lua

  Com força, o moço in­dómi­to, ex­ces­si­va,

  Que Tétis quer ferir mais que nen­hua

  Porque mais que nen­hua lhe era es­qui­va.

  Já não fi­ca na al­ja­va se­ta al­gua,

  Nem nos equóre­os cam­pos Nin­fa vi­va;

  E se, feri­das, in­da es­tão viven­do,

  Será pera sen­tir que vão mor­ren­do.

  49

  Dai lu­gar, al­tas e cerúleas on­das,

  Que, vedes, Vénus traz a medic­ina,

  Mostran­do as bran­cas ve­las e re­dondas,

  Que vêm por cima da água Nep­tun­ina.

  Pera que tu recípro­co re­spon­das,

  Ar­dente Amor, à fla­ma fem­ini­na,

  É força­do que a pu­dicí­cia hon­es­ta

  Faça quan­to lhe Vénus amoes­ta.

  50

  Já to­do o be­lo coro se apar­el­ha

  Das Nerei­das, e jun­to cam­in­ha­va

  Em cor­eias gen­tis, us­ança vel­ha,

  Pera a il­ha a que Vénus as guia­va.

  Ali a fer­mosa Deusa lhe acon­sel­ha

  O que ela fez mil vezes, quan­do ama­va;

  Elas, que vão do doce amor ven­ci­das,

  Es­tão a seu con­sel­ho ofer­eci­das.

  51 

  Cor­tan­do vão as naus a larga via 

  Do mar in­gente pera a pá­tria ama­da, 

  De­se­jan­do prover-​se de água fria 

  Pera a grande vi­agem pro­lon­ga­da, 

  Quan­do, jun­tas, com súbi­ta ale­gria, 

  Hou­ver­am vista da Il­ha namora­da, 

  Rompen­do pe­lo céu a mãe fer­mosa 

  De Menónio, suave e deleitosa. 

  52 

  De longe a Il­ha vi­ram, fres­ca e bela, 

  Que Vénus pelas on­das lha lev­ava 

  (Bem corno o ven­to le­va bran­ca vela) 

  Pera onde a forte ar­ma­da se enx­er­ga­va; 

  Que, por que não pas­sas­sem, sem que nela 

  Tor­nassem por­to, corno de­se­ja­va, 

  Pera onde as naus naveg­am a movia 

  A Acidália, que tu­do, en­fim, po­dia. 

  53 

  Mas firme a fez e imó­bil, corno viu 

  Que era dos Nau­tas vista e de­man­da­da, 

  Qual fi­cou De­los, tan­to que par­iu 

  La­tona Febo e a Deusa à caça us­ada. 

  Pera lá lo­go a proa o mar abriu, 

  Onde a cos­ta fazia ua en­sea­da 

  Cur­va e qui­eta, cu­ja bran­ca areia 

  Pin­tou de ruivas con­chas Citereia. 

  54

  Três fer­mosos out­eiros se mostravam, 

  Er­gui­dos com sober­ba gra­ciosa, 

  Que de gramí­neo es­malte se ador­navam, 

  Na fer­mosa Il­ha, ale­gre e deleitosa. 

  Claras fontes e límp­idas man­avam 

  Do cume, que a ver­du­ra tem viçosa; 

  Por en­tre pe­dras al­vas se deri­va 

  A sonorosa lin­fa fugi­ti­va. 

  55

  Num vale ameno, que os out­eiros fende, 

  Vin­ham as claras águas ajun­tar-​se, 

  Onde ua mesa fazem, que se es­tende 

  Tão bela quan­to pode imag­inar-​se. 

  Ar­vore­do gen­til so­bre ela pende, 

  Co­mo que pron­to es­tá pera afeitar-​se, 

  Ven­do-​se no cristal re­sp­lan­de­cente, 

  Que em si o es­tá pin­tan­do pro­pri­amente. 

  56

  Mil ár­vores es­tão ao céu subindo, 

  Com po­mos odor­ífer­os e be­los; 

  A laran­jeira tem no fruito lin­do 

  A cor que tin­ha Dafne nos ca­be­los. 

  En­cos­ta-​se no chão, que es­tá cain­do, 

  A cidreira cos pe­sos amare­los; 

  Os fer­mosos limões ali cheiran­do, 

  Es­tão virgíneas tetas im­itan­do.

  57

  As ár­vores agrestes, que os out­eiros 

  Têm com fron­dente co­ma en­no­bre­ci­dos, 

  Ále­mos são de Al­cides, e os loureiros 

  Do louro Deus ama­dos e queri­dos; 

  Mir­tos de Citereia, cos pin­heiros 

  De Cibele, por out­ro amor ven­ci­dos; 

  Es­tá apon­ta­do o agu­do cipariso 

  Pera onde é pos­to o etéreo Paraí­so. 

  