das flo­res, 

  Mas da lã fi­na e se­da difer­ente, 

  Que mais in­ci­ta a força dos amores, 

  De que se vestem as hu­manas rosas, 

  Fazen­do-​se por arte mais fer­mosas. 

  69 

  Dá Veloso, es­pan­ta­do, um grande gri­to: 

  - «Sen­hores, caça es­tran­ha (disse) é es­ta! 

  Se in­da du­ra o Gen­tio anti­go ri­to, 

  A Deusas é sagra­da es­ta flo­res­ta. 

  Mais de­sco­bri­mos do que hu­mano es­pri­to 

  De­se­jou nun­ca, e bem se man­ifes­ta 

  Que são grandes as cousas e ex­ce­lentes 

  Que o mun­do en­co­bre aos home­ns im­pru­dentes. 

  70

  «Sig­amos es­tas Deusas e ve­jamos 

  Se fan­tás­ti­cas são, se ver­dadeiras.» 

  Is­to di­to, ve­lo­ces mais que gamos, 

  Se lançam a cor­rer pelas ribeiras. 

  Fug­in­do as Nin­fas vão por en­tre os ramos, 

  Mas, mais in­dus­triosas que ligeiras, 

  Pouco a pouco, sor­rindo e gri­tos dan­do, 

  Se deix­am ir dos gal­gos al­cançan­do. 

  71

  De ua os ca­be­los de ouro o ven­to le­va, 

  Cor­ren­do, e da out­ra as fral­das del­icadas; 

  Acende-​se o de­se­jo, que se ce­va 

  Nas alves carnes, súbito mostradas. 

  Ua de in­dús­tria cai, e já rel­eva, 

  Com mostras mais ma­cias que in­di­nadas, 

  Que so­bre ela, em­pecen­do, tam­bém ca­ia 

  Quem a seguiu pela arenosa pra­ia. 

  72 

  Out­ros, por out­ra parte, vão topar 

  Com as Deusas de­sp­idas, que se lavam; 

  Elas começam súbito a gri­tar, 

  Co­mo que as­salto tal não es­per­avam; 

  Uas, fin­gin­do menos es­ti­mar 

  A ver­gonha que a força, se lançavam 

  Nuas por en­tre o ma­to, aos ol­hos dan­do 

  O que às mãos co­biçosas vão ne­gan­do; 

  73 

  Out­ra, co­mo acud­in­do mais de­pres­sa 

  À ver­gonha da Deusa caçado­ra, 

  Es­conde o cor­po n' água; out­ra se apres­sa 

  Por tomar os vesti­dos que tem fo­ra. 

  Tal dos mance­bos há que se ar­remes­sa, 

  Vesti­do as­si e calça­do (que, co a mo­ra 

  De se de­spir, há me­do que in­da tarde) 

  A matar na água o fo­go que nele arde. 

  74 

  Qual cão de caçador, sagaz e ar­di­do, 

  Us­ado a tomar na água a ave feri­da, 

  Ven­do [ò] ros­to o férreo cano er­gui­do 

  Pera a garcenha ou pa­ta con­heci­da, 

  Antes que soe o es­touro, mal sofri­do 

  Salta n' água e da pre­sa não du­vi­da, 

  Nadan­do vai e latin­do: as­si o mance­bo 

  Remete à que não era ir­mã de Febo.

  75 

  Leonar­do, sol­da­do bem dis­pos­to, 

  Man­hoso, cav­aleiro e namora­do, 

  A quem Amor não de­ra um só des­gos­to 

  Mas sem­pre fo­ra dele mal trata­do, 

  E tin­ha já por firme pros[s]up­os­to 

  Ser com amores mal afor­tu­na­do, 

  Porém não que perdesse a es­per­ança 

  De in­da poder seu fa­do ter mu­dança, 

  76 

  Quis aqui sua ven­tu­ra que cor­ria 

  Após Efire, ex­em­plo de beleza, 

  Que mais caro que as out­ras dar que­ria 

  O que deu, pera dar-​se, a na­tureza. 

  Já cansa­do, cor­ren­do, lhe dizia: -.. 

  Ó fer­mo­sura in­di­na de as­pereza, 

  Pois des­ta vi­da te con­ce­do a pal­ma, 

  Es­pera um cor­po de quem levas a al­ma! 

  77

  «To­das de cor­rer cansam, Nin­fa pu­ra, 

  Ren­den­do-​se à von­tade do in­imi­go; 

  Tu só de mi só fo­ges na es­pes­sura? 

  Quem te disse que eu era o que te si­go? 

  Se to tem di­to já aque­la ven­tu­ra 

  Que em to­da a parte sem­pre an­da comi­go, 

  Oh, não na creias, porque eu, quan­do a cria, 

  Mil vezes ca­da ho­ra me men­tia.

  78 

  «Não cans­es, que me cansas! E se queres 

  Fu­gir-​me, por que não pos­sa to­car-​te, 

  Min­ha ven­tu­ra é tal que, in­da que es­peres, 

  Ela fará que não pos­sa al­cançar-​te. 

  Es­pera; quero ver, se 