prémio lá no fim, bem mere­ci­do, 

  Com fama grande e nome al­to e subido. 

  89 

  Que as Nin­fas do Oceano, tão fer­mosas, 

  Tétis e a Il­ha angéli­ca pin­ta­da, 

  Out­ra cousa não é que as deleitosas 

  Hon­ras que a vi­da fazem sub­li­ma­da. 

  Aque­las pre­minên­cias glo­riosas, 

  Os tri­un­fos, a fronte coroa­da 

  De pal­ma e louro, a glória e mar­avil­ha, 

  Estes são os deleites des­ta Il­ha. 

  90

  Que as imor­tal­idades que fin­gia 

  A an­tigu­idade, que os Ilus­tres ama, 

  Lá no es­te­lante Olimpo, a quem subia 

  So­bre as asas ín­cli­tas da Fama, 

  Por obras valerosas que fazia, 

  Pe­lo tra­bal­ho imen­so que se chama 

  Cam­in­ho da vir­tude, al­to e fragoso, 

  Mas, no fim, doce, ale­gre e deleitoso, 

  91 

  Não er­am senão prémios que reparte, 

  Por feitos imor­tais e sober­anos, 

  O mun­do cos varões que es­forço e arte 

  Di­vi­nos os fiz­er­am, sendo hu­manos. 

  Que Júpiter, Mer­cúrio, Febo e Marte, 

  Eneas e Quiri­no e os dous Tebanos, 

  Ceres, Palas e Juno com Di­ana, 

  To­dos foram de fra­ca carne hu­mana. 

  92

  Mas a Fama, trom­be­ta de obras tais, 

  Lhe deu no Mun­do nomes tão es­tran­hos 

  De Deuses, Semideuses, Imor­tais, 

  In­dígetes, Herói­cos e de Mag­nos. 

  Por is­so, Ó vós que as famas es­ti­mais, 

  Se quis­erdes no mun­do ser taman­hos, 

  Des­per­tai já do sono do ócio ig­na­vo, 

  Que o ân­imo, de livre, faz es­cra­vo. 

  93 

  E ponde na co­biça um freio duro, 

  E na am­bição tam­bém, que in­dig­nada­mente 

  Tor­nais mil vezes, e no tor­pe e es­curo 

  Ví­cio da tira­nia in­fame e ur­gente; 

  Porque es­sas hon­ras vás, esse ouro puro, 

  Ver­dadeiro val­or não dão à gente: 

  Mil­hor é merecê-​los sem os ter, 

  Que pos­suí-​los sem os mere­cer. 

  94

  Ou dai na paz as leis iguais, con­stantes, 

  Que aos grandes não dêem o dos pe­quenos, 

  Ou vos vesti nas ar­mas ru­ti­lantes, 

  Con­tra a lei dos imi­gos Sar­ra­cenos: 

  Fareis os Reinos grandes e pos­santes, 

  E to­dos tereis mais e nen­hum menos: 

  Pos­suireis riquezas mere­ci­das, 

  Com as hon­ras que ilus­tram tan­to as vi­das. 

  95 

  E fareis claro o Rei que tan­to amais, 

  Ago­ra cos con­sel­hos bem cuida­dos, 

  Ago­ra co as es­padas, que imor­tais 

  Vos farão, corno os vos­sos já pas­sa­dos. 

  Im­pos­si­bil­idades não façais, 

  Que quem quis, sem­pre pôde; e nu­mer­ados 

  Sereis en­tre os Heróis es­clare­ci­dos 

  E nes­ta «Il­ha de Vénus» re­ce­bidos. 

  X

  1

  Mas já o claro amador da Laris­seia 

  Adúl­tera in­cli­na­va os an­imais 

  Lá pera o grande la­go que rodeia 

  Temistitão, nos fins Oci­den­tais; 

  O grande ar­dor do Sol Favónio en­freia 

  Co so­pro que nos tan­ques nat­urais 

  En­cres­pa a água ser­ena e des­per­ta­va 

  Os lírios e jas­mins, que a cal­ma agra­va, 

  2 

  Quan­do as fer­mosas Nin­fas, cos amantes 

  Pela mão, já con­formes e con­tentes, 

  Subi­am pera os paços ra­di­antes 

  E de metais or­na­dos re­luzentes, 

  Man­da­dos da Rain­ha, que abun­dantes 

  Mesas d' al­tos man­jares ex­ce­lentes 

  Lhe tin­ha apar­el­ha­dos, que a fraque­za 

  Restau­rem da cansa­da na­tureza. 

  3 

  Ali, em cadeiras ri­cas, cristali­nas, 

  Se as­sen­tam dous e dous, amante e dama; 

  Noutras, à cabe­ceira, d' ouro fi­nas, 

  Es­tá co a bela Deusa o claro Gama. 

  De iguar­ias suaves e div­inas, 

  A quem não chega a Egíp­cia anti­ga fama, 

  Se acu­mu­lam os pratos de ful­vo ouro, 

  Trazi­dos lá do Atlân­ti­co tesouro. 

  4 

  Os vin­hos odor­ífer­os, que aci­ma 

  Es­tão não só do Itáli­co Faler­n