tre Cale­cu jaz e Cananor, 

  D' am­bas as Leis imi­gas pera a guer­ra: 

  Mouros por mar, Gen­tios po­la ter­ra. 

  15

  E to­dos out­ra vez des­baratan­do, 

  Por ter­ra e mar, o grão Pacheco ou­sa­do, 

  A grande mul­ti­dão que irá matan­do 

  A to­do o Mal­abar terá ad­mi­ra­do. 

  Come­terá out­ra vez, não di­la­tan­do, 

  O Gen­tio os com­bat­es, apres­sa­do, 

  In­jurian­do os seus, fazen­do vo­tos 

  Em vão aos Deuses vãos, sur­dos e imo­tos.

  16 

  Já não de­fend­erá so­mente os pas­sos, 

  Mas queimar-​lhe-​á lu­gares, tem­plos, casas; 

  Ace­so de ira, o Cão, não ven­do las­sos 

  Aque­les que as cidades fazem rasas, 

  Fará que os seus, de vi­da pouco es­cas­sos, 

  Cometam o Pacheco, que tem asas, 

  Por dous pas­sos num tem­po, mas voan­do 

  Dum noutro, tu­do irá des­baratan­do. 

  17 

  Virá ali o Samor­im, por que em pes­soa 

  Ve­ja a batal­ha e os seus es­force e ani­me; 

  Mas um tiro, que com zu­nido voa, 

  De sangue o tin­girá no an­dor sub­lime. 

  Já não verá remé­dio ou man­ha boa 

  Nem força que o Pacheco muito es­time; 

  In­ven­tará traições e vãos ve­nenos, 

  Mas sem­pre (o Céu queren­do) fará menos.

  18 

  Que tornará a vez sé­ti­ma (can­ta­va) 

  Pele­jar co in­vic­to e forte Lu­so, 

  A quem nen­hum tra­bal­ho pe­sa e agra­va; 

  Mas, con­tu­do, este só o fará con­fu­so. 

  Trará pera a batal­ha, hor­ren­da e bra­va, 

  Máquinas de madeiros fo­ra de uso, 

  Pera lhe abal­roar as car­ave­las, 

  Que até' li vão lhe fo­ra cometê-​las. 

  19

  Pela água levará ser­ras de fo­go 

  Pera abrasar-​lhe quan­ta ar­ma­da ten­ha; 

  Mas a mil­itar arte e en­gen­ho lo­go 

  Fará ser vã a braveza com que ven­ha. 

  - «Nen­hum claro barão no Már­cio jo­go, 

  Que nas asas da Fama se susten­ha, 

  Chega a este, que a pal­ma a to­dos toma. 

  E per­doe-​me a ilus­tre Gré­cia ou Ro­ma. 

  20

  «Porque tan­tas batal­has, sus­ten­tadas 

  Com muito pouco mais de cem sol­da­dos, 

  Com tan­tas man­has e artes in­ven­tadas, 

  Tan­tos Cães não im­be­les profli­ga­dos, 

  Ou pare­cerão fábu­las son­hadas, 

  Ou que os ce­lestes Coros, in­vo­ca­dos, 

  De­cerão a ajudá-​lo e lhe darão 

  Es­forço, força, ardil e coração. 

  21

  «Aque­le que nos cam­pos Maratónios 

  O grão poder de Dário es­trui e rende, 

  Ou quem, com qua­tro mil Lacedemónios, 

  O pas­so de Ter­mópi­las de­fende, 

  Nem o mance­bo Co­cles dos Ausónios, 

  Que com to­do o poder Tus­co con­tende 

  Em de­fen­sa da ponte, ou Quin­to Fábio, 

  Foi co­mo este na guer­ra forte e sábio.»

  22 

  Mas neste pas­so a Nin­fa, o som canoro 

  Abaxan­do, fez ron­co e en­tris­te­ci­do, 

  Can­tan­do em baxa voz, en­vol­ta em choro, 

  O grande es­forço mal agarde­ci­do. 

  - «Ó Belisário (disse) que no coro 

  Das Musas serás sem­pre en­grande­ci­do, 

  Se em ti viste abati­do o bra­vo Marte, 

  Aqui tens com quem podes con­so­lar-​te! 

  23 

  «Aqui tens com­pan­heiro, as­si nos feitos 

  Co­mo no galardão in­jus­to e duro; 

  Em ti e nele ver­emos al­tos peitos 

  A baxo es­ta­do vir, hu­milde e es­curo. 

  Mor­rer nos hos­pi­tais, em po­bres leitos, 

  Os que ao Rei e à Lei servem de muro! 

  Is­to fazem os Reis cu­ja von­tade 

  Man­da mais que a justiça e que a ver­dade. 

  24

  «Is­to fazem os Reis quan­do em­be­bidos 

  Nua aparên­cia bran­da que os con­tenta: 

  Dão os prémios, de Aiace mere­ci­dos, 

  À lín­gua vã de Uliss­es, fraud­ulen­ta. 

  Mas vin­go-​me: que os bens mal repar­tidos 

  Por quem só do­ces som­bras ap­re­sen­ta, 

  Se não os dão