ua disc­re­ta lu­mi­nosi­dade, sendo is­so out­ra man­ifes­tação da vi­da do mar. 

  Há viventes minús­cu­los dos reinos an­imal e veg­etal que com­ple­tam a ex­istên­cia dos que vivem a es­tran­ha lu­ta das águas, for­man­do o plânc­ton, que é o al­imen­to dos peix­es menores. Mas, além destes, há out­ras in­find­áveis for­mas da vi­da, pois, es­ta, que começou pre­cisa­mente no mar, é aí que ain­da mel­hor meio en­con­tra para se per­pet­uar. Vêem-​se crustáceos que se en­car­regam dos fu­nerais dos bi­chos inu­ti­liza­dos, tu­do limpan­do apres­sada­mente à sua vol­ta, na ân­sia de pu­rifi­cação. Salti­tam in­ocentes in­sec­tos aquáti­cos. Há be­las e ge­ométri­cas es­tre­las-​do-​mar, com­pli­cadas olotúrias, ver­mes, diá­fanas ané­monas, que mais pare­cem flo­res de um paraí­so sub­mer­so, espon­jas, al­gas a de­spren­der-​se para se irem perder na lon­ju­ra, peix­es de for­mas e de cores sur­preen­dentes, que nos fazem sor­rir de­vi­do ao seu es­tran­ho e cómi­co as­pec­to, ou que, pe­lo con­trário, nos fazem ar­rip­iar pe­lo seu to­do hor­rív­el. 

  Em ter­ríveis cav­er­nas, que se abri­ram nas grandes pro­fun­di­dades, onde a luz não chega nem o ru­gir das tem­pes­tades, sabe­mos ape­nas que ain­da há de­ter­mi­nadas for­mas es­tran­has que o homem mal con­hece, aci­ma das quais se en­feu­daram mon­stru­osos bi­chos que emitem luzes, tal co­mo fo­gos-​fá­tu­os per­di­dos nas trevas do mar pro­fun­do. Mais à su­per­fí­cie, há gi­gantes al­ados e cor­nudos, quais ma­far­ri­cos, que abrem enormes bo­car­ras onde se po­dem ver su­ces­si­vas fileiras de aguça­dos dentes. No mar, há bi­chos que se trans­portam co­moda­mente agar­ra­dos a out­ros bi­chos. Há to­da a gama de par­asitas e, por to­da a parte, a lu­ta pela con­ser­vação da ex­istên­cia in­di­vid­ual, us­an­do os mais atre­vi­dos meios de dis­farce, quer na de­fe­sa quer no ataque, ou a lu­ta pela con­ser­vação das es­pé­cies, com to­das as gamas do amor prim­iti­vo dos sex­os. 

  E o silên­cio do oceano guar­da ain­da matéria em de­com­posição, os­sos já cor­roí­dos, es­quele­tos em es­tran­has at­itudes, car­caças de navios afun­da­dos, péro­las, tesouros per­di­dos, vi­das que se apa­garam en­quan­to out­ras vi­das prosseguem na con­quista do mar e na de­stru­ição da vi­da. 

  A vi­da das águas, que vai des­de as minús­cu­las for­mas em­bri­onárias até às feras e aos gi­gantes que nos pare­cem já de out­ras eras, abrange ain­da os peix­es-​voadores, os peix­es-​an­dadores, os peix­es-​eléc­tri­cos, os peix­es tóx­icos e os ve­nenosos, os grandes mamífer­os que do mar se er­guem para ama­men­tar as crias ou aque­les out­ros que nos ol­ham e gri­tam mostran­do ex­pressões hu­manas, répteis, arac­nídeos, ci­clós­to­mos, en­fim, tu­do o que in­spirou as lendas das sereias e dos me­dos. Mas, tam­bém, in­clui, na sua pro­fusão de es­pé­cies, a mul­ti­dão das aves, qual de­las a mais cu­riosa na sua maneira pe­cu­liar de faz­er pela ex­istên­cia. 

  To­da es­sa força vi­tal, in­spi­rado­ra de po­et­as e razão de apaixon­ado in­ter­esse para os bi­ol­ogis­tas, é en­car­ada sob um as­pec­to mais comez­in­ho, porém, não menos con­forme com o de­ter­min­is­mo da na­tureza, por aque­les out­ros que ape­nas procu­ram da vi­da do mar a sat­is­fação das sub­sistên­cias. De qual­quer for­ma, con­tu­do, o homem do mar, co­mo sober­ano in­con­tes­ta­do da su­per­fí­cie líqui­da, a to­dos aque­les seres fará por im­por a sua pre­sença, só os ven­do, pro­saica­mente, co­mo is­cos para os seus en­gen­hos de cap­tura, ou en­tão, quan­do já mor­tos por sub­tracção ao meio onde vivi­am e lu­tavam, sim­ples­mente co­mo o pesca