do, que lhe pode con­ferir a riqueza e, a to­dos nós afi­nal, uma das pos­si­bil­idades de sub­si­stir, pos­to que, na re­al­idade, os comem­os. 

  Mas são to­das es­tas man­ifes­tações de lu­ta, des­de as dos an­imais aquáti­cos e as dos home­ns às do próprio meio físi­co, que me fazem diz­er que o mar, que é to­do um mun­do si­len­cioso de beleza ou de atro­ci­dade, es­tá vi­vo para nos dar parte da vi­da ou para nos levar à morte. 

  Vi­da e morte do ba­cal­hau 

  Den­tre os muitos an­imais que se in­sta­laram nos mares do Norte, há cer­to peixe que assi­nalou a sua pre­sença vin­can­do-​a pela dev­as­tação que oca­siona nos menos dota­dos, mer­cê de um apetite vo­raz e in­saciáv­el. Per­feita­mente adap­ta­do às regiões frias, ve­mo-​lo por uma vas­ta zona do hem­is­fério norte, por vezes for­man­do enormes car­dumes e dom­inan­do grandes áreas do mar, quer ac­tuan­do em dis­per­são, quer con­cen­tra­do, es­pe­cial­mente du­rante de­ter­mi­nadas épocas e em cer­tos lo­cais onde o homem, des­de tem­pos re­mo­tos, por is­so mes­mo o procu­ra. 

  Tra­ta-​se do ba­cal­hau, com­preen­den­do-​se por es­ta des­ig­nação não só o clás­si­co Gadus callar­ias Lin­né, co­mo al­guns out­ros peix­es dos mares do Norte, que são o tome­code, a ar­in­ca, o es­ca­mu­do, o lingue, a bolota, o lin­gua­do e a lin­guiça, que a ele mais ou menos se assemel­ham e com ele vivem em con­cor­rên­cia.

  Prati­ca­mente du­rante quase to­do o ano, ou ape­nas em épocas mais apro­pri­adas de­vi­do às condições do tem­po, o homem re­al­iza as safras de pesca, ca­da vez mais per­feitas no seu poder de­stru­ti­vo, das quais re­sul­tam fan­tás­ti­cas mor­tan­dades para mil­hões de bi­chos, Mes­mo as­sim, em­bo­ra, pos­sivel­mente, já com um ligeiro de­crésci­mo en­tre os peix­es que nascem e chegam a adul­tos e os que são pesca­dos, to­dos os anos a mes­ma faina se repete, quer no oceano Glacial Árc­ti­co quer no Atlân­ti­co e no Pací­fi­co se­ten­tri­on­ais, sendo notáveis as pescarias de Spitzber­ga, il­ha do Ur­so, Norue­ga, No­va Zem­bla, cos­ta de Mur­man­sk, Es­có­cia, il­has Faroé, Is­lân­dia, Canadá, Ter­ra No­va, Gronelân­dia, Alas­ca, mar de Okhostk e mar do Japão. 

  O referi­do peixe é um an­imal fusiforme, com es­quele­to ósseo, tem o cor­po re­cober­to de pe­que­nas es­ca­mas e é suave­mente abaula­do e não achata­do co­mo mui­ta gente ain­da supõe, de­pois de o ver já es­cal­ado e seco. É pare­ci­do com o bade­jo e com a faneca, os quais tam­bém são chama­dos ba­cal­haus pelas nos­sas pop­ulações ribeir­in­has. 

  Em­bo­ra to­dos os peix­es aci­ma referi­dos pertençam a famílias zo­ológ­icas muito lig­adas, ex­is­tem al­gu­mas car­ac­terís­ti­cas mor­fológ­icas e bi­ológ­icas que talvez con­ven­ha referir para o ver­dadeiro ba­cal­hau, vis­to ser ele o supre­mo ob­jec­ti­vo da nos­sa grande pesca longín­qua. A sua cabeça é grossa, de lábios car­nudos e larga­mente fen­di­dos, po­den­do-​a as­sim es­can­car­ar desme­di­da­mente quan­do abo­ca as suas ví­ti­mas, as quais fixa mer­cê dos lábios e de dentes im­plan­ta­dos nos dois max­ilares e no céu da bo­ca, em várias ca­madas. Os opér­cu­los, que são an­gu­losos e unidos na parte in­fe­ri­or dos seus bor­dos livres, pro­tegem três fi­adas de guel­ras recor­tadas e ver­mel­has, onde se fixa abun­dan­te­mente o ox­igénio da água, du­rante o ac­to da res­pi­ração. A água, para o ba­cal­hau, co­mo, al­iás, para a maio­ria dos peix­es, é um cam­po sen­si­ti­vo, sápi­do, tal co­mo, para nós, é o ar um meio de sen­sações odor­íferas. Não só a mu­cosa da bo­ca, co­mo a lín­gua, os lábios e um apêndice car­nudo -o bar­bi­lhão -muito car­ac­terís­ti­co no