 ba­cal­hau, con­fer­em-​lhe um sen­ti­do do gos­to que parece ser o mais de­sen­volvi­do dos sen­ti­dos.

  O ba­cal­hau ou­ve, graças a um apar­el­ho ce­fáli­co rep­re­sen­ta­do por um ou­vi­do in­ter­no, onde se en­con­tram con­cressões cal­cáreas – os otól­itos – pos­síveis sedes dos sen­ti­dos da ori­en­tação e do equi­líbrio. Estes pe­quenos órgãos são de taman­ho var­iáv­el con­soante o es­ta­do nu­tri­ti­vo do pos­suidor e for­ma­dos por anéis con­cên­tri­cos, bran­cos ou es­curos, in­di­can­do, ca­da par, um ano de idade do peixe, tal co­mo o in­dicam os cír­cu­los ex­is­tentes nas es­ca­mas. Quan­do se ob­ser­vam os otól­itos à transparên­cia é pos­sív­el ver-​se, na sua parte cen­tral, co­mo que uma im­agem de Nos­sa Sen­ho­ra, o que muito im­pres­siona os pescadores. 

  Dois fi­nos cordões es­bran­quiça­dos, con­sti­tuí­dos por pe­quenos orifí­cios que vão da cabeça à cau­da, de ca­da la­do do cor­po, con­heci­dos por lin­has lat­erais, rep­re­sen­tam os órgãos acessórios da au­dição e da sen­si­bil­idade, pois são ca­pazes de garan­tir a per­cepção das on­das vi­bratórias que atrav­es­sem a água. As es­ca­mas das lin­has lat­erais são per­furadas, per­mitin­do as­sim que a água ban­he as célu­las sen­so­ri­ais dos canais dér­mi­cos que vêm a re­ce­ber as vi­brações reper­cu­ti­das pela água, por vezes vin­das de muito longe. 

  O con­sid­eráv­el de­sen­volvi­men­to dos sen­ti­dos do gos­to e da au­dição, com­pen­sa, de cer­to mo­do, a quase im­potên­cia da visão no ba­cal­hau. Com efeito, quan­do ve­mos os seus grandes ol­hos salientes, re­cober­tos por uma es­pes­sa mem­brana trans­par­ente, mostran­do ex­pressões de cu­pi­dez ou de es­túp­ida in­difer­ença, mal nos lem­bramos de que o cristal­ino, que no homem é uma lente bi­con­vexa ca­paz de pro­jec­tar im­agens per­feitas so­bre a reti­na, é, no ba­cal­hau, quase es­féri­co, mais não po­den­do pro­jec­tar senão im­agens im­per­feitas. Os ol­hos mal se movem e a es­tru­tu­ra do apar­el­ho vi­su­al, em­bo­ra com­plexa, faz com que o ba­cal­hau ape­nas ve­ja con­fusa­mente os ob­jec­tos que o cer­cam. Não ob­stante, é sen­sív­el às cores e à in­ten­si­dade lu­mi­nosa, a pon­to de, com es­ta, ficar en­can­dea­do e imóv­el, ao con­trário do que sucede se ob­ser­var qual­quer coisa que jun­to dele se mo­va, bril­han­do ou fazen­do som­bra, só en­tão se rev­elando pre­pon­der­ante a sua visão re­stri­ta. Em­bo­ra ad­mitin­do-​se que o ba­cal­hau pos­sa, tam­bém, emi­tir sons (ou pe­lo menos ul­tra-​sons), cap­táveis em apar­el­hos es­pe­ci­ais, que ac­tual­mente se es­tu­dam, o fac­to é que ain­da não temos, so­bre o as­sun­to, uma certeza con­clu­dente: 

  A cor do ba­cal­hau é var­iáv­el con­soante os fun­dos, em con­se­quên­cia da adap­tação ao meio onde pre­dom­inan­te­mente vive e, talvez, ao mimetismo. Ad­mite-​se, tam­bém, que as suas cores se­jam, de cer­to mo­do, car­ac­teres mais ou menos in­var­iáveis, as­sim se po­den­do in­te­grar nas car­ac­terís­ti­cas definido­ras das suas raças e var­iedades, ain­da ho­je tão dis­cu­ti­das. As cores pre­dom­inantes são o cinzen­to, mais ou menos es­curo e mais ou menos pon­tu­ado, porém sem­pre mais claro no ven­tre, onde é quase bran­co. Os flan­cos e as bar­batanas po­dem ap­re­sen­tar tonal­idades que vari­am do cinzen­to-​claro ao cinzen­to-​es­curo, ao amare­lo e ao ver­mel­ho, quan­do não são azu­la­dos. 

  As bar­batanas são: três dor­sais, uma anal e uma cau­dal, ím­pares, e duas peitorais e duas ven­trais, pares. São to­das mu­nidas de vários raios car­ti­lagí­neos, são retrácteis e servem para a propul­são ou para o equi­líbrio.