 

  A sua carne é ma­gra, ao con­trário do fí­ga­do que é, em re­gra, muito gor­do e daí o seu aproveita­men­to para a obtenção de óleo, ri­co em vi­ta­mi­nas. 

  Quan­do adul­to, vive ha­bit­ual­mente en­tre 50 a 500 met­ros de pro­fun­di­dade, em águas cu­jas tem­per­at­uras, se­gun­do se crê, não ul­tra­pas­sam os lim­ites mé­dios de ze­ro a oito graus pos­itivos, com trin­ta e um a trin­ta e cin­co por mil de salin­idade, pare­cen­do que é muito sen­sív­el às al­ter­ações br­us­cas a estes lim­ites rel­ativos. Per­manece so­bre os ban­cos sub­mari­nos, preferindo os fun­dos de rocha, cal­haus, cas­cal­ho ou areia conchífera aos de areia sim­ples ou de vasa. De qual­quer for­ma, porém, a sua prefer­ên­cia re­cai sem­pre so­bre os aci­dentes oro­grá­fi­cos dos chama­dos fun­dos vivos, ou se­jam aque­les onde é abun­dante a fau­na seden­tária, que o ba­cal­hau procu­ra afadi­ga­do na ân­sia de obter al­imen­to. 

  Os car­dumes po­dem-​se ap­re­sen­tar em man­cha, na qual os peix­es fi­cam cir­cun­scritos a um de­ter­mi­na­do lo­cal du­rante um es­paço de tem­po mais ou menos rela­ciona­do com a re­pro­dução, em pin­ha, quan­do o car­dume se deslo­ca para out­ro lo­cal, ou ain­da em plano, quan­do os peix­es es­tão dis­per­sos mas rel­ati­va­mente esta­cionários e ape­nas pre­ocu­pa­dos com a obtenção de al­imen­tos, fi­nal­mente em ba­te­ria, sem­pre que se deslo­quem afas­ta­dos dos fun­dos, o que acon­tece du­rante a perseguição aos car­dumes de sandil­ho ou de cape­lim. O ba­cal­hau desliza com fa­cil­idade, sin­gran­do veloz­mente atrás das suas ví­ti­mas ou dis­paran­do, co­mo se­ta, no sen­ti­do da su­per­fí­cie, sem­pre que al­gu­ma coisa luzidia pareça fu­gir-​lhe, ten­tan­do-​o no seu apetite in­saciáv­el. É as­sim que ele em ger­al at­aca os out­ros peix­es, ou até mes­mo os mais pe­quenos da sua própria es­pé­cie, quan­do não en­con­tra ver­mes, pe­quenos crustáceos, mo­lus­cos ce­falópo­dos ou mes­mo bi­valves, es­tre­las-​do-​mar, ané­monas e to­da a restante matéria vi­va, sem­pre riquís­si­ma es­pe­cial­mente nas junções de cor­rentes marí­ti­mas de tem­per­at­uras difer­entes, co­mo acon­tece nos ban­cos da Ter­ra No­va ou em cer­tas costas do se­ten­trião.

  O ba­cal­hau pode atin­gir taman­ho con­sid­eráv­el, mas, nor­mal­mente, já se con­sid­era co­mo muito bom ex­em­plar o que, de­pois de aman­hado e seco, pese uns cin­co qui­los. Porém, a mé­dia dos maiores que se pescam nos ban­cos não ul­tra­pas­sa o pe­so de três qui­los, talvez por lh­es não darem tem­po para que cresçam mais. 

  Em cer­tas zonas, onde a pesca, al­iás, se reveste de grande im­portân­cia, o ba­cal­hau, talvez pela sua ex­ces­si­va sen­si­bil­idade ante as difer­enças tér­mi­cas, re­al­iza cu­riosas mi­grações, du­rante as quais per­corre enormes dis­tân­cias do oceano, em am­plos movi­men­tos de fluxo e de re­fluxo, nat­ural­mente sub­or­di­na­dos ao maior ou menor rig­oris­mo das es­tações. Out­ros movi­men­tos mi­gratórios, porém, de menor am­pli­tude, se po­dem ain­da ver­ificar de­vi­do a im­pe­riosas ne­ces­si­dades al­imenta­res ou a fenó­menos rela­ciona­dos com a re­pro­dução. Quan­to ao primeiro, e para a zona dos ban­cos ter­ra­novens­es, onde o ba­cal­hau é muito abun­dante des­de o começo da Pri­mav­era, mal chega o In­ver­no e as águas es­fri­am de­masi­ada­mente, no­ta-​se uma acen­tu­ada rar­efacção do peixe, tu­do levan­do a cr­er que ele se refu­gia nos ban­cos oci­den­tais e nas costas da No­va Es­có­cia, onde en­tão pode ser en­con­tra­do. Por sua vez, em cer­tos Verões mais quentes, tam­bém se no­ta a sua es­cassez nos ban­cos da Ter­ra No­va, sendo, em con­tra­p