arti­da, abun­dante nas prox­im­idades da penín­su­la do Lavrador ou, mais ao norte, até ao es­tre­ito de Davis. 

  Quan­to ao peixe que fre­quen­ta os mares da Gronelân­dia, e que parece na­da ter de co­mum com o da Ter­ra No­va, pois é mais es­gal­ga­do e de pele mais es­cu­ra de­vi­do às pon­tu­ações serem mais pe­que­nas e di­fusas, ver­ifi­ca-​se o seu aparec­imen­to nes­sas par­agens sen­sivel­mente em Jun­ho, para quase de­sa­pare­cer to­tal­mente e por uma for­ma rel­ati­va­mente br­us­ca em mea­dos de Out­ubro. Ao que parece, em­igra para as costas da Is­lân­dia e da Norue­ga, onde a tem­per­atu­ra não é tão ex­ces­si­va du­rante o In­ver­no, de­vi­do à in­fluên­cia per­duráv­el da Cor­rente do Gol­fo, e nes­sa vi­agem atrav­es­sa o Atlân­ti­co ao lon­go do chama­do canal da Di­na­mar­ca. 

  Nos ban­cos que cir­cun­dam estes país­es, cu­jas costas são recor­tadas por fiordes, tam­bém se re­al­izam mi­grações, em­bo­ra de menor âm­bito, per­mitin­do, da­do o con­hec­imen­to dos su­ces­sivos lo­cais onde o peixe vai per­manecen­do para mel­hor se al­imen­tar ou para se re­pro­duzir, que, a bem diz­er, ha­ja pesca du­rante to­do o ano, tan­to mais abun­dante e de mel­hor qual­idade quan­to o re­forço dos mi­gradores e o seu re­spec­ti­vo es­ta­do nu­tri­ti­vo. O mes­mo deve vir a acon­te­cer na Gronelân­dia, onde há tendên­cia para o ba­cal­hau se tornar seden­tário, con­sti­tuin­do uma no­va raça.

  De­pen­den­do de vari­adís­si­mas condições ex­ter­nas, a re­pro­dução do ba­cal­hau efec­tua-​se em fins do In­ver­no e princí­pios da Pri­mav­era. Au­men­tam as ne­ces­si­dades res­pi­ratórias e por is­so as fêmeas pas­sam a fre­quen­tar águas menos pro­fun­das, mais ox­ige­nadas e de menor den­si­dade, onde tam­bém mais facil­mente se deslo­cam, não ob­stante o pro­gres­si­vo au­men­to de vol­ume do seu cor­po, em con­se­quên­cia do grande de­sen­volvi­men­to en­tão atingi­do pe­los seus órgãos sex­uais. Mas nem por is­so aban­dona a sua prefer­ên­cia pe­los fun­dos e ape­nas se limi­ta a procu­rar os relevos mais próx­imos da su­per­fí­cie líqui­da, em re­gra en­tre 300 a 150 met­ros de pro­fun­di­dade, na in­fluên­cia das águas con­ti­nen­tais, cu­ja tem­per­atu­ra é mais el­eva­da do que a nor­mal­mente ver­ifi­ca­da na água mais pro­fun­da dos ban­cos. 

  Os ma­chos, perseguin­do as fêmeas e aban­do­nan­do a sua vi­da de dis­per­são, vêm a con­sti­tuir, com elas, os grandes car­dumes das épocas do cio. To­dos, in­stin­ti­va­mente, procu­ram um meio de condições es­pe­ci­ais, onde o tra­bal­ho mais in­ten­so de as­sim­ilação res­pi­ratória e nu­tri­ti­va se­ja mais fá­cil, du­rante es­sa ex­aus­ti­va fase nup­cial. Ca­da fêmea, a par­tir dos qua­tro para seis anos, pode re­alizar, se­gun­do os tratadis­tas, umas dez a doze pos­turas, des­ovan­do en­tre cin­co a nove mil­hões de ovos. A fe­cun­dação é ex­ter­na e re­sul­ta da ejac­ulação do que os pescadores chamam a lei­tança, que os ma­chos ex­pelem ao nadarem em águas mais al­tas rel­ati­va­mente às per­cor­ri­das pelas fêmeas que es­tão a des­ovar. O es­per­ma es­tende-​se em ca­madas flu­tu­antes, for­man­do lençóis, através dos quais pas­sam os ovos quan­do se el­evam, sendo fe­cun­da­dos. Co­mo são pelági­cos, so­bre­nadam e ar­ras­tam-​se ao sa­bor das cor­rentes marí­ti­mas lo­cais. Mas nem to­dos são viáveis vis­to que, grande parte de­les, ou são in­geri­dos por out­ros peix­es ou pe­los próprios pro­gen­itores, ou são ar­ras­ta­dos para zonas de­masi­ado frias, não re­sul­tan­do a fe­cun­dação, quer pe­lo ex­ces­si­vo pro­longa­men­to do perío­do de in­cubação, quer por im­pos­si­bil­i