dade to­tal de eclosão. Em con­tra­parti­da, quan­do os ovos são ar­ras­ta­dos para águas mais, quentes, a sua in­cubação e eclosão pas­sam a ser fa­cil­itadas.

  Quan­do o ba­cal­hau nasce tem ape­nas três a qua­tro cen­tímet­ros de com­pri­men­to e ap­re­sen­ta um as­pec­to bem difer­ente do dos pro­gen­itores. Por es­sa al­tura ape­nas se al­imen­ta de plânc­ton (re­união de mi­cror­gan­is­mos em sus­pen­são na água). É a época em que maior des­baste sofre, de­vi­do à caça que lhe movem os restantes peix­es. Co­mo não ex­iste qual­quer reg­ulação tér­mi­ca (donde a tem­per­atu­ra do ba­cal­hau ser tão var­iáv­el co­mo a do meio am­bi­ente), as suas tro­cas as­sim­ilado­ras são re­duzi­das. Mes­mo as­sim o ba­cal­hau de­sen­volve-​se rap­ida­mente, atingin­do, aos cin­co meses de idade, dez a quinze cen­tímet­ros de com­pri­men­to. Procu­ra, en­tão, águas mais pro­fun­das, onde se al­imen­ta de al­gas, ver­mes e pe­quenos crustáceos. 

  Decor­ri­do um ano, tem já uns vinte e cin­co cen­tímet­ros de com­pri­men­to e, afa­stan­do-​se ain­da mais dos lo­cais onde nasceu, bus­ca águas mais frias, atraí­do, co­mo carnívoro que é, por out­ros al­imen­tos, co­mo pe­quenos aren­ques, lu­las, etc. Já nes­sa al­tura con­sid­er­ado adul­to, pas­sa, tam­bém, a ser re­con­heci­do co­mo o ter­ror dos out­ros peix­es, en­quan­to o homem o não é para ele próprio, no que, al­iás, ri­val­iza, na sua fúria perseguido­ra, com a das ra­ias, fo­cas, gatas e tubarões. 

  Em­bo­ra tu­do pos­sa servir para a al­imen­tação do ba­cal­hau, pos­to que o sabe­mos ca­paz de deg­lu­tir, con­jun­ta­mente com a pre­sa que o en­tu­si­as­mou, a própria al­ga e o cal­hau de su­porte, o fac­to é que tam­bém tem prefer­ên­cias e que es­tas nem sem­pre são as mes­mas. De­pois de Abril, quan­do aca­ba a des­ova nos mares da Ter­ra No­va e da No­va Es­có­cia, fi­ca ex­aus­to e es­gal­ga­do e reúne-​se ao sul da il­ha das Areias, procu­ran­do ban­cos menos pro­fun­dos, tam­bém procu­ra­dos pe­los lú­cios, pelas fanecas e pelas lu­las, que o ba­cal­hau persegue com louco en­tu­si­as­mo e sem des­can­so. É a al­tura das boas pescarias so­bre os ban­cos «Mid­dle Groud», de São Pe­dro, «Ban­quer­ou» e Grande Ban­co, es­pe­cial­mente so­bre o seu «Plati­er» ou próx­imo de «East­er Shol» ou dos Roche­dos da Virgem. 

  Con­hece­dores das referi­das prefer­ên­cias gas­tronómi­cas do ba­cal­hau, os pescadores, sem­pre que o po­dem faz­er, lev­am-​no ao en­go­do em­pre­gan­do os is­cos mais apro­pri­ados para lhe des­per­tar o apetite, tan­to mais vo­raz e de­scuida­do quan­to mais es­cas­sos se­jam nes­sa época os seus man­jares ha­bit­uais. Com efeito, se, em de­ter­mi­nadas al­turas, ele se ati­ra aos anzóis, onde se pren­deu, co­mo en­go­do, carne de qual­quer peixe, mo­lus­co, crustáceo ou ave mar­in­ha, ou, in­clu­si­va­mente, se não hesi­ta em se pre­cip­itar so­bre um sim­ples bo­ca­do de met­al bril­hante a que se dá o ilusório feitio de um peixe, noutras épocas, pe­lo con­trário, já nem to­dos os is­cos lhe servem, ten­do-​se por is­so que es­col­her os mais queri­dos à sua gu­lodice, so­bres­sain­do a lu­la co­mo o mais apete­ci­do, se­ja em que cir­cun­stân­cias for. Mas, co­mo nem sem­pre se con­segue en­go­dar os anzóis com frag­men­tos de lu­las (al­iás, muito du­radores e re­cu­peráveis nos anzóis «em bran­co»), têm os pescadores que jul­gar da opor­tu­nidade do em­prego de out­ros is­cos, co­mo o sandil­ho, o cape­lim, o arenque, o al­abote, a ga­ta e o ras­cas­so, ou mo­lus­cos, co­mo o «bu­lot», o «pitot», a con­cha de São Jaques e o «clarm», ou ain­da as aves aquáti­cas co­mo a gaiv­ina, a gaiv­ota, a ca­ga