ar. Teria havi­do ain­da pos­si­bil­idade, se­gun­do uma re­lação, de os colo­car em out­ras em­bar­cações e so­bre­tu­do na que lev­ava o gov­er­nador e a sua família. 

  No mo­men­to da par­ti­da, quan­do a jan­ga­da lev­ada a re­boque pelas seis em­bar­cações se afas­tou da fra­ga­ta aos gri­tos de «Vi­va o rei!», tin­ham to­dos bas­tante cor­agem. Os chefes destas em­bar­cações tin­ham ju­ra­do não aban­donar a jan­ga­da; de­vi­am sal­var-​se to­dos ou mor­rer to­dos jun­tos. 

  To­davia, tin­ham-​se an­da­do ape­nas duas léguas e já os ju­ra­men­tos es­tavam es­que­ci­dos. «Es­ta­va-​se no mo­men­to da vazante, diz o Sr. Cor­reard, que se acha­va na jan­ga­da, e as cor­rentes lev­avam as em­bar­cações para o largo. Achar-​se no mar largo em em­bar­cações sem cober­ta pode­ria in­spi­rar al­gum re­ceio, mas, em pou­cas ho­ras, as cor­rentes de­vi­am mu­dar e fa­vore­cer-​nos. Se­ria pre­ciso es­per­ar este mo­men­to que teria ev­iden­te­mente demon­stra­do a pos­si­bil­idade de nos levarem até à ter­ra. de que não es­tá­va­mos afas­ta­dos mais de dez a quinze léguas. Tan­to is­to era ver­dade que à tarde. antes do pôr do Sol, as canoas tiver­am con­hec­imen­to da cos­ta. Talvez se­ri­am forçadas a aban­donar-​nos na se­gun­da noite de­pois da nos­sa par­ti­da. se to­davia fos­sem pre­cisas mais de trin­ta e seis ho­ras para nos re­bo­carem para ter­ra. porque o tem­po es­teve muito mau. Mas ter-​nos-​íamos acha­do en­tão muito próx­imo de ter­ra e ser-​nos-​ia fá­cil sal­var­mo-​nos; pe­lo menos só nos teríamos a queixar dos el­emen­tos. Não acred­itá­mos real­mente. nos primeiros in­stantes. que éramos tão cru­el­mente aban­don­ados. Imag­iná­va­mos que as canoas havi­am larga­do. porque tin­ham avis­ta­do al­gum navio e cor­ri­am na sua di­recção para lhe pedir so­cor­ro.» 

  Quan­do se re­con­heceu que era uma ilusão con­tar com a vol­ta das em­bar­cações e que tin­ha havi­do real­mente um «salve-​se quem pud­er». ol­há­mo-​nos com pro­fun­do as­som­bro. Pouco a pouco os mais in­teligentes procu­raram re­an­imar os ân­imos e começaram a dar-​se con­tas ex­ac­tas da situ­ação: era hor­rív­el! 

  Os náufra­gos es­tavam de tal mo­do aper­ta­dos que era quase im­pos­sív­el mex­erem-​se. Muitos den­tre eles tin­ham uma parte do cor­po mer­gul­ha­da na água. Ven­do-​se, no mo­men­to da par­ti­da, a jan­ga­da en­ter­rar-​se na água com o pe­so dos home­ns, tin­ham-​se lança­do muitos bar­ris de far­in­ha ao mar. Ninguém tin­ha pen­sa­do nas pro­visões, de maneira que se achou so­mente um saco, con­tendo per­to de vinte e cin­co ar­ráteis de bis­coito, e, co­mo o saco es­ta­va mol­ha­do, o bis­coito es­ta­va re­duzi­do a pas­ta. Era in­evitáv­el a fome. Por be­bi­da, havia ape­nas seis bar­ri­cas de vin­ho e dois pe­quenos bar­ris de água.

  Por out­ro la­do, não havia nem car­tas, nem ag­ul­ha de marear, e a pe­que­na vela que se con­seguiu fixar ao mas­tro só po­dia servir com o ven­to em popa. 

  O bis­coito ape­nas serviu para uma fra­ca refeição pe­lo meio-​dia. Chegou-​se com bas­tante cal­ma à noite que foi ter­rív­el. porque o ven­to re­fres­cou muito. De ca­da vez que as on­das lev­an­tavam uma das ex­trem­idades da jan­ga­da, os pas­sageiros caíam uns so­bre os out­ros, e con­tin­uada­mente se ou­vi­am gri­tos de de­ses­pero. Quan­do chegou o dia, re­con­heceu-​se que uns vinte home­ns tin­ham de­sa­pare­ci­do. Al­guns tin­ham os pés en­ta­la­dos nas peças de madeira e o cor­po mer­gul­ha­do no mar; um só den­tre eles foi chama­do à vi­da pe­los cuida­dos de seus dois fil­hos. 

  Tive­mos ain­da du­rante este dia, que foi es­plên­di­do, a es­per­an