ela grande es­tavam tomadas havia pouco tem­po, quan­do sen­ti caírem al­gu­mas go­tas de água e re­fres­car a brisa. Man­dei fer­rar as ve­las ime­di­ata­mente, a so­taven­to; este tra­bal­ho fazia-​se de­va­gar e era pre­ciso an­imar os home­ns. En­quan­to as­sim es­tá­va­mos ocu­pa­dos, o agua­ceiro caiu a bor­do, tão rap­ida­mente e com tan­ta força que, con­quan­to man­dasse pôr o leme a barlaven­to e amainar a grande vela de gávea, dan­do tam­bém or­dem com re­lação à pe­que­na, a in­cli­nação tornou-​se perigosa e a água, pas­san­do por cima das pavesadas, en­trou pelas es­cotil­has. Não ven­do o navio ar­rib­ar, per­gun­tei ao ti­mo­neiro se o leme não es­ta­va a barlaven­to; disse-​me que sim e que o navio não obe­de­cia. Saltei à tam­pa da grande es­cotil­ha e chamei to­da a gente à cober­ta, para me de­sem­baraçar da grande vela de gávea e da vela grande; mas, lançan­do os ol­hos em torno, perce­bi que já era muito tarde e man­dei largar as es­co­tas das ve­las de gávea. In­fe­liz­mente es­ta or­dem não foi ex­ecu­ta­da e a água começou a en­trar nos caix­il­hos.

  O ti­mo­neiro chamou o capitão e não teve re­spos­ta. Ven­do o navio ala­ga­do, di­ri­gi-​me para a popa e ajudei os sen­hores Mau­reau e Burg­er a subirem ao flan­co do navio. Chamei o capitão e não tive re­spos­ta. O pa­trão do bote ocu­pa­va-​se em cor­tar-​lhe as peias quan­do o sen­tiu abaixar-​se-​lhe de­baixo dos pés e de­sa­pare­cer. Ape­nas chegá­mos, Burg­er, Mau­reau e eu, ao flan­co do navio, sub­mergiu-​se e tu­do de­sa­pare­ceu. 

  Co­mo sabia nadar con­servei-​me na água chaman­do pe­lo capitão. Es­ta­va de­ses­per­ado por não obter re­spos­ta. Dis­pun­ha-​me para me afas­tar, quan­do al­guém me agar­rou pe­los dois pés e afundá­mo-​nos am­bos. Fazia to­dos os es­forços para voltar à tona de água; vã es­per­ança; o des­graça­do que re­con­heci por um mal­gache aper­ta­va-​me com to­da a força e ar­ras­ta­va-​me com ele. Vim três vezes à flor da água e três vezes nos afundá­mos. En­fim, de­pois de muitos es­forços, con­segui soltar-​me e voltar à su­per­fí­cie. Come­cei a de­sem­baraçar-​me da roupa e di­ri­gi-​me para um pon­to ne­gro que não es­ta­va longe de mim. 

  Era uma bar­ri­ca vazia, agar­rei-​a com ân­sia e tomei al­gu­ma força. Começa­va o dia a apare­cer e tive con­hec­imen­to do Sr. Mau­reau. Per­gun­tei-​lhe se tin­ha al­gu­ma coisa para se con­ser­var à flor da água; re­spon­deu-​me que tin­ha metade de uma an­te­na de joanete, que se tin­ha de­spren­di­do dos mas­tros. Fize­mos cam­in­ho jun­tos. 

  Pouco tem­po de­pois, um ter­ceiro, Lavaquaire, jun­tou-​se a nós, ten­do um cav­alete da chalu­pa, e pela man­hã tive­mos a fe­li­ci­dade de sal­var um dos nos­sos com­pan­heiros, Cuviller, que es­ta­va próx­imo de nós e ia afog­ar-​se. Recol­he­mos tam­bém um dos mas­tros da em­bar­cação dos ofi­ci­ais. De­pois de ter­mos lig­ado os mas­tros com pedaços da camisa do Sr. Mau­reau, fize­mos to­dos qua­tro cam­in­ho para ter­ra, de que es­tá­va­mos afas­ta­dos próx­imo de qua­tro léguas e para onde o mar, os ven­tos e as cor­rentes nos lev­avam. Mais tarde, avistá­mos sete dos nos­sos com­pan­heiros que se tin­ham agar­ra­do a uma bar­ri­ca vazia; mas, co­mo não fazi­am movi­men­to al­gum e nós nadá­va­mos em di­recção à ter­ra, perdê­mo-​los de vista, em pouco tem­po. 

  Os agua­ceiros er­am menos fre­quentes, mas muito fortes, e a chu­va, que era ex­ces­si­va­mente fria e caía em tor­rentes, fazia-​nos tremer de frio. Tive­mos con­hec­imen­to de uma pra­ia de areia que es­ta­va di­ante de nós e da qual parecíamos aprox­imar-​nos bas­tante rap­ida­mente. As nos­sas forças dimin­u