is mon­ges de cruz em riste e ol­hos no céu, ladain­han­do para que ele se abra. O coro­nel lem­brará as danças da chu­va dos ín­dios do seu país e lamen­tará que os de­scen­dentes dos ín­dios das pam­pas há muito ten­ham per­di­do memória das en­can­tações an­ces­trais, talvez mais efi­cazes do que as in­génuas orações que ora bradam num castel­hano can­ta­do. 

  E será talvez por ter pos­to o pen­sa­men­to nas vias de co­mu­ni­cação com o que es­tá em cima que ao co­man­dante ocor­rerá mais tarde, nu­ma ev­idên­cia ful­mi­nante, uma so­bre­vivên­cia longín­qua das aulas de West Point. Recor­dará o vel­ho ma­jor Rum­bolt Payne, a cox­ear pau­sada­mente por en­tre as fi­las de cadetes sono­len­tos e a ex­plicar aos berros, co­mo era seu hábito, que de­pois de uma batal­ha in­evi­tavel­mente chove e nun­ca ninguém con­seguiu saber porquê. lo­go o coro­nel saltará da ca­ma e de­cidirá pôr em práti­ca o en­si­na­men­to. 

  In­spi­ra­do, naque­la ex­al­tação de al­ma a que não valem as pre­venções do bom sen­so nem as cen­suras da trans­gressão, es­tará, em pouco, o coro­nel, de mãos na il­har­ga, a meio da para­da, per­ante a tropa es­tremunha­da. 

  Gri­tam-​se vozes de grad­ua­do em grad­ua­do, as fileiras des­fazem-​se num grande re­boar de bo­tas, as sirenes uiv­am e, aber­tas as por­tas, nu­ma azáfama alar­ma­da, col­unas mo­tor­izadas e de pé, es­tron­de­an­do ru­mor de mo­tores e ladrar de or­dens, saem do perímetro e vão ocu­par um out­eiro próx­imo.

  Ain­da virá longe a man­hã, já to­das as ar­mas ex­is­tentes na base es­tarão aprontadas, com mim num cer­to pon­to do céu que o coro­nel há-​de de­ter­mi­nar, com base em cál­cu­los tão ar­bi­trários quan­to por­menoriza­dos, aju­da­do daque­les in­stru­men­tos mil­itares fos­cos e in­úteis que dão ape­nas a ilusão de que se pode pôr coisas a man­dar em coisas. 

  Ao romper do Sol será da­da or­dem de fo­go e a batal­ha fin­gi­da começará, nu­ma de­fla­gração tremen­da, em emaran­ha­da pirotec­nia de lu­minárias corre­dias, até dois terços das mu­nições da base terem si­do con­sum­idas. 

  In­ter­es­santes se­ri­am as ime­di­atas con­se­quên­cias dis­to, com o alvoroço das pop­ulações em vol­ta, as crat­eras aber­tas na pam­pa, um cam­panário de­struí­do e um forno de pão per­fura­do, in­úmeros ca­sos de sur­dez en­tre os mil­itares, um cão mor­to e a per­spec­ti­va mais que cer­ta de pro­ces­so mar­cial para o coro­nel Gala­had. 

  Porém, im­por­ta diz­er que não choverá e que aque­la es­pi­ral de fu­mos aver­mel­ha­dos que se deslo­cará a cam­in­ho do mar, não será por cer­to a re­spos­ta es­per­ada dos céus à provo­cação do coro­nel que, ces­sa­do o fo­go e antes de ser de­ti­do, per­scru­tará em vão os ares, na mi­ra de uma go­ta de água que se­ja. Será, porém, per­fura­do o pon­to em que se ger­am os tor­na­dos e as con­se­quên­cias não tar­darão. Nes­sa mes­ma man­hã, ao largo da cos­ta, as­si­stir-​se-​á à for­mação de um es­tran­ho tor­na­do, a par­tir de um tur­bil­hão de nu­vens ver­mel­has no céu. 

  Quem o vir, de bor­do de qual­quer em­bar­cação, não terá muito tem­po para se mar­avil­har com o fenó­meno que, de­pois de ser­pen­tear à toa pela tona do mar, de haste mais e mais en­grossa­da por um bor­bul­har de águas, virá ao en­con­tro do navio ob­ser­vador, con­trar­ian­do as nor­mas ha­bit­uais dos tor­na­dos, que sem­pre ten­dem a fu­gir das nave­gações, e en­goli-​lo-​á em dois cre­dos. 

  A trompa, re­volve­do­ra de ares e de on­das, muitas out­ras demon­strações dará de in­con­formi­dade com os pre­ceitos a que os tor­na­dos acos­tu­maram os home­ns. 

  O ténue fil­amen­to coleante qu