ra ele por um íman de­scon­heci­do. 

  Era amor, amor adúl­tero o que sen­ti­am estes qua­tro entes? 

  Talvez. Quem o poderá diz­er ho­je, quan­do na­da res­ta dos seus cadáveres? 

  Só Deus o sabe. 

  Porém, ca­da um dos qua­tro com­preen­deu o que se pas­sa­va no coração ou, pe­lo menos, no es­píri­to dos out­ros três. 

  Des­de esse dia as mul­heres odi­aram-​se com to­do o ran­cor de duas ri­vais, com o tor­pe ran­cor de adúl­teras! Os home­ns medi­ram-​se com furor, e sem diz­erem de parte a parte uma palavra levaram a mão ao pun­ho das es­padas! 

  Dona Leonor, por sua prudên­cia, pôde evi­tar um con­fli­to ver­gonhoso en­tre Cata­ri­na e Madale­na. O vice-​rei im­pediu que as es­padas saíssem das bain­has e que hou­vesse a bor­do um du­elo de morte en­tre Dom Mar­tin­ho e Brito. 

  Já en­tão o mês de Jul­ho to­ca­va o seu ter­mo, e ao descair de uma cal­mosa tarde dos trópi­cos, bradou da gávea do tra­que­te o so­ta-​gajeiro: 

  -Ter­ra por barlaven­to da proa! 

  Era o focin­ho do Cabo Ne­gro onde jaz o úl­ti­mo padrão das de­scober­tas africanas de Dio­go Cão. 

  To­dos ficaram con­tentes a bor­do, que vin­ham las­sos da vi­agem, alme­jan­do re­pousar al­guns dias e re­faz­er-​se de man­ti­men­tos e agua­da. 

  Pouco porém durou a ale­gria, porque o mes­mo mar­in­heiro tornou a bradar da gávea, anun­cian­do out­ra no­va bem di­ver­sa: 

  -Duas ve­las por gilaven­to! 

  -Grandes ou pe­quenos bar­cos? -per­gun­tou o capitão. 

  -Grandes e veleiros; pare­cem-​me naus de in­gre­ses ou fra­men­gos. 

  -To­ca a pos­tos! -gri­tou o capitão-​mor.

  -A min­ha es­pa­da! Tragam-​me a min­ha es­pa­da! -disse o vice-​rei que mal po­dia ter-​se nas per­nas, por efeito da doença. 

  -As nos­sas es­padas! -acres­cen­taram os dois cav­aleiros ri­vais, es­que­cen­do mo­men­tanea­mente os seus agravos para se unirem na de­fe­sa do pavil­hão na­cional. 

  As dez peças (cin­co por ban­da) da tol­da, foram lo­go guarneci­das com sol­da­dos e moços; out­ras tan­tas que havia na cober­ta foram con­fi­adas aos pas­sageiros e es­cravos; e as suas meias-​es­peras da popa (guar­da-​lemes) ficaram con­fi­adas ex­clu­si­va­mente aos fi­dal­gos. Os pa­jens con­duzi­am a pólvo­ra do paiol para a ba­te­ria; e as mul­heres, in­clu­sive as de al­ta no­breza, en­car­regaram-​se de acud­ir com água aos com­bat­entes se­quiosos. 

  Em menos de meia ho­ra tu­do es­ta­va a pos­tos e lestes; e já se enx­er­gavam dis­tin­ta­mente os cas­cos dos dois navios e as bo­cas das suas peças: er­am naus de guer­ra e procu­ravam o galeão. 

  -Icem a ban­deira e firmem-​na com um tiro! -bradou o capitão. 

  As­sim o fez. 

  E os fo­ga­chos de dois tiros, segui­dos do fu­mo e ri­bom­bo, re­spon­der­am a este con­vite, em com­pan­hia do pavil­hão neer­landês, que subia va­garosa­mente ao tope das naus. 

  O com­bate era in­evitáv­el! 

  V. Guer­ra e Peste 

  As duas naus holan­desas, mais sól­idas, mais veleiras e mais bem ar­til­hadas do que a nos­sa, chegaram com to­do o pano à proa do Enxo­bre­gas; e manobran­do com ac­er­to, pas­sou uma de­las a raste­jar com o gu­rupés do galeão, que tam­bém as procu­ra­va, e pro­lon­gou-​se-​lhe com o costa­do de es­ti­bor­do, en­quan­to a out­ra pas­san­do por bom­bor­do lhe deu uma ban­da, e me­teu em segui­da a vi­rar. 

  O Enxo­bre­gas acha­va-​se en­tre dois fo­gos, e con­hecia a van­tagem que lhe lev­avam os con­trários; mas tam­bém con­ta­va muito com o val­or da sua gente, prin­ci­pal­mente se chegassem ã abor­dagem, em que a valen­tia pes­soal se po­dia ex­per­imen­tar nas ar­mas bran­cas. 

  O capitão Morais man­dou pois diminuir de pano, o que se ex­ecutou sem con­fusão, ã voz de