rnição por­tugue­sa, a uma voz, re­quereu que se lançassem ao mar os batéis, e que se sal­vassem da água os in­imi­gos que hou­vessem es­capa­do do fo­go. 

  Não sucedeu as­sim aos nos­sos da nau Cha­gas, em 1591, pois que ar­den­do-​lhe a em­bar­cação, quan­do com­ba­ti­am com três va­sos in­gle­ses, foram re­ce­bidos nas pon­tas das lanças britâni­cas, e muitos de­les as­sas­si­na­dos, en­tre as va­gas do oceano! 

  O es­quife e os batéis de­sce­ram com efeito ao mar, e os mar­in­heiros à por­fia se lançaram a eles para irem sal­var os náufra­gos. Com grande tra­bal­ho ain­da con­seguiram traz­er para bor­do do galeão uma dúzia de in­fe­lizes, mas to­dos eles mu­ti­la­dos, e dos quais nem um só es­capou à morte, prove­niente das feri­das. De­pois di­ri­gi­ram-​se, segui­dos do galeão, para a out­ra nau, ar­vo­ran­do ban­deira bran­ca, e sem re­sistên­cia se apos­saram dela, de­sar­vo­ra­da, e que já se ia a pique, com a mui­ta água que fazia. Cen­to e doze pri­sioneiros, en­tre ofi­ci­ais, sol­da­dos e maru­ja, en­traram a bor­do do Enxo­bre­gas, e foram aí muito bem trata­dos, prin­ci­pal­mente os feri­dos. 

  A per­da dos por­tugue­ses fo­ra pe­que­na, em re­lação ao en­car­niça­men­to do com­bate. Dois mor­tos e onze feri­dos, tu­do mar­in­heiros e es­cravos. Dos holan­deses perdera-​se o almi­rante, e mais de duzen­tos trip­ulantes da fro­ta. Quan­to às suas em­bar­cações, se uma se es­pal­hara em pedaços so­bre as on­das, co­mo vi­mos, a out­ra não tar­dou em sub­mer­gir-​se nas águas! 

  As­sim ter­mi­nou es­ta ren­hi­da pele­ja; e o galeão seguiu a sua ro­ta di­rec­ta­mente para An­go­la, pois que, de­sas­som­bra­do de in­imi­gos, tin­ha ocasião de deitar aci­ma uma no­va ver­ga de tra­que­te, em lu­gar da que se par­ti­ra. 

  Seguin­do ao lon­go da cos­ta de África, em dis­tân­cia de cin­co léguas dela avis­taram as bar­reiras es­cal­vadas, onde o mar reben­ta com fúria ao sul da An­gra do Ne­gro (ho­je chama­da baía de Moçâmedes); de­pois o mor­ro do Som­breiro, ex­trem­idade merid­ion­al da baía de Benguela, onde começa­va a pros­per­ar uma coló­nia por­tugue­sa, fun­da­da aí em 1617, e que se tornou em cidade muito com­er­cial, mas as­saz doen­tia; em segui­da enx­er­garam o mor­ro de Benguela-​a-​Vel­ha, que dá ideia do Cabo Es­pichel, na nos­sa cos­ta, após o Cabo Le­do (bem pouco le­do que ele é!) E lo­go a pon­ta da Palmeir­in­ha, e a il­ha de Lu­an­da, e a cidade de S. Paulo. 

  Bor­de­jan­do, do­braram a pon­ta da il­ha e sur­gi­ram em frente da feito­ria, onde en­tão se despachavam os ne­gros para o Brasil. 

  Do out­ro la­do via-​se a cidade, ador­na­da de ban­deiras e gal­hard­etes, por ser o dia 15 de Agos­to, ter­ceiro aniver­sário da restau­ração de Lu­an­da, do poder dos holan­deses, por Sal­vador Cor­reia de Sá e Bene­vides. 

  A maior parte da trip­ulação e pas­sageiros, es­coltan­do os cativos holan­deses, de­sem­bar­cou pouco de­pois de amar­ra­do o navio, e di­rigiu-​se ao palá­cio do gov­er­no, donde em com­pan­hia deste, do ven­eráv­el bis­po, cóne­gos e mais ecle­siás­ti­cos da sé de An­go­la e Con­go, com acom­pan­hamen­to tam­bém de muito po­vo cu­rioso, foram ren­der graças a Deus e à Virgem San­ta de os traz­er até ali a sal­va­men­to, e com per­da dos in­imi­gos da re­ligião católi­ca, ante o al­tar de Nos­sa Sen­ho­ra da As­sunção, que se fes­te­ja­va nesse dia, e que de­ra so­brenome à cidade. 

  A noite pas­sou-​se em fol­gares; mas lo­go na man­hã seguinte se tra­tou de reparar o galeão, para seguir mel­hor apar­el­ha­do na vol­ta de Lis­boa de que viera até ali, tan­to no que dizia re­speito à nave­gação, co­mo ao en­con­tro de in­imi­gos, porém a carnei