que habitam o mar. O fenó­meno da fos­forescên­cia é prin­ci­pal­mente pro­duzi­do por um in­fusório lu­mi­noso chama­do noc­tilu­ca mil­iaris, de cu­ja es­pé­cie ex­is­tem vinte e cin­co mil in­di­ví­du­os em ca­da trin­ta cen­tímet­ros cúbi­cos de água!

  Os foram­inífer­os são tão in­fini­ta­mente pe­quenos e tão in­fini­ta­mente abun­dantes que d'Or­bigny con­tou per­to de qua­tro mil­hões dess­es in­di­ví­du­os nu­ma só onça de areia. Enormes tratos de ter­ra firme são for­ma­dos dos de­spo­jos de foram­inífer­os an­te­dilu­vianos. Des­ta na­tureza é o so­lo em que nasce o vin­ho de Cham­pan­he; têm igual for­mação os roche­dos que no Egip­to servem de al­icerce às pirâmides, e bem as­sim as mon­tan­has do Chile e a cordil­heira dos Apeni­nos.

  As mar­avil­hosas il­has de coral, que so­bres­saem co­mo mi­ra­gens à su­per­fí­cie do oceano, são ver­dadeiras eflo­rescên­cias da vi­da an­imal sub­ma­ri­na. Es­sas il­has são for­madas, se­gun­do Dar­win, de enormes aglom­er­ações de póli­pos. Idên­ti­ca origem têm os vastís­si­mos re­cifes dos mares da Aus­trália, da No­va Caledó­nia e do oceano Índi­co. De póli­pos an­te­dilu­vianos são ain­da com­postas al­gu­mas regiões con­ti­nen­tais, co­mo por ex­em­plo a cordil­heira do Ju­ra, sepul­cro enorme de miríades de habi­tantes de um mar ex­tin­to, cu­jas águas de­sa­pare­ce­ram da Eu­ropa co­mo de um es­quele­to hu­mano de­sa­pare­ceu va­por­iza­da a porção de água que con­sti­tuía com ele os el­emen­tos vi­tais de um anti­go or­gan­is­mo. 

  Fo­ra da legião dess­es pe­queni­nos entes, só per­cep­tíveis ao mi­croscó­pio, e de cu­ja aglom­er­ação se fazem as il­has, os re­cifes e as mon­tan­has, não é menos as­som­brosa a fer­til­idade imen­sa do oceano.

  Ca­da arenque tem sessen­ta mil ovos. En­tre a Es­có­cia, a Holan­da e a Norue­ga a su­per­fí­cie do mar co­bre-​se in­teira­mente com os aren­ques que vêm na Pri­mav­era amar-​se à luz do sol. Em cer­tas pas­sagens es­tre­itas con­ta Michelet que o mar se tor­na sóli­do, que é im­pos­sív­el re­mar. Per­to do Havre um pescador en­con­tra na sua rede oiten­ta mil peix­es. Em uma parte da Es­có­cia, nu­ma só noite, enchem-​se de aren­ques onze mil bar­ri­cas. Em Por­tu­gal, na cos­ta de Es­pin­ho, no tem­po da sardinha, uma só rede pro­duz 900 mil réis. Na Póvoa de Varz­im a im­portân­cia das transacções feitas em uma só praça el­eva-​se a 20 con­tos. Na pra­ia da Nazaré ain­da este ano refe­ria um per­iódi­co que se vendeu a car­ra­da de sardinhas por 240 réis -para es­tru­mar a ter­ra.

  Di­ante da areia húmi­da e fre­mente, aban­don­ada pela on­da que recol­he, um sábio pro­fes­sor alemão, pre­mat­ura­mente ar­rebata­do pela morte aos grandes es­tu­dos da vi­da no mar, Ed­ward Forbes, ex­cla­ma­va: 

  «Que pági­na de hi­erógli­fos! Ca­da lin­ha de so­lo e de roche­do tem por car­ac­teres par­tic­ulares fig­uras vi­vas; e ca­da figu­ra é um mis­tério. As aparên­cias po­dem ser pre­cisa­mente de­scritas, o sen­ti­do ín­ti­mo foge à pen­etração do es­píri­to hu­mano.»

  No mar, tan­to o veg­etal co­mo o an­imal encer­ram uma lição pro­fun­da. Dizia bem Hum­boldt que o es­tu­do do oceano era a prin­ci­pal ini­ci­ação para o con­hec­imen­to do cos­mos.

  Um pe­queni­no e ob­scuro an­imal bas­ta para ex­plicar ao ob­ser­vador in­struí­do a con­fig­uração das ter­ras e dos mares. O mo­lus­co ou o zoó­fi­to, apare­cen­do em il­has longín­quas, de­ter­mi­nam que em cer­ta época es­tiver­am es­sas il­has lig­adas aos con­ti­nentes. O carangue­jo e o anélide, que habitam regiões dis­tin­tas, provam a anti­ga co­mu­ni­cação de dois mares.

  O mar­avil­