eix­es lhe não co­mam a nin­ha­da. 

  Os cara­paus são uma das pou­cas ex­cepções à re­gra ger­al que pre­side ao mo­do co­mo os peix­es se amam. A maior parte de­les não con­hecem as mães dos seus fil­hos. As fêmeas, ten­do de­posi­ta­do os ovos em lu­gar opor­tuno para o seu de­sen­volvi­men­to, re­ti­ram-​se. Os ma­chos vêm em segui­da, fe­cun­dam os ovos e re­ti­ram-​se tam­bém. A Na­tureza é a grande ro­da dess­es eter­nos ex­pos­tos. A família de que eles pro­ce­dem não se reúne nun­ca.

  Tam­bém, o que se­ria du­ma po­bre família de peix­es, se eles se lem­brassem de adop­tar, cri­ar, ed­ucar e de­fend­er to­dos os fil­hos com que a Providên­cia abençoa os seus con­sór­cios! Imag­ine-​se um des­graça­do rodoval­ho, que põe nove mil­hões de ovos! Uma tain­ha, que põe treze mil­hões de ovos! 

  Ain­da as­sim, há peix­in­hos que amam seus fil­hos, que tra­bal­ham, que se dedicam por eles. Citei já o cara­pau. Se­ria fac­cioso se ocul­tasse o nome da tru­ta, a qual faz uma co­va onde en­ter­ra os seus ovos, e o da hipocam­pa, a qual tem jun­to da cau­da uma es­pé­cie de bol­sa, em que recol­he os ovos du­rante o perío­do da in­cubação. 

  As ra­ias e os es­qua­los apre­ci­am tam­bém as con­vivên­cias do amor, procu­ram as suas fêmeas, seguem-​nas, galanteiam-​nas, fazem-​lh­es a sua corte. 

  Em con­fir­mação da teo­ria dar­wini­ana da se­lecção sex­ual, ci­ta-​se um peixe chinês, ul­ti­ma­mente in­tro­duzi­do em França por um pis­ci­cul­tor de Paris, chama­do Car­bon­nier. Na época da des­ovação, o alu­di­do peixe é, jun­to da sua fêmea, de uma ter­nu­ra in­ex­cedív­el. Abraça-​a, cur­van­do lat­eral­mente para esse fim o seu cor­po em semicír­cu­lo, cinge-​a es­tre­ita­mente, parece quer­er bei­já-​la. En­golin­do bol­has de ar, ex­pul­sa-​as em segui­da en­voltas nu­ma ténue mem­brana al­bu­minosa, e con­strói por esse meio à tona de água uma es­pé­cie de dos­sel de es­puma, de­baixo do qual cel­ebra as suas núp­cias e fe­cun­da os seus ovos à me­di­da que eles são de­pos­tos pela fêmea. Co­mo os ovos fi­cam dis­per­sos na água, o ma­cho recol­he-​os na bo­ca, trans­porta-​os para de­baixo do seu tec­to de es­puma, onde os reparte cuida­dosa­mente, para que fiquem to­dos em iguais condições. Nasci­dos os peix­es, o pai con­sagra-​lh­es os mes­mos cuida­dos e os mes­mos car­in­hos que havia ded­ica­do aos ovos. É notáv­el que estes peix­es, em que os dois sex­os se amam com tão ex­traordinário car­in­ho, são, se­gun­do afir­ma o Sr. Per­ri­er, do Museu de História Nat­ural de Paris, os mais be­los que se têm vis­to. -Um sim­ples peixe chinês! Ve­jam! Que ver­gonha para os peix­es eu­ropeus!

  O sábio Agas­siz, nu­ma car­ta. data­da de Tomás, so­bre a ex­plo­ração do mar de Sar­gaços, ref­ere que o peixe chama­do por Cu­vi­er chi­ronectes pic­tus con­strói para os seus ovos um nin­ho em que a sua progénie fi­ca mis­tu­ra­da com os el­emen­tos que servi­ram para a con­strução da ar­ca sal­vado­ra. Co­mo ess­es ma­te­ri­ais são ramos vivos de sar­gaço, este berço, diz o ilus­tre nat­ural­ista, flu­tuan­do so­bre o oceano pro­fun­do, ofer­ece ao mes­mo tem­po, à nin­ha­da que encer­ra, a pro­tecção e o sus­ten­to de que ela ne­ces­si­ta. 

  A ra­ia tem o priv­ilé­gio de um ol­fac­to tão fi­no, tão sen­sív­el e tão del­ica­do, que muitas vezes os seus ner­vos a obrigam, co­mo nós diríamos, a pôr o lenço no nar­iz. Para re­alizar es­ta op­er­ação dis­põe a ra­ia de uma fi­na mem­brana, uma es­pé­cie de véu, em que en­volve o órgão olfác­ti­co. 

  Al­guns peix­es têm uma es­pé­cie de voz, is­to é, dis­põem de cer­tos sons que emitem quan­do querem, refu­tan­do as­sim o pro