lóquio com que se car­ac­ter­iza a elo­quên­cia de cer­tos par­la­mentares: mu­dos co­mo peix­es. 

  À Academia das Ciên­cias de Paris mostrou há pouco tem­po o Sr. Du­fos­sé que duas es­pé­cies de uns pe­queni­nos peix­es, ex­trema­mente ob­scuros e feiís­si­mos, pro­duzem, quan­do se lh­es pe­ga, um es­tremec­imen­to in­ten­so, acom­pan­hado de um ruí­do, e às vezes de um som comen­su­ráv­el. Es­tas vi­brações são ver­dadeiros ac­tos de ex­pressões in­stin­ti­vas, e têm por causa a trem­ulação mus­cu­lar -rev­elação cu­riosa da pro­priedade que po­dem ter os mús­cu­los de cri­ar man­ifes­tações acús­ti­cas. 

  As cores dos peix­es, al­gu­mas tão bril­hantes, tão sump­tu­osas, e ao mes­mo tem­po tão efémeras e tão mutáveis que con­stan­te­mente se es­tão suce­den­do e var­ian­do nos mes­mos in­di­ví­du­os, re­con­heceu-​se re­cen­te­mente que er­am de­pen­dentes da qual­idade dos raios lu­mi­nosos que im­pres­sion­am a vista destes an­imais. Para os peix­es e para os crustáceos, o ol­ho é o pon­to de par­ti­da de um aba­lo ner­voso que se trans­mite à pele e pro­duz uma mu­dança mais ou menos com­ple­ta na col­oração. Co­mo é -es­tá claro -por in­ter­mé­dio dos ner­vos que a im­pressão prim­iti­va do ol­ho se trans­mite à pele, cor­ta­dos cer­tos ner­vos em cer­tos peix­es, al­tera-​se-​lh­es a cor ger­al e trans­for­ma-​se-​lh­es em riscas ze­bradas. A razão é que se in­ter­cep­tou em parte, e em parte se deixou propa­gar, o aba­lo de que a reti­na é a sede, e cu­jo agente são as ir­ra­di­ações emi­ti­das pe­lo am­bi­ente. A cor dos peix­es al­tera-​se se­gun­do a cor do aquário em que eles vi­vam. Se porém um peixe ce­ga, a sua cor fi­ca imutáv­el e per­ma­nente, qual­quer que se­ja a cor pro­movi­da no meio em que ele se acha. O' mes­mo que se dá com os peix­es sucede com os crustáceos. Tiran­do-​lh­es os ol­hos deix­am de mu­dar de cor. São co­mo nós: ce­gos, fi­camos in­difer­entes à os­ten­tação aparatosa da toi­lette.

  O mar tor­na-​nos imag­ina­tivos, faz-​nos propen­der para a con­tem­plação, para a ociosi­dade, para a va­ga saudade, para a in­defini­da melan­co­lia. Este es­ta­do poéti­co é dos mais perigosos. Pros­tra, en­fraque­ce, de­sar­ma o carác­ter. É por is­so que as mul­heres, à beira-​mar, nos dias do­ces e en­er­vantes do Ou­tono, pre­cisam mais do que nun­ca de se retem­per­arem na apli­cação, no es­tu­do, na ac­tivi­dade in­telec­tu­al. 

  Pos­sam as breves lin­has que deixo es­critas in­spi­rar-​te, leito­ra, ami­ga leito­ra, a cu­riosi­dade dos es­tu­dos da Na­tureza, a de­cifração dos mis­térios da vi­da no in­te­ri­or do mar! 

  Aí o tens, boa ami­ga, o vas­to, o poderoso oceano! Procu­ra con­hecê-​lo. Ele será o teu mel­hor, o teu mais fiel ami­go, o teu médi­co, o teu mestre, o namora­do do teu es­píri­to. 

  Tu­do aqui­lo de que pre­cisa o teu abati­do or­gan­is­mo, a tua imag­inação, o teu carác­ter, a tua al­ma, o mar pos­sui para to dar. 

  Ele tem o fos­fa­to de cal para os teus os­sos, o io­do para os teus teci­dos, o bro­mure­to para os teus ner­vos, o grande calor vi­tal para o teu sangue de­sco­ra­do e ar­refe­ci­do.

  Para as cu­riosi­dades do teu es­píri­to ele tem as mais in­ter­es­santes histórias, os mais en­gen­hosos ro­mances, os mais co­moventes dra­mas, as mais prodi­giosas leg­en­das.

  Para as fraque­zas da tua imag­inação, da tua sen­si­bil­idade, da tua ter­nu­ra, tem fi­nal­mente a grande força austera, sim­ples, tenaz, im­placáv­el, que na ter­ra se não en­con­tra senão dis­per­sa, em pe­que­nas parce­las, pe­lo que há de mais sub­lime e de mais cul­mi­nante na hu­manidade: a al­ma dos heróis e o coração das mães; -fo