 e glo­rioso da re­sistên­cia du­ma cul­tura e du­ma pá­tria dezenas de vezes sec­ulares ao in­va­sor semibár­baro, que es­trib­ava a sua su­pe­ri­or­idade na adopção há­bil de to­dos os in­stru­men­tos de chaci­na que o Oci­dente cristão de­sco­bri­ra e el­evara a padrões de pro­gres­so.

  Ter­mi­na­da a guer­ra com a que­da dos im­périos Ger­mâni­co e Nipóni­co, o Dr. Hu, cansa­do das mi­grações de mil­hares de quilómet­ros na cau­da dos exérci­tos em re­ti­ra­da, fati­ga­do do pa­pel de re­sistente n.º I das élites do seu país, aceitou o con­vite do Gov­er­no in­glês para ir lec­cionar em uni­ver­si­dades britâni­cas e com­ple­tar nos ar­quiv­os do British Mu­se­um as in­ves­ti­gações, em que an­da­va havia muito em­pen­hado, so­bre o pa­pel dos Eu­ropeus na Chi­na nos sécu­los XVI a XVI­II. Es­sas in­ves­ti­gações levaram-​no, in­evi­tavel­mente, ao con­tac­to com os Por­tugue­ses, cu­ja cróni­ca, nem sem­pre lison­jeira, preenchia parte da história das re­lações sino-​oci­den­tais através dos fas­tos e da decadên­cia da Cidade do San­to Nome de Deus de Macau. E ago­ra ali es­ta­va eu a seu la­do, rep­re­sen­tante dess­es por­tugue­ses e até, para mais, co­mo eles, anti­go habi­tante de Macau.

  Muito con­ver­sá­mos naque­las tardes qui­etas. O pro­fes­sor Hu, ao ver­ificar que a guer­ra não find­ara e que o seu país con­tin­ua­va cam­po de batal­ha, trava­da já não con­tra es­trangeiros mas en­tre na­cionais, preferiu pro­lon­gar sem ter­mo fixo a es­ta­da na Grã-​Bre­tan­ha e man­ter-​se afas­ta­do da no­va pugna en­tre um cre­do que se ex­tin­guia na ex­aus­tação da lu­ta de­mor­ada e out­ro que de­spon­ta­va, atrain­do as mas­sas com as promes­sas que ele, mestre da História, sabia serem vãs.

  Na Chi­na só lhe resta­va um ente queri­do: o fil­ho. Du­rante a dé­ca­da quase in­teira de guer­ra man­tivera-​o nos Es­ta­dos Unidos a ed­ucar. Poupara-​o à fun­da dev­as­tação que deixara exangue a ter­ra da Chi­na; ex­imi­ra-​o às suas an­danças in­find­áveis em com­boios ab­sur­dos, em jun­cos que ameaçavam afun­dar-​se nos rios, em car­avanas me­tral­hadas pe­los aviões do Sol Nascente e diz­imador. Em 45 o fil­ho com­ple­tara em Yale o cur­so de Di­re­ito; po­dia re­gres­sar à pá­tria su­posta­mente paci­fi­ca­da, com o nome au­re­ola­do do pai e a bagagem de lim­ita­da cul­tura que as uni­ver­si­dades yan­kees ex­por­tam com a Co­ca-​co­la e a tele­visão.

  O Dr. Hu (K. W., na­da de con­fusões com o vel­ho pro­fes­sor de História e Filosofia, com o in­signe co­men­ta­dor da poe­sia do im­per­ador Shih Tsun, que fez mor­rer no cárcere os em­baix­adores por­tugue­ses) -o Dr. Hu, ao re­gres­sar dos Es­ta­dos Unidos, en­con­trou-​se em Hong Kong com o pai, que ali o es­per­ava antes de tomar o avião que o con­duziria a Inglater­ra. Ofer­ecia-​se-​lhe na no­va Chi­na um fu­turo promis­sor; o nome pa­ter­no ser-​lhe-​ia cre­den­cial in­es­timáv­el; e ele tin­ha vinte e poucos anos e o prestí­gio dum diplo­ma uni­ver­sitário amer­icano con­sid­er­ado do mel­hor quilate. Começou a tra­bal­har no foro de Hong Kong, co­mo aju­dante, para as­sun­tos chi­ne­ses, dum ad­vo­ga­do de nomea­da na coló­nia britâni­ca. 

  Kêng Wei, nomes a que cor­re­spon­di­am as ini­ci­ais que viri­am a cele­brizar-​se tris­te­mente em Inglater­ra, fo­ra com­pan­heiro de es­tu­dos, em Yale, du­ma ra­pari­ga da sua raça, A-​lin, fil­ha dum ar­mador ri­co do Sul da Chi­na, Siu-​Chan, que de­pois de re­for­ma­do das lides mer­can­tis se es­ta­bele­cera em Macau, nu­ma bela casa apalaça­da que adquir­iu, so­bran­ceira à Pra­ia Grande, Ain­da con­heci A-​lin em garo­ta e con­vivi muito com o pai, grande au­tori