n­tro da sel­ha. Es­tá tu­do pron­to a largar por mão. 

  Se a Baleia lev­asse mais lin­ha, co­mo se­ria nat­ural, tin­ha de re­ti­rar muito rápi­do as voltas pas­sadas no ce­po e ati­rar o seio ao mar. Tu­do fazia ago­ra cr­er que a Baleia vin­ha para cima, de­ven­do mes­mo es­tar quase a sair. Tín­hamos que evi­tar a to­do o cus­to que a lin­ha cor­resse, sem, no en­tan­to, a aper­tar mais, Se começasse a cor­rer, não havia solução senão largá-​la; ca­so con­trário, o es­tro­vo, amar­ra­do e já fo­ra da bor­da, se­ria ar­ras­ta­do pela pon­ta da lin­ha con­tra o ce­po, aí faria tono, não cor­re­ria, e, por cer­to, a lin­ha reben­taria, 

  Na­da dis­so acon­te­ceu, e foi com alívio que vi­mos a Baleia sair e dar o primeiro bu­fo per­to da proa do bote, que es­ta­va lá para a frente.

  De­pois daque­le mar de Baleias, nen­hu­ma ago­ra. Não havia dúvi­das. Se o mar tan­to tin­ha da­do sem saber­mos co­mo, da mes­ma maneira tu­do levara! Não se­ria bem as­sim, porque duas ain­da es­tavam pre­sas... 

  O bote da out­ra com­pan­hia, tam­bém tran­ca­do, es­ta­va nas mes­mas condições que nós: a sua Baleia pre­sa à gasoli­na, que­ria diz­er ter lev­ado as lin­has do bote. Este pas­sara re­man­do na vol­ta da nos­sa ter­ra e con­tra a Gra­ciosa, en­quan­to a «Maria Manuela», mais atrasa­da, ia sendo re­bo­ca­da na mes­ma di­recção. 

  Nós pouco podíamos faz­er com to­da aque­la lin­ha no mar. Iríamos, no en­tan­to, ten­tar me­ter al­gu­mas braças den­tro, para, no ca­so de a Baleia mer­gul­har, nós ter­mos al­gu­ma lin­ha para ar­ri­ar. 

  Se a Baleia não se deix­as­se matar de ime­di­ato, a lin­ha tin­ha de ser pas­sa­da para o bote fi­can­do ele com to­da a lin­ha das três sel­has. 

  O bote es­ta­va-​se a preparar para a primeira lança­da. Em­bo­ra longe, víamos a Baleia quase para­da, atrav­es­sa­da na sua proa, e o Mafre­do de lança na mão. 

  A lança par­tiu. Um sal­seiro enorme el­eva-​se. Deix­am­os de ver o bote, en­quan­to a Baleia se bate lou­ca­mente. Só as­sim se ex­pli­ca o agua­ceiro que ali se vê. Es­ta­mos os qua­tro de ol­hos fixos lá na frente, naque­le agua­ceiro, que deixa ver, de vez em quan­do, o ne­gro do cor­po do mon­stro de­ba­ten­do-​se ou com a dor da lança­da, ou en­raive­ci­do por se en­con­trar pre­so. 

  Nen­hum de nós fala. Um pressen­ti­men­to nos deve ter in­va­di­do: não con­seguimos ver o bote! O que se pas­sará ali? 

  É o mestre Manuel Félix que que­bra o silên­cio, mostran­do clara­mente, pe­lo tom de voz, o ter­ror que o in­vade: 

  -Va­mos largar a lin­ha e saber o que acon­te­ceu àquela gente... 

  Es­ta­va de fac­to pron­to a fazê-​lo. A sua at­itude, ao baixar-​se e ao deitar a mão à lin­ha para a re­ti­rar do ce­po, bem o in­di­ca­va.

  -Não…is­so não. Ain­da é ce­do para se saber se hou­ve al­gum de­sas­tre. Aqui ninguém to­ca. 

  Eu es­ta­va ain­da se­gu­ran­do a lin­ha jun­ta­mente com os out­ros dois. Agar­rei-​lhe a mão que ele es­ten­deu à lin­ha e, com voz de­cer­to mais du­ra e ameaçado­ra do que eu próprio de­se­ja­va: 

  -Aqui não se larga na­da. 

  Ele pôs-​se de no­vo em pé, e fi­cou ol­han­do o lo­cal onde se de­sen­rola­va qual­quer coisa que não víamos. 

  -Largo eu -disse o Sabi­no, ao mes­mo tem­po que larga­va a lin­ha que se­gu­ra­va atrás de mim, pon­do-​se tam­bém de pé, fixan­do o mes­mo pon­to. 

  -Ol­ha o bote!...ol­ha o bote!... es­tá a «ciar» para ré. 

  O mo­torista Sabi­no tin­ha razão: via-​se o bote sair de  trás daque­le sal­seiro, sem­pre «cian­do» para ré com to­da a força que os home­ns, aos re­mos, po­di­am dar. As­sim de­via ser, porque lo­go perce­bi que a Baleia os es­ta­va perseguin­do. Mas eis qu