e o rabo se el­eva nos ares. A úl­ti­ma água lev­an­ta­da cai, en­quan­to a cau­da de­sa­pare­cia. De no­vo a Baleia mer­gul­hou!...

  A nos­sa atenção es­tá to­da con­cen­tra­da no bote, e um dos nos­sos primeiros cuida­dos, mecâni­co quase, é con­tar as cabeças para saber se fal­ta al­gum homem. À popa es­tão dois em pé e cin­co de­bruça­dos so­bre os re­mos. Não fal­ta ninguém, pen­so, mas por que razão es­tão aque­les dois na popa, quan­do de­via es­tar um na proa?! De fac­to não se com­preen­dia. 

  Um gemi­do, segui­do de um gri­to abafa­do do mestre da gasoli­na, fez-​se ou­vir: 

  -Eu sabia... eu sabia... Fal­ta ali um homem. Eu sabia... Quan­do chegar a ter­ra vou par­tic­ipar. 

  -Vás par­tic­ipar de quê?! 

  A re­spos­ta veio do mo­torista: 

  -Que mor­reu ali um homem e teimas em não ir so­cor­rer aque­la gente. 

  Es­ta­mos para aqui à es­pera que ela mate os out­ros to­dos, para de­pois os ir­mos jun­tar aos pedaços?! 

  Eu den­tro daque­la gasoli­na era um es­tran­ho, só que tin­ha ido para ali por or­dem de um ofi­cial. Não po­dia dar or­dens per­ante o mestre, nem tão pouco ser obe­de­ci­do por qual­quer um dos el­emen­tos, se ele as­sim o en­ten­desse. Só de uma maneira, em­bo­ra es­sa fos­se con­tra a lei: era à força. Ten­do a razão pe­lo meu la­do, co­mo jul­ga­va, fiz-​me im­por:

  -Vocês são uns «coirões» que não valem na­da. Quem man­da ago­ra aqui den­tro sou eu, e o primeiro que des­obe­de­cer já sabe que se en­tende comi­go.

  O mo­torista, que tin­ha comi­go mais con­fi­ança e tam­bém tin­ha muito palavri­ado, ain­da quis re­fi­lar. 

  -Cala-​te... já disse que quem man­da ago­ra aqui sou eu, E livre-​se aque­le que não obe­de­cer. 

  -Tam­bém não faço mais na­da, Vou-​me em­bo­ra para o meu serviço que é ao pé do mo­tor. 

  -Vai, mas não me abor­reças mais. 

  Ain­da me lev­an­tei, hes­itante se de­via ou não tomar uma maior firmeza no meu pro­ced­imen­to. 

  Ele tin­ha larga­do a lin­ha. Es­ta, só se­gu­ra pe­lo mar­in­heiro, começa a cor­rer, e saem os poucos met­ros que havia... 

  -Larga -gritei ao mar­in­heiro antes que fi­cas­se com as mãos traçadas. Foi a tem­po! O seio chegou ao fim e, puxan­do pela pon­ta onde tin­ha o es­tro­vo pre­so, pas­sou por cima da bor­da, e foi trin­car con­tra o ce­po. A proa da gasoli­na cedeu um pouco. 

  Se­ria de es­per­ar que a lin­ha fos­se reben­tar, mas as­sim não acon­te­ceu. 

  A Baleia não de­via ter de­sci­do muito, co­mo o in­di­ca­va a pou­ca força que a lin­ha fazia. 

  O mar­in­heiro sacu­dia as mãos e tor­cia-​se com as dores. Es­tavam es­cal­dadas pela lin­ha ao pas­sar en­tre elas a grande ve­loci­dade. Mui­ta sorte teve em largá-​la a tem­po de não fi­carem en­ta­ladas con­tra o ce­po. 

  Na­da podíamos faz­er senão es­per­ar que a lin­ha alivi­asse o su­fi­ciente para que pudésse­mos me­ter al­gu­mas braças den­tro, alargar o aper­to que ali ia, e ini­ciar no­va manobra. 

  O Sabi­no foi bus­car óleo de lu­bri­fi­cação e deita­va nas mãos do mar­in­heiro que con­tin­ua­va gemen­do e torcendo-​se com dores. 

  En­quan­to o mo­torista es­ta­va neste tra­bal­ho de en­fer­magem, o mestre, sem­pre ol­han­do o bote, diz, com a maior sim­pli­ci­dade, e deixan­do trans­pare­cer a ale­gria que sen­tia: 

  -Ó Sabi­no, afi­nal não fal­ta ninguém no bote, são mes­mo só sete... 

  -Es­tás doi­do, fal­ta um homem! 

  -Não fal­ta. Ele tin­ha oito, mas um saltou para aqui. 

  Só ago­ra se havia aperce­bido que eu tin­ha saí­do de den­tro do bote, e por is­so só con­tavam sete home­ns, Este ca­so não era in­édi­to en­tre baleeiros, 

  Con­heci al­guns de­les, Um, fo­ra do bote que re­vi­rara a matar uma 