uan­do o lançoope es­ti­ca, a lança sai da Baleia e é meti­da den­tro ain­da pela popa, evi­tan­do as­sim irem ao hélice o lançoope ou mes­mo a lança. 

  To­da a manobra é di­rigi­da pe­lo homem que es­tá a matar, através de sinais da­dos com a mão e com o braço, ao al­to. A lança vai ao nos­so la­do ou à nos­sa frente, atrav­es­sa­da. 

  Aprox­imá­mo-​nos da Baleia. Peguei na lança e em qua­tro voltas do lançoope, que se en­con­tra­va apan­hado na min­ha frente. Es­tas voltas do lançoope, que fi­cam na mão que pe­ga por al­tura de meio cabo, são ati­radas jun­ta­mente com a lança, evi­tan­do mais atri­tos, as­sim co­mo desvios do pon­to visa­do. 

  En­trá­mos no re­doiço. Pouco de­pois tin­ha a cau­da a meu la­do e, em segui­da, es­ta­va em­par­el­ha­do com o am­po para, no mo­men­to seguinte, a lança par­tir, di­rigi­da ao al­vo pre­tendi­do. Mas eis que, por pressen­ti­men­to ou out­ra qual­quer razão, a Baleia ro­la-​se con­tra a gasoli­na com uma rapi­dez que nun­ca tin­ha pres­en­ci­ado, e ve­jo que nos vai bater, Rápi­do, saltei pela es­cotil­ha que tem por baixo um estra­do prepara­do para matar em mais se­gu­rança, Ali, de pé, o con­vés fi­ca pela al­tura da cin­tu­ra, Eu rara­mente us­ava este sis­tema a não ser com o mar muito mex­ido. Prefe­ria matar de pé, em cima do leito. 

  Tin­ha salta­do, e, talvez mes­mo antes de to­car com os pés no estra­do, a gasoli­na é ati­ra­da, ao som do ranger de madeiras, to­da para bom­bor­do. Ve­jo o car­ril­ho do mon­stro pas­sar mes­mo a roçar a proa, acom­pan­han­do o ro­lar daque­le enorme cor­po. O que nos teria acon­te­ci­do se aque­le po­tente max­ilar nos tivesse atingi­do!...

  A Baleia es­ta­va com a bo­ca aber­ta. Tín­hamos de sair dali antes que ela desse uma vol­ta com­ple­ta e nos atingisse em cheio com o max­ilar. Valeu-​nos a ve­loci­dade que se mantin­ha, em­bo­ra fôsse­mos ain­da a roçar nela em to­do o seu com­pri­men­to. Fi­nal­mente, fi­cou-​nos para trás. Sen­tiu-​se um es­tal­ido: era o lançoope que havia reben­ta­do. 

  A lança tin­ha atingi­do a Baleia, mas não na bar­ri­ga, para onde fo­ra en­vi­ada. Ao ro­lar-​se, a lança foi es­petar-​se já quase em cima do lom­bo, não de­ven­do ter en­tra­do mais de um ou dois pal­mos, lo­go cam­ban­do com o ro­dar da Baleia, e feito tono. O lançoope, en­rolan­do-​se no seu cor­po, mais facil­mente reben­ta. 

  O mon­stro con­tin­ua­va na nos­sa popa. Ol­ho-​o cá da popa e aperce­bo-​me que vem na nos­sa di­recção. O mais es­tran­ho é que vem de la­do e não ao al­to, co­mo é nor­mal quan­do an­da à su­per­fí­cie. 

  De­baixo de água, e já a cer­ta pro­fun­di­dade, an­da de la­do com a bo­ca aber­ta. Os ol­hos, um ol­han­do o fun­do, o out­ro ol­han­do a su­per­fí­cie. En­quan­to a cau­da, quan­do as­sim, es­tá ao al­to tal co­mo qual­quer peixe ou leme de em­bar­cação, per­mitin­do-​lhe ro­dar facil­mente para qual­quer la­do. Por cima, à tona de água ou a pou­ca pro­fun­di­dade, an­da ao al­to, ol­han­do nor­mal­mente para os la­dos, en­quan­to a cau­da fi­ca ao baixo, não lhe per­mitin­do ro­dar com fa­cil­idade. Fá-​la, sim, el­evar-​se ou bater o mar com a maior de­streza. 


  A fal­ta de movi­men­tos rápi­dos lat­erais é, sem dúvi­da, a maior van­tagem para o baleeiro at­acar com êx­ito. Se a cau­da fos­se co­mo a dos peix­es, de­cer­to não have­ria baleeiras nem baleeiros, pe­lo menos nos moldes que eu de­scre­vo...

  -To­da a força…To­da a força…-gri­to para a popa, en­quan­to salto para cima da casa para mel­hor poder apre­ciar os movi­men­tos da Baleia que nos persegue. 

  O mo­torista deu to­da a força ao mo­tor a tem­po su­fi­ciente de nos po­der­mos dis­tan­ciar mais al­guns me