t­ros. Uns se­gun­dos mais na mar­cha re­duzi­da, e seríamos al­cança­dos. A dis­tân­cia que nos sep­ar­ava, naque­le mo­men­to, não era su­fi­cien­te­mente se­gu­ra. Resta­va saber se o seu an­da­men­to era su­pe­ri­or ao nos­so. Se as­sim fos­se, iríamos pas­sar por um mau bo­ca­do. Julguei no en­tan­to que, de­pois de a gasoli­na em­balar, con­seguiríamos au­men­tar, ou pe­lo menos man­ter a dis­tân­cia que nos sep­ar­ava. 

  As­sim sucedeu. A pouco e pouco, fo­mos au­men­tan­do a dis­tân­cia e pude­mos ro­dar para nos preparar­mos para no­va ten­ta­ti­va de lança­da. 

  En­trei na casa e, de de­baixo do leito, trouxe out­ra lança, e mais um lançoope, preparan­do tu­do para ten­tar out­ra lança­da. Nor­mal­mente, a bor­do das gasoli­nas, cos­tu­ma­va haver três lanças; mas, por se ter per­di­do uma da úl­ti­ma ar­ri­ada, e não ter si­do sub­sti­tuí­da, só tín­hamos duas daque­la vez. Es­ta era, por con­seguinte, a úl­ti­ma ex­is­tente a bor­do. Nos botes havia lu­gar para qua­tro lanças, to­das colo­cadas na amu­ra­da de es­ti­bor­do, bem co­mo três arpões na de bom­bor­do, e um out­ro, o arpão da bor­da, que era o primeiro a ser us­ado, colo­ca­do a bom­bor­do, em cima dos ban­cos dois e um. Quan­do bale­an­do e de­pois de aguça­do à lin­ha, o cabo ia a de­baixo do ban­co um, e, por al­tura do al­va­do, pousa­va no leito, sem­pre do la­do de bom­bor­do.

  Saltei no­va­mente para cima da casa para mel­hor poder ob­ser­var, e man­dar para uma no­va manobra. 

  A Baleia bu­fa­va nor­mal­mente, mas an­da­va em cír­cu­lo. Es­ta sua maneira de pro­ced­er in­di­ca­va que vi­gia­va as nos­sas posições. 

  O bote, me­tendo sem­pre lin­ha den­tro o mais rápi­do pos­sív­el, dimin­uía bas­tante a dis­tân­cia que o sep­ar­ava da Baleia. 

  Por mim, con­tin­ua­va man­dan­do ao mestre, com cer­ta pre­caução. Iria procu­rar pas­sar per­to da Baleia uma primeira vez sem ati­rar a lança, a fim de es­tu­dar a sua reacção. Aprovei­tan­do o seu an­da­men­to cir­cu­lar, ia ten­tar pas­sar-​lhe ao la­do, en­con­tran­do-​a, se pos­sív­el, num pon­to tan­gen­cial. Es­tá­va­mos dis­tan­ci­ados da Baleia uns dois com­pri­men­tos do bote. Es­ta rap­ida­mente rodou a cabeça na nos­sa di­recção. Tin­ha-​nos vis­to ou sen­ti­do, e procu­ra­va at­acar. De ime­di­ato man­dei ro­dar tu­do para fo­ra, o que se con­seguiu a tem­po de não ser­mos to­ca­dos. Pas­sou-​nos à popa. 

  Con­tin­ua­va a man­dar ro­dar, procu­ran­do en­trar pe­lo out­ro la­do -o di­re­ito, en­quan­to ela es­ta­va ro­dan­do so­bre o es­quer­do. Po­dia ser que con­seguísse­mos a aprox­imação, mas, por en­quan­to, ain­da éramos persegui­dos. A Baleia sabia onde es­tá­va­mos. Is­so adi­vin­ha­va-​se facil­mente pe­lo seu pro­ced­imen­to. Não nos po­den­do ver, vin­do co­mo vin­ha na nos­sa popa e em posição nor­mal à su­per­fí­cie (ao al­to), em que os ol­hos só vêem para os la­dos, perseguia-​nos pe­lo ruí­do. 

  O bote aproveita­va-​se de a Baleia não seguir ru­mo cer­to, fa­cil­itan­do as­sim o me­ter a lin­ha den­tro por não ter de vencer a re­sistên­cia do an­da­men­to des­ta, e já não tin­ha mais de uma sel­ha de lin­ha fo­ra, en­con­tran­do-​se rel­ati­va­mente per­to de nós. 

  En­tre­tan­to, a Baleia pára a perseguição! Dá um bu­fo e fi­ca ali por cima da água, sem se mover, mostran­do mais de metade do seu cor­po im­po­nente. 

  Lá es­tá o arpão com a lin­ha, dan­do várias voltas em seu re­dor, sendo a úl­ti­ma no nó da cau­da. Vêem-​se tam­bém as voltas dos lançoopes en­vol­ven­do igual­mente o seu cor­po. A lança que en­viei tam­bém lá es­tá. Por sinal, bem próx­imo da que o Mafre­do tam­bém teria en