vi­ado. A Baleia de­via ter-​lhe feito o mes­mo que me fiz­era. As duas lanças, próx­imo uma da out­ra e no lo­cal em que es­tavam, na­da afec­taram a Baleia -para ela, ape­nas uma pi­ca­da de alfinete, pois que nen­hu­ma de­las teria pen­etra­do muito além do toucin­ho. 

  Es­ta­va ago­ra a Baleia em posição ide­al, e a nos­sa aprox­imação a faz­er-​se em condições mag­ní­fi­cas. No en­tan­to, era de pen­sar... Aque­la não era uma Baleia qual­quer que se deix­as­se matar es­tup­ida­mente, co­mo tan­tas out­ras. Aque­la, ali es­ta­va para­da, mas a sua atenção de­via ser a máx­ima. Es­per­ava co­mo leop­ar­do o mo­men­to de saltar so­bre a gazela, que, se não foge, mu­dan­do de di­recção no mo­men­to opor­tuno, vê chega­do o seu fim! Mas a nos­sa mis­são é at­acar e não fu­gir. Por is­so, con­tin­uo a dar in­struções ao mestre, man­dan­do para no­va manobra de aprox­imação, em­bo­ra, por cautela, vá procu­rar pas­sar o mais afas­ta­do pos­sív­el ape­nas à dis­tân­cia máx­ima de poder atin­gi-​la com a lança.

  Is­so não chegou a acon­te­cer. Quan­do íamos chegan­do próx­imo de em­par­el­har com a cau­da, ela fez um ar­co com uma fa­cil­idade in­es­per­ada. Mer­gul­ha, e, o mais es­tran­ho, não foge -ro­da na nos­sa di­recção com igual fa­cil­idade. Ve­jo-​a em­bran­que­cer de­baixo de água. Jul­go ain­da que se afas­ta, mas, qual não é o meu grande es­pan­to, quan­do ve­jo o bran­co pas­sar a azu­la­do. Não havia dúvi­das: vin­ha para a su­per­fí­cie, mes­mo por baixo de nós!...

  Ges­tic­ulan­do e gri­tan­do, man­do o mestre ro­dar to­do para a es­quer­da, lo­cal onde, mo­men­tos antes, a Baleia tin­ha sub­mergi­do. Es­ta manobra de man­dar voltar para o lo­cal onde há pouco a Baleia es­ta­va, fez, nat­ural­mente, hes­itar o Manuel Félix, que, fe­liz­mente, talvez per­ante a min­ha aflição, a ex­ecutou, já não sem que a popa da gasoli­na, pe­lo la­do de es­ti­bor­do, fos­se lev­an­ta­da pela cabeça da Baleia, es­cor­re­gan­do lo­go em segui­da. 

  A gasoli­na deu um grande ro­lo, obri­gan­do o mes­mo a largar o leme e a agar­rar-​se à bor­da. A cabeça, com o im­pul­so que trazia, saiu pela nos­sa popa, mais de dois met­ros fo­ra da água! 

  Es­tá­va­mos per­ante um ca­so muito es­pe­cial: não se trata­va, de fac­to, de uma Baleia nor­mal. Aque­la sabia-​se de­fend­er; mais do que is­so: sabia at­acar, fazen­do-​o, não só com a de­streza já de­scri­ta, mas tam­bém com in­teligên­cia, e para es­ta, de­cer­to, não es­tá­va­mos prepara­dos... 

  Não se­ria con­ve­niente faz­er no­va ten­ta­ti­va den­tro do mes­mo es­que­ma. Is­so pode­ria dar origem a uma fa­tal­idade. Havia que ten­tar de­sco­brir out­ra maneira de faz­er no­vo ataque. Foi com es­sa ideia que dei or­dem ao mestre para se aprox­imar do bote que con­tin­ua­va na faina de me­ter a lin­ha den­tro. 

  Ao chegar­mos per­to, o José Maria deu sinal para mais nos aprox­imar­mos. Que­ria tro­car-​me com o Mafre­do. 

  Com o tem­po bom co­mo es­ta­va, foi fá­cil a aprox­imação e fá­cil a manobra de nos tro­car­mos. Ele, de pé, no ban­co cin­co, saltou para o poço, en­quan­to eu salta­va para o ban­co qua­tro. A trip­ulação con­tin­ua­va puxan­do a lin­ha e apan­han­do-​a, ago­ra en­tre os ban­cos três e qua­tro. 

  -Para onde vou?! -per­gun­tei. 

  -Para a proa. Nós va­mos ten­tar dar-​lhe uma lança­da quan­do ela es­tiv­er a perseguir a gasoli­na. 

  -Cer­to. Mas se ela se vol­ta para nós? 

  -Dei or­dem ao Mafre­do para se man­ter sem­pre per­to, e, se ela fiz­er es­sa ten­ta­ti­va, ele aprox­ima-​se e dá-​lhe a lança­da.

  Era, de fac­to, uma no­va tác­ti­ca e era muito nat­ural que desse re­sul­ta­do, o que, s