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  A lança es­petou-​se tal co­mo as out­ras e tam­bém lá fi­cou. Mais uma e uma rede, em vol­ta do cor­po, de lançoopes... 

  Perseguia ago­ra a gasoli­na, e, co­mo se en­con­tra­va a uma cer­ta dis­tân­cia de nós, deixá­mos de deitar lin­ha ao mar. Sem­pre na mes­ma perseguição, não foi necessário muito tem­po para es­tar bas­tante dis­tan­ci­ada de nós, sem que con­tu­do a lin­ha começasse a puxar, de­vi­do ao com­pri­men­to deita­do ao mar. De no­vo, a pe­sa­da manobra de recol­her a lin­ha e apan­há-​la nos seus lu­gares foi ini­ci­ada... 

  Por fim, ter­mi­na a perseguição à gasoli­na, e fi­ca para­da por cima do mar. Es­per­ava-​nos?!... A ca­da aprox­imação fei­ta tin­ha au­men­ta­do o peri­go e is­so era com­preen­di­do pe­los mar­in­heiros que lev­avam a pedir para se cor­tar a lin­ha e «aban­donar aque­la fera», que «ain­da nos ia matar a to­dos», co­mo diziam. 

  Eu não tin­ha dúvi­das de as­sim ser, co­mo es­tou cer­to de que o José Maria pen­sa­va o mes­mo, em­bo­ra nun­ca tivesse nis­so fal­ado, du­rante as muitas e lon­gas con­ver­sas que tive­mos de­pois. Questão de amor-​próprio!

  A gasoli­na aprox­ima-​se de nós e, pe­los sinais, com­preen­de­mos que pe­dem uma lança, Vou tirá-​la do seu lu­gar e preparo-​me para a en­tre­gar. Tal foi feito aguçan­do a lança na pon­ta de um lançoope que nos é ati­ra­da, após o que é deita­da ao mar para de lá ser meti­da den­tro. Es­ta é a maneira mais se­gu­ra de ex­ecu­tar a perigosa manobra de pas­sagem de uma lança, de uma em­bar­cação para out­ra... 

  De­sas­tre fa­tal ocor­re­ria al­guns anos mais tarde, em que por um de­scui­do uma lança atrav­es­sou a coxa de um tran­cador que viria a mor­rer, es­coa­do em sangue, du­rante o seu trans­porte para ter­ra. 

  ... Co­mo pro­ced­er ago­ra, per­ante to­da es­ta situ­ação? O es­ta­do de es­píri­to da trip­ulação na­da aju­da­va. To­da a prudên­cia se­ria pou­ca ao ten­tar no­va aprox­imação. Mas an­te­via-​se, pela maneira de falar do José Maria, que no­va ten­ta­ti­va se­ria fei­ta. 

  -Calem-​se! Aque­la Baleia vai connosco se Deus quis­er. 

  -Eu não torno a ver a min­ha mul­her e os meus fil­hos! Va­mos mor­rer to­dos aqui!...-dizia o po­bre do «carcereiro», já com­ple­ta­mente desmor­al­iza­do. 

  -Quem não quer es­ta vi­da fi­ca em ter­ra. Ago­ra, aqui, quem man­da sou eu, e Deus livre o primeiro que des­obe­de­cer. 

  A sua voz, ao diz­er is­to, era firme, co­mo firme er­am os movi­men­tos da­dos por ele ao es­par­rela, quan­do na prox­im­idade da Baleia. Este re­mo foi cor­ri­do den­tro en­quan­to o bote seguia o ru­mo da­do pela lin­ha lig­ada à Baleia. 

  A gasoli­na lá an­da­va às voltas, bem longe dela, en­quan­to nós íamos de no­vo me­tendo lin­ha den­tro para mais uma ten­ta­ti­va em con­jun­to. 

  À dis­tân­cia de faz­er baó foi da­da or­dem de ex­ecução e a manobra ini­ci­ada, toman­do-​se ago­ra uma no­va pre­caução: sen­tar os re­madores ao con­trário, porque as­sim, em vez de ciar para ré, re­mavam nor­mal­mente, em­bo­ra o bote an­dasse para trás. O re­mar era mais in­có­mo­do, mas da­va bom re­sul­ta­do. 

  A gasoli­na vem para o nos­so la­do. Lá na frente, a uns quarenta met­ros, a Baleia, na sua at­itude já nor­mal de ex­pec­ta­ti­va, pronta a at­acar, o que faz sem nos deixar aprox­imar mais. Vem na di­recção da gasoli­na que facil­mente lhe foge, guinan­do para bom­bor­do. Nós, para­dos, es­per­amos no­va at­itude, que não demo­ra. So­mos ago­ra o al­vo do ataque. Deve-​nos ter vis­to quan­do perseguia a gasoli­na, e, ali vem na nos­sa di­recção. Não é necessário dar a or­dem aos mar­in­heiros para re­mar. Sen­ta­dos, volta­dos para a frente, vêem tu