, os Teix­eiras. Pre­to não ter cabidela en­tre heróis... Mas se­ria o seu ol­ho fi­no que tirou São Miguel da ne­gaça das nu­vens? A sua den­tuça bran­ca a primeira que se ar­regan­hou de sur­pre­sa e ale­gria ao ver ter­ra? Po­bre pre­to sem nome! 

  Raul Brandão es­creve, n'As Il­has De­scon­heci­das: «Já perce­bi que o que as il­has têm de mais be­lo e as com­ple­ta é a il­ha que es­tá em frente: o Cor­vo as Flo­res, Fa­ial o Pi­co, o Pi­co São Jorge, São Jorge a Ter­ceira e a Gra­ciosa…» Es­ta ver­dade de panora­ma começou por ser sim­ples­mente uma ver­dade de «achamen­to». As il­has de­sco­bri­ram-​se, por as­sim diz­er, umas às out­ras, pouco fal­tan­do para que fi­cas­sem con­heci­das por um seco e sim­ples número, co­mo uma flotil­ha de con­tra­tor­pedeiros es­ta­ca­dos no mar.

  As­sim, é com uma es­pé­cie de orgul­ho de maru­jo per­di­do nu­ma rua de bares que re­spon­do à cu­riosi­dade ge­ográ­fi­ca de al­guém: «Sou da Ter­ceira... Co­mo quem diz: «Home Fleet, ter­ceira lin­ha..... Ou: «Ter­ceiro couraça­do da Ar­ma­da do Atlân­ti­co... E pos­so pre­cis­ar: lat­itude norte 38° 38' 33"; lon­gi­tude oeste (Green­wich) 27° 12' 48". 

  Tu­do, para o il­héu, se re­sume em lon­gi­tude e aparta­men­to. A solidão é o âma­go do que es­tá sep­ara­do e dis­tante. Quan­do eu era garo­to via ape­nas, da vi­la de lavradores e de pescadores onde nasci, o minús­cu­lo e al­can­ti­la­do il­héu do Norte; e, ain­da as­sim, pre­cisa­va subir à ser­ra do Fa­cho e deitar home­ns e casas para trás das costas. Resvés do Zim­bral -uma rocha medonha –, aque­le pene­do emer­so era a primeira amostra de ter­ra fo­ra do nos­so pé. Mas era tão per­to aque­le país da cra­ca, que uma bateira do Joane­ta, a re­mos de to­lete, o al­cança­va em coisa de uma ho­ra de bor­de­jo e de con­torno da Má Meren­da. 

  Tu­do é rel­ati­vo neste mun­do ab­sur­do e ab­so­lu­to... já hou­ve, é claro, a cir­cum-​nave­gação de Ma­ga­lhães, o périp­lo de África e as ten­ta­ti­vas do pó­lo. Dos próprios Açores (e a par­tir da Ter­ceira) se ten­taram, em bar­cos frágeis e em tem­po de ro­tas duras, a Ter­ra do Ba­cal­hau e a Ter­ra do Labrador. Os do Pi­co iam aos «Mares Japa­nis», e ao Ar­ioche (Arc­tic Ocean) co­mo quem bebe um copo de água. O cer­to é que ir ao il­héu do Norte, do varadoiro da Pra­ia, não era para qual­quer. Co­mo dizia o Macetinha: er­am «três tan­tos» do Poção -o paca­to pesqueiro do chichar­ro e da cav­ala miú­da, fron­teiro ao casario da vi­la e ao es­tende­doiro das re­des. De pé à popa, com o facão do en­go­do nas un­has, os mestres de bar­co ou­vi­am do Poção as trindades da noite, des­bar­retavam-​se e acen­di­am o lampiãoz­in­ho de proa, fanal de uma braça de água... 

  Para se ir ao il­héu do Norte do­bra­va-​se a pon­ta da Má Meren­da, en­tra­va-​se na som­bra azul-​fer­rete da rocha do Zim­bral, que, de es­cu­ra, pare­cia o tin­teiro re­vi­ra­do de um pol­vo mon­stru­oso. E só en­tão, en­tre as es­carpas da il­ha e as rav­inas do il­héu, começa­va a peripé­cia da apan­ha da cra­ca a picão -a cra­ca de três válvu­las, forte co­mo um caste­lo e suave, ao chu­par, co­mo mami­lo de sereia... 

  De­pois, es­ten­den­do para sul e para oeste, com as pro­moções do liceu, as min­has an­dadas de il­héu, subi uns furos na ex­per­iên­cia e no gos­to da solidão. Até mais de meio cam­in­ho de An­gra ain­da se não vi­am il­has. Mas os il­héus das Cabras er­am já out­ra coisa, que­bra­dos pe­lo meio co­mo um pão mal ten­di­do, su­fi­cien­te­mente afas­ta­dos da ter­ra para que pudessem pas­sar por um país es­tran­ho... -em to­do o ca­so, out­ra platafor­ma talvez só própria para bi­chos (os do seu nome), em­bo­ra uma len­da re