s da base reg­ularizaram e encher­am de betão. De antes, era uma vere­da tur­tu­osa, ladea­da de gi­es­tais, por onde o car­ro do sen­hor José Le­an­dro Chaves -que to­dos nós, il­héus, re­con­hece­mos una voce capitão-​mor de San­ta Maria -gen­erosa­mente nos lev­ava a ver a Vi­la do Povoador. 

  E lem­bro out­ra vez a vi­agem de Jul­ho de 1924, com Raul Brandão em­pen­hado no seu in­quéri­to às Il­has De­scon­heci­das, e a im­pressão de grandeza telúri­ca e de tris­teza in­sanáv­el que se tira­va dali. Tão cal­ci­na­dos er­am os ter­renos fron­teiros à Vi­la do Por­to, que Raul Brandão chamou a San­ta Maria «a il­ha-​tor­res­mo». 

  Que diria ago­ra o po­eta, se, na fal­ta do prov­iden­cial au­tomóv­el do sen­hor Le­an­dro, tivesse de trepar, co­mo nós, a pé, os primeiros duzen­tos ou trezen­tos met­ros de calvário para o al­to onde se er­gue o aeró­dro­mo? Tra­bal­ha­do pelas britadeiras, o chão es­tá ras­ga­do, ter­raple­na­do, fus­co. Um ma­te­ri­al de rocha poroso e ne­gro -a bagaci­na -in­vade as bermas da estra­da de aces­so às pis­tas. E, de­baixo dos nos­sos sap­at­in­hos frágeis, de trot­toir e de deck, os seus tor­rões es­boroam-​se deixan­do as so­las pi­cadas de es­quíro­las de pe­dra, tão reg­ulares e miú­das que até pare­cem dentes...

  Fe­liz­mente que uma camione­ta do cam­po pas­sa para cima vazia. O fragor da car­roçaria abala a estra­da aos tor­ci­co­los. O con­du­tor -um mariense in­du­men­ta­do larga­mente à amer­icana, com over-​all cruza­do nu­ma camis­in­ha de al­go­dão -con­vi­da-​nos a saltar. Pode­mos en­fim vis­itar o cam­po sem uma estafa prévia. À en­tra­da, a um gesto do nos­so amáv­el con­du­tor, o sol­da­do amer­icano de plan­tão re­lan­ceia-​nos, sor­ri e es­tende o braço. Por­tugue­ses ... Pode­mos pas­sar.

  Al­guns com­pan­heiros mais fe­lizes destes mil­hares de mil­has atlân­ti­cas vão largar num apar­el­ho mil­itar para a Ter­ceira. Aprox­imamo-​nos da imen­sa pista, onde, co­mo al­ba­trozes, poisam quad­ri­mo­tores gi­gan­tescos. Um au­to­movelz­in­ho de capota de caqui, pres­suroso e car­ica­to no meio dos mon­stru­osos apar­el­hos, larga em di­recção ao mar, man­so co­mo um cordeiro. É o práti­co da de­sco­lagem, que traça o cam­in­ho de par­ti­da ao avião por­tuguês. Já as qua­tro hélices, postas uma a uma em giro, vi­bram ao sol abafa­do e fos­co da il­ha dos ca­gar­ros. Daqui a pouco aque­le charu­to metáli­co perde-​se nos céus de nordeste. 

  Há, nos que fi­cam, um re­lance de ciúme e de es­pan­to. Poucos ali re­ce­ber­am o bap­tismo dos ares e, bem con­sul­tad­in­hos, pouquís­si­mos se atreve­ri­am talvez à larga­da. Por grande que se­ja a con­fi­ança que estes mon­stros aére­os começam a in­spi­rar, ain­da prevalece a vel­ha e rotineira im­pressão de que quan­to mais per­to se es­tá do cen­tro de gravi­dade da Ter­ra, nos­sa mãe, menos peri­go se corre de vir parar cá a baixo. 

  Co­mo a questão de voar não se pun­ha, to­dos quere­ri­am voar ... Mas já o apar­el­ho mil­itar de­sprende as ro­das do so­lo; já se perde nas nu­vens, firme, be­lo e vi­brante. O seu zumbido é um mur­múrio. A sua som­bra já é menos que a nu­ven­zin­ha. 

  Va­mos cor­rer o cam­po. San­ta Maria. Azores. Pop­ula­tion 7988; Sp. miles 70. Paris 1614 mi. New York 2776 mi. A sinal­iza­ção grá­fi­ca é prev­idente e pro­fusa. Por to­da a parte as­so­mam os mecâni­cos, os guardas, os chauf­feurs. As bar­ra­cas cor de azeitona es­con­dem canti­nas far­tas, dor­mitórios có­mo­dos, pe­quenos par­ques de ma­te­ri­al e pos­tos de vi­gia. Mas des­de a en­tre­ga do cam­po ao Gov­er­no por­tuguês que o pes­soal amer­icano diminuiu. Aque­les homen­zin­hos vesti­dos de caqui, com bas­tos botões m