de situ­ações ge­ográ­fi­cas mais acessíveis e de­man­dadas. Das il­has maiores só uma -o Pi­co -não chegou a atin­gir den­si­dade citad­ina. O seu dis­pos­iti­vo mon­tan­hoso maciço (in­útil farol de noite lhe chamou Chateaubriand), a porosi­dade do seu so­lo pouco propí­cio à agri­cul­tura e im­próprio para a pas­torí­cia de pra­dos es­pe­cializaram-​na na pesca, no vin­ho e nas fru­tas -três géneros de ac­tivi­dade que, por si sós, di­fi­cil­mente ger­am mesteirais e mer­cadores, ou se­ja, o hú­mus dessa coisa febril e às vezes mon­stru­osa que se chama uma cidade. E foi pre­ciso que a crise baleeira de mea­dos do sécu­lo XIX acos­sasse os veleiros amer­icanos para o mé­dio Atlân­ti­co e aí os fizesse re­fres­car, para que o Pi­co, apoian­do-​se no Fa­ial e o Fa­ial no Pi­co co­mo il­has satélites al­ter­nas, aju­dasse a faz­er a Hor­ta car­voeira nú­cleo de desvio de exce­dentes demóti­cos para a Améri­ca, priv­ile­gia­do em mod­er­no foral por um mar­in­heiro na­to que nave­gara nas il­has: o rei D. Luís. 

  Tam­bém Pon­ta Del­ga­da tar­dou em ser o im­por­tante por­to com­er­cial e es­tratégi­co que ho­je é. O comér­cio aço­ri­ano do sécu­lo XVI di­vidia-​se quase eq­ui­tati­va­mente en­tre ela e An­gra, a sua ir­mã de noroeste, prati­ca­mente re­duzi­do aos mi­mos e man­ufac­turas que en­travam e ao pas­tel que saía. As­sim con­tin­uaram sen­sivel­mente as coisas até que a pro­dução e a ex­por­tação laran­jeira, fo­men­tadas em São Miguel prin­ci­pal­mente pe­lo prus­siano Schõltz e por um em­igra­do políti­co do con­ti­nente, Vi­cente Fer­reira Car­doso, começaram a in­cli­nar a bal­ança para o la­do da il­ha prin­ci­pal. 

  Dois mo­tivos ge­ográ­fi­cos de­cidi­ram por pouco mais de dois sécu­los a questão da im­portân­cia rel­ati­va en­tre An­gra e Pon­ta Del­ga­da: a cen­tral­idade da il­ha Ter­ceira e a con­fig­uração da sua An­gra, in­óspi­ta aos ven­tos de sud­este (o temi­do «ven­to carpin­teiro» da min­ha in­fân­cia), mas maneir­in­ha e de fun­dos con­ve­nientes aos cur­tos cal­ados das naus de bor­da­da grossa que o Monte Brasil -sep­to nat­ural en­tre dois abri­gos nat­urais -apoia­va e de­fendia. Um mo­ti­vo históri­co mais dinâmi­co que a do­nataria seden­tária e se­ten­tri­on­al dos Câ­maras em São Miguel -as cap­ita­nias limítro­fes e con­cor­rentes dos Corte-​Reais e dos Mar­tins Home­ns, gente de mar e de aven­turas -fa­vore­ceu a il­ha Ter­ceira, fazen­do de An­gra, em cir­cun­stân­cias ain­da ho­je mais ou menos ob­scuras, es­taleiro de cas­cos de lon­go cur­so dos mares de oeste, e por­tan­to cen­tro de atracção e de grav­itação marí­ti­ma. Os Es­pan­hóis achavam ali uma tradição der­roteira, uma de­fe­sa nat­ural for­ti­ficáv­el, e talvez tam­bém uma unidade agro-​pecuária mais con­cen­tra­da e útil, co­mo in­ter­lande de re­cur­so, ao port­in­ho som­brio e aris­tocráti­co, cu­jo carác­ter de chave dos portões aço­ri­anos a to­ponímia do ocu­pante con­sagrou no plu­ral las Ter­ceras.

  As il­has grandes não tin­ham con­heci­do até 1582 nen­hu­ma for­ma de ópi­do, a não ser as em­inên­cias a que trepavam as suas tími­das e es­cas­sas pop­ulações quan­do er­am sur­preen­di­das pe­los pi­ratas de Argel e do Noroeste eu­ropeu, e a que al­gu­ma corti­na ou fos­so rudi­menta­res davam a aparên­cia de fortes. As­sim nasce­ram as po­bres bar­bacãs de Vi­la do Por­to -ho­je hangar e bar de uma es­pé­cie de por­ta-​aviões con­struí­do em cal­cário –; as­sim sur­gi­ram os pe­quenos al­tos for­ti­fi­ca­dos de Pon­ta Del­ga­da e o Caste­lo dos Moin­hos de An­gra, cu­ja des­ig­nação alude pa­tri­ar­cal­mente à origem quase ca­seira de uma cidade fei­ta com uma sim­p