as, a que­brar a pas­ma­ceira e a de­serção dos varadoiros, a gri­taria à rede do chichar­rin­ho de Verão (o cara­pau do con­ti­nente) e à rara e pratea­da cav­ala do al­to.

  Porquê, es­ta fu­ga a uma ac­tivi­dade tão tipi­ca­mente in­su­lana, con­sub­stan­ci­ada com a ín­dole e a ex­per­iên­cia do il­héu e tão necessária para lhe con­du­tar o pão-​nos­so de ca­da dia? A ex­pli­cação es­tá, em parte, na maior procu­ra de mão-​de-​obra des­de que por­tugue­ses, amer­icanos e in­gle­ses alargaram e ocu­param o cam­po de avi­ação das La­jes, pa­gan­do aos mais vari­ados tipos de tra­bal­hador e sus­ci­tan­do em­pre­gos e fontes de gan­ho várias. POI' ex­em­plo: na Pra­ia da Vitória, tes­ta marí­ti­ma e cen­tro ur­bano do aero­por­to, e out­ro­ra um dos mais povoa­dos por­tos de pesca da il­ha, foi a classe pis­catória (a Ribeira do Mar, co­mo lá dizem) que forneceu o pes­soal que, com um mach­in­ho ou um gar­ra­no en­gata­do nos varais da car­rocin­ha, ia bus­car e levar ao cam­po os sol­da­dos e maru­jos de fol­ga. Para eles se abri­ram cafés, bares, restau­rantes, na anti­ga e plá­ci­da cabeça de cap­ita­nia e de co­mar­ca, cu­jos be­los e lar­gos ar­ru­amen­tos de grande vi­la mor­ta ja­mais havi­am si­do aci­den­ta­dos, a não ser por es­cas­sos magotes de teste­munhas em in­ven­tário or­fanológi­co ou em polí­cia cor­rec­cional, que, chega­dos do «monte», se desseden­tavam com «vin­ho de cheiro» nas ven­das, de­pois de terem en­goli­do uma bucha de «pão da fábri­ca» e uma «nis­ca de quei­jo de pe­so», quei­jo de São Jorge... 

  Ago­ra, na vi­la históri­ca, aero­di­namiza­da, to­da vi­brante das asas dos Dako­ta e dos Sky­mas­ter, os fil­hos e ne­tos dos vel­hos lo­bos do mar da min­ha in­fân­cia são grooms, cocheiros de car­rocin­ha, en­grax­adores, cri­ados de café, caix­eiros de es­tanco e, até, donos de restau­rante, de «casa re­gion­al»  e de ven­dola. 

  Noutros por­tos de pesca mais modestos, co­mo São Ma­teus, Por­to Judeu, Vi­la No­va, Bis­coitos, Por­to No­vo, se o pescador se não mesteiral­iza ou em­bur­gue­sa, tro­ca no en­tan­to o caniço e a mal­ha do enx­alavar pela mar­reta e a pá do cam­po. Os salários, ali, são com­pen­sadores e se­guros. Come-​se e veste-​se bem. De man­hã chega o camião à fregue­sia de um fu­lano: Okay! Saltou e an­dou... Ao anoite­cer: Come back pa’trás! Lá vem dormir a casa, a três ou qua­tro léguas de dis­tân­cia do cam­po, onde tra­bal­hou e gan­hou bem, sem grandes can­seiras nem sus­tos, sem nor­tadas, sem mol­has ... 

  Mas a ex­pressão da il­ha, ape­sar des­ta re­vi­ra­vol­ta da for­tu­na que a fez um dos mais gi­gan­tescos poisos aére­os do mun­do, con­tin­uou a ser uma ex­pressão agrária e pas­to­ril, de cos­tumes castiços e de tare­fas per­iódi­cas. Duas no­tas traduzem para mim, des­de a in­fân­cia, a pre­sença e o viv­er da Ter­ceira: o barul­ho e a bran­cu­ra do mar des­feito nas rochas, e o mugi­do do ga­do nos cer­ra­dos e bebedoiros. Na estra­da litoral pas­sa-​se neste du­plo aro: a lam­bugem e o ru­mor da maré cheia e o cordão de ga­do que an­da à can­ga ou, solto, vai be­ber. 

  Il­ha de ter­ras lavra­dias quadric­uladas em «cer­ra­dos» de dois, três, cin­co alqueires (de cer­ca de dez ares ca­da um), e de vas­tas pasta­gens que sobem para o in­te­ri­or de­ser­to de pop­ulação, até às rel­vas del­gadas onde só pasce o ga­do bra­vo, e aos «mis­térios» bal­dios, cínzeos e pe­dregosos, em que mal de­spon­ta uma fêvera para dente de ovel­ha ou de cabra. Mas os pas­tos, que ocu­pam talvez mais de um terço da área da il­ha, e onde pre­dom­inam a trevin­ha e a er­va da cas­ta, grande parte do ano mol­hadas pe­los nevoeiros e en­gor­dadas pela quente hu­mi­dade dos nevoe