iros «bar­bu­dos», são ex­ce­lentes, úberes, prodi­giosos. Fal­tam-​lh­es cer­ta­mente muitas coisas: mel­ho­ria de se­mentes her­báceas, char­ru­amen­tos, abri­gos de ga­do; mas, no próprio es­ta­do ac­tu­al, em que tais pro­gres­sos se es­boçam ape­nas por parte de al­guns pro­pri­etários mais abas­ta­dos ou es­clare­ci­dos e a ex­em­plo e en­si­no da Es­tação Agrária, con­stituem sem dúvi­da a prin­ci­pal riqueza da il­ha. 

  A cri­ação de ga­do leit­eiro é raro faz­er-​se em es­tábu­lo. O ga­do sus­ten­ta-​se de pal­has e verdes se­mea­dos no aro da casa agrí­co­la, ou «vai para os pas­tos» de al­ti­tude e de in­te­ri­or: uma parte do ano para o bal­dio ou para as «rel­vas», se o dono é po­bre ou quan­do se tra­ta ape­nas de «aguen­tar» a in­ver­nia antes de cri­ar boa ar­robagem. No resto do tem­po, vive nas pasta­gens grossas, mi­mosas, co­mo as dos Cin­co Pi­cos, as do Paul da Pra­ia, ou con­forme ca­da fregue­sia as tem e ca­da lavrador as pos­sui. 

  Mas o tipo de pas­ci­go preferi­do pe­lo pe­queno lavrador, que em re­gra não tem pas­tos próprios, é o cer­ra­do de luzer­na, for­ragem vi­vaz onde o ga­do come à es­ta­ca e que lhe vai reben­tan­do e crescen­do na a1catra ... A se­menteira da luzer­na, há anos im­por­ta­da da Améri­ca, pode ap­re­sen­tar-​se co­mo o sím­bo­lo da feraci­dade da il­ha e da con­se­quente bran­dura e fa­cil­idade da vi­da do cam­po ali. Mas tu­do tem con­tras neste mun­do ... Se a luzer­na é a mi­na do cri­ador de ga­do leit­eiro, é a peste do lavrador que pen­sa na ro­tação das suas cul­turas, pois diminui con­sid­er­av­el­mente a área cul­tiváv­el de cereais, de legu­mi­nosas, etc. -área já de si en­cur­ta­da pela abundân­cia de pra­dos nat­urais, pelas cul­turas in­dus­tri­ais da bata­ta-​doce, do taba­co e da chicória, pela en­tre­ga dos fer­tilís­si­mos cam­pos do Ramo Grande à ter­raple­nagem do aeró­dro­mo das La­jes. Fe­liz­mente uma au­tar­quia lo­cal de lar­gos re­cur­sos e ex­per­iên­cia -a Jun­ta Ger­al do Dis­tri­to Autónomo de An­gra -, procurou com­pen­sar es­sa fal­ta ar­rote­an­do al­gu­mas dezenas de hectares (à mo­da da il­ha: moios de cam­po) de bal­dios do Norte da Ter­ceira: a Queima­da dos Altares e out­ros tratos de ter­reno em pro­jec­to. 

  Com tais car­ac­terís­ti­cas, a fi­siono­mia da Ter­ceira é pro­fun­da­mente ru­ral. An­gra lev­an­ta ao sul, na fal­da do Monte Brasil, as suas tor­res históri­cas; mas a den­si­dade do casario, a per­feição do roteiro, a no­breza das lin­has ur­banas são um sim­ples parên­tese na vas­ta quadrícu­la de «cer­ra­dos» que é a cin­tu­ra da il­ha, to­da bor­da­da de casas ao lon­go da estra­da litoral. A própria cidade, se, vista das em­inên­cias da baía, surge co­mo um por­to for­ti­fi­ca­do e co­mo cap­ital históri­ca de to­da uma provín­cia in­su­lar con­sid­er­ada no sen­ti­do in­te­ri­or do seu de­sen­volvi­men­to aparece lo­go co­mo o as­sen­to de uma pop­ulação de ter­ra-​tenentes, de lavradores e de cri­adores de ga­do. As suas casas con­tin­uam muito para cima da lin­ha transver­sal e cên­tri­ca dos ar­ru­amen­tos, onde fi­cam a Sé, os Paços do Con­cel­ho e os do Gov­er­no. Sobem a grande ver­tente da vel­ha Ribeira dos Moin­hos (nú­cleo da vi­la de An­gra), es­ten­den­do-​se ra­dial­mente ao lon­go das várias vias de aces­so às pasta­gens do in­te­ri­or, onde for­mam pe­quenos aglom­er­ados sub­ur­banos: Pereira, Pateira, Dester­ro, São Luís, Lameir­in­ho, Vin­ha Bra­va, Pi­co Re­don­do, Pos­to San­to, Figueiras Pre­tas ... 

  Os anti­gos e ac­tu­ais «en­gen­hos» do Lameir­in­ho e da Vin­ha Bra­va at­es­tam -es­trate­gi­ca­mente, por as­sim diz­er esse carác­ter pas­to­ril e leit