 para es­ta dis­si­pação: An­tónio de Fre­itas Pi­mentel e Tibério Ávi­la Brasil, médi­cos de peito largo ... A out­ros, co­mo Manuel Gregório e Nico­lau Nunes, médi­cos tam­bém, mal ten­ho tem­po para abraçar, en­tre o chega e o larga da es­cala. Va­mos deixan­do chi-​corações pe­lo cam­in­ho co­mo quem se­meia em ter­ra du­vi­dosa: não aque­les seus ar­caboiços, que são firmes e ami­gos, mas o ladrão do tem­po, que bem nos pode lo­grar, não nos tor­nan­do uns aos out­ros.

  Este São Jorge é uma il­ha e tan­to!, com a sua lom­ba in­find­áv­el, os seus pas­tos al­tos e eter­nos, as suas fa­jãs es­con­di­das, os seus in­cen­seiros cheirosos. (Co­mo au­tor de roteiro, obri­ga­do a uma cer­ta in­for­mação, sem­pre di­rei que as il­has mais lin­das dos Açores, co­mo mun­dos abre­vi­ados e verdes, são só três: as Flo­res, São Jorge e o Fa­ial. Mas as mais feias, co­mo San­ta Maria, tam­bém são mais boni­tas por out­ros mo­tivos que não di­go... Aqui, em coisas de Açores, nem tu­do se quer as­soal­ha­do.) 

  Atrav­es­samos o grande canal, da pon­ta dos Ro­sais (São Jorge) à (es­quece-​me o nome!) do Pi­co -e aqui é que eles se con­hecem, os mar­in­heiros, com o tombo que tu­do is­to dá na va­ga ro­la­da e de través: as caçaro­las voan­do na miniat­ural co­zin­ha; o ga­lo de bor­do to­do ir­ri­ta­do com o equi­líbrio in­stáv­el... Mas já a Hor­ta as­so­ma; às três da tarde, abri­ga­da à do­ca de­ser­ta. Sente-​se ali o vazio deix­ado pe­los Clip­pers e pela anti­ga tonelagem que vin­ha car­bu­rar e re­fres­car noutro tem­po. Só os ca­bos tele­grá­fi­cos in­ter­na­cionais ain­da amar­ram ali, man­ten­do à cidadez­in­ha em flor o arz­ito fres­co, cos­mopoli­ta, de por­to ape­trecha­do.

  Gos­to da Hor­ta co­mo de nêsperas! Tin­ha saudades do que fui, já nem sei bem co­mo, aqui. To­do o imag­ina­do é mais ou menos frustra­do quan­do o re­al­izamos; mas na Hor­ta não, que é ex­ce­di­do. Ao com­pri­do da Rua do Mar de­sen­volvem-​se as casas; so­bre a céle­bre rua úni­ca da cidade as trav­es­sas que de­scem da en­cos­ta trazem tam­bém a sua mod­es­ta con­tribuição de fo­gos e de trân­si­to. O Largo do In­fante, ao rés do mar, fun­ciona de belved­er so­bre a mas­sa com­pacta e agu­da da mon­tan­ha do Pi­co (três mil met­ros). E o resto, tu­do bem: ma­triz no al­to onde foram as casas do do­natário fla­men­go e que os je­suí­tas adap­taram, co­mo sem­pre, cu­bic­ular e faus­tosa­mente; mais duas ou três igre­jas con­ven­tu­ais nos al­tos; a ca­da pon­ta, ou sainte, as paróquias da Con­ceição e das Angús­tias; e o mais que é pre­ciso para com­ple­tar uma cidadez­in­ha airosa, al­va co­mo uma noi­va. Hor­ta! For ev­er! Sailors are wel­come... Okay! 

  Guar­do cá para mim os pri­mores do acol­hi­men­to, a hos­pi­tal­idade pa­tri­ar­cal, a gen­tileza em tu­do e por tu­do. A Hor­ta sem­pre teve na min­ha ma­nia ou imag­inação uma es­pé­cie de cara fêmea: não sei quê de donzela, de amor que não se teve, de ado­lescên­cia sum­ida. Tu­do is­to ex­prime afi­nal, to­la­mente, uma coisa bem sim­ples: o muito que eu gos­to da ter­ra do Fa­ial e da sua cidadez­in­ha. 

  De man­hã pas­sam nas ruas as car­ri­panas do leite e dos ovos, as car­rin­has, to­dos os sinais do acor­dar. As janelas das casas têm as gelosias por fo­ra. Abrem-​se de­va­gar, co­mo pálpe­bras; e lá apare­cem as donas de casa e as ra­pari­gas espre­itan­do ou toman­do os ares da do­ca. Ruas mais qui­etas do que as transver­sais da Hor­ta nun­ca eu vi! As calçadas ain­da são de pe­dra gra­da e boa para as er­vas crescerem; ain­da há casarões anti­gos, com cun­hais dis­cre­tos e tel­ha­dos cober­tos de mil­ho de canário; a casa dos Ar­ria­gas fala do tem­po mor­to, mas já n