Title: Viagem à Ilha de Satanás
Author: José Cardoso Pires
CreationDate: Thu Jul 30 12:58:00 BST 2009
ModificationDate: Thu Feb 10 20:00:00 GMT 1972
Genre: 
Description: 
  Vi­agem à Il­ha de Sa­tanás

  José Car­doso Pires

  © 1997, José Car­doso Pires e Par­que EX­PO 98. S.A.

  IS­BN 972-8396-16-3

  Lis­boa, Novem­bro de 1997

  Ver­são para dis­pos­itivos móveis: 

  2009, In­sti­tu­to Camões, I.P.

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  VI­AGEM À IL­HA

  DE SA­TANÁS

  BREVE NOTÍ­CIA DO ACHAMEN­TO

  DA IL­HA DE SA­TANÁS

  E DOS VER­DADEIROS SUCES­SOS

  QUE NELA OCOR­RERAM

  ago­ra pos­tos a es­crito

  se­gun­do os teste­munhos

  dos nave­gantes

  e dos reg­is­tos

  que os cer­ti­fi­cam

  Em De­sco­bri­men­tos Por­tugue­ses Jaime 

  Cortesão ref­ere que a il­ha dos Sa­tanas­es 

  se situ­ava em re­lação à cos­ta por­tugue­sa 

  con­forme a Car­ta Náu­ti­ca de 1424. 

  Aos vinte e oito dias de Jul­ho de 1969 largou deste por­to de Lis­boa o iate Pon­ta de Sagres cu­ja de­scrição é co­mo segue:

  Navio à vela e a mo­tor diesel Pen­ta Vol­vo 120 hp. com nave­gação elec­tróni­ca GPS Au­to-​Helm, pi­lo­to au­tomáti­co e giroscópi­co de aileron. Com­pri­men­to: 65 pés. Mas­tros genoa e grande de en­ro­lar. Da­ta de con­strução: 1963. Ma­trícu­la LS-​J26, da Cap­ita­nia do Por­to de Leixões.

  Era pro­pri­etário e skip­per da em­bar­cação Ál­varo Vaz, en­gen­heiro e em­presário da praça de Lis­boa que lev­ava sob o seu co­man­do o li­cen­ci­ado João de Viana, ar­mador em Viana do Caste­lo, Gonça­lo Soares Pon­tev­el, benediti­no do Mosteiro de Singev­er­ga a quem com­petia redi­gir o re­la­to des­ta vi­agem de recreação, e In­ácio Ri­ta ou In­ácio da Ri­ta José, mar­in­heiro com car­ta de pa­trão de cos­ta. Co­mo con­vi­da­da seguia a bor­do Na­ia (Maria do Aires) Gar­cia Valdez, dec­orado­ra e an­tiquária com es­ta­belec­imen­to na Rua Dom Pe­dro V em Lis­boa. A ela e a to­da a trip­ulação do veleiro es­ten­deu Deus a sua benção nu­ma mis­sa cel­ebra­da na er­mi­da de Nos­sa Sen­ho­ra do Reste­lo pe­lo referi­do ir­mão benediti­no, ho­ras antes da par­ti­da.

  Desse tem­plo na col­ina de Belém onde teve lu­gar a cer­imó­nia de­sce­ram até à do­ca do Bom Suces­so os nave­gantes e os ami­gos que os acom­pan­havam em de­spe­di­da. Ali se en­con­tra­va o Pon­ta de Sagres de­vi­da­mente apar­el­ha­do para a larga­da nu­ma bran­cu­ra por as­sim diz­er fes­ti­va, co­mo reg­ista, lo­go a abrir, o diário de bor­do que frei Gonça­lo redigiu com ded­icação, colan­do-​lhe fo­togra­mas em cer­caduras de or­natos e de­sen­hos co­mo se de ilu­min­uras se tratasse. Movi­do pela paixão da fo­tografia, o frade, que, anos, antes tin­ha re­nun­ci­ado ao cur­so de ar­qui­tec­to para se de­votar à Re­gra de São Ben­to, jun­tou ao seu re­la­to da vi­agem al­gu­mas cen­te­nas de met­ros de filme a cores e ain­da bem que usou desse gos­to, re­con­hece­mos nós ago­ra, porque se do jus­to es­crito se fazem muitas vezes leituras de má fé, do re­tra­to do re­al se toma o rig­or in­con­testáv­el. As­sim sendo, con­grat­ule­mo-​nos por a im­agem se ter jun­ta­do aqui à palavra para que se aclare a visão do mun­do co­mo ver­dade e razão ad per­pet­uam memo­ri­am.

  Largaram os nave­gantes e águas es­pel­hadas e lo­go a meio do Tejo se lev­an­taram dois golfin­hos à frente de­les co­mo que a abrirem-​lh­es cam­in­ho até à Bar­ra em fes­te­jos in­ocentes. "Foi a primeira vez que vi golfin­hos neste rio que eu con­heço des­de a in­fân­cia", es­creveu frei Gonça­lo no diário. De camiso­la e bar­ba cur­ta apon­ta­da ao hor­izonte, pare­cia um uni­ver­sitário em re­ga­ta de férias; ou en­tão um vele­jador de con­sciên­ci